Poucos sabem, mas A Vida Secreta quase se chamou Entre Quatro Paredes, já não lembro mais nossos porquês para desistir do nome, mas ele foi cogitado por também sintetizar o espÃrito do AVS, algo particular, um universo infinito dentro das limitações de quatro paredes.
Cresci ouvindo minha mãe dizer que entre um casal, tudo é permitido desde que exista consentimento. Sem perceber, minha mãe foi a primeira pessoa a difundir o conceito da consensualidade, talvez o principal mandamento do SSC (São – Seguro – Consensual), preceito básico do BDSM.
Uma experiência recente em famÃlia me fez ter contato com uma outra face do jogo erótico que me incomodou. É claro que não vi uma cena BDSM explÃcita. Na vida, algumas pessoas vivem o D/s (Disciplina e submissão) no dia a dia, algumas conscientes, outras não. Tenho um caso muito próximo  em famÃlia, acabo de descobrir o segundo.
O incômodo citado, deveu-se a uma humilhação explÃcita, onde a mulher, na casa da famÃlia dele, usou de termos pejorativos, zombeteiros, algumas vezes agressivos até, e ele, com uma mansidão digna de um submisso em sessão, acatou sem dizer um A e ainda lançando olhares apaixonados e coniventes à sua Megera Indomada.
Não sou uma Dominadora na vida, guardo o meu prazer com a Dominação como uma outra face de mim, meu momento secreto, entre quatro paredes. Particularmente, eu diria cada uma das frases usadas por ela em um ambiente particular, mas…  Respeito ambientes sociais, mesmo que o meu parceiro lamba minhas solas sujas em privativo. Viver em sociedade é respeitar para ser respeitado.
Um exemplo. O fato de minha mãe saber que tenho um estilo sexual alternativo, não me obriga a contar pra ela os detalhes picantes da relação. Ou mesmo expor um parceiro diante dela, mesmo que com o consentimento dele. Ela tem outra vivência, outra história. Todos temos direito a uma vida Ãntima. Por isso A Vida Secreta, por isso o universo infinito das Quatro Paredes.
Neste ponto, eu não sou nada transgressora. Respeito as regras sociais, não estupro os direitos alheios, pois com esta atitude espero ser respeitada também.
Em ambientes sociais, um homem ao meu lado é um homem, em todos os aspectos da palavra. Gosto do cavalheirismo e sobretudo preciso admirá-lo como homem. Humilhando-o diante dos outros estaria fazendo o oposto. Em uma relação, admiro a iniciativa, inteligência, se é bem sucedido profissionalmente, ou até se sabe sugerir um bom vinho. É na cama, e só na cama, que gosto de comandar, restringir e, eventualmente, provocar alguma dor.  Um jogo consentido entre adultos pelo prazer.
Socialmente, nenhum dos meus parceiros sexuais seria chamado de coitadinho, como alguns que desconhecem o jogo BDSM poderiam até pensar. São pessoas absolutamente normais, que admiro e respeito. Sei que para alguns submissos essa minha dualidade, esse mix agridoce, pode até ser pouco atrativo, mas… Prefiro, de verdade, continuar sendo meiga e doce e guardar meu lado malvadinho para quem gosta e consente.
Portanto, fica a dica. Para as mocinhas mandonas e para os moços que aceitam a capachitude real, maneirar seus impulsos em ambientes sociais é uma regra de bem viver. Canalizem esta energia para o erotismo e o sexo, realizem em um ambiente adequado, sem agredir ou chocar os desavisados e todos viverão felizes para sempre.







Muitas pessoas não respeitam a intimidade de quem está do lado e sai espalhando para todo mundo o que aconteceu! O sexo é algo muito Ãntimo e vemos que quem toma essa atitude é porque não tem respeito pela pessoa que está do lado e quando não há respeito, não há relacionamento.
Putz, disse tudo no texto B., as questões de preferência dizem respeito ao casal e não precisam ser divididas no meio social em que vivem. Questão de respeito ao próximo e a si mesmo….
beijos
Eu desde que me conheço por gente, sempre amei brincade de D/s. É divertido e prazeroso. Mas tudo tem um limite (como vc mesmo disse). Um dado momento da minha vida, tive uma Dominadora, que perdeu o senso e quis fazer o jogo na frente dos meus amigos que não curtem esse lado da minha vida. Eles sempre me respeitaram. E no momento em que ela ultrapassou o limite, só precisou faze-lo uma vez; no dia em que ela quis me humilhar na frente deles, dei o troco a altura; não a desrespeitei, apenas rompi o relacionamento e nunca mais tivemos contato. Foi o mais cortês que a situação exigia.
Não me arrependo do que fiz. Acho que D/s, uma relação estritamente pessoal e intima deve ser mantida entre o casal, a menos que eles desejem envolver mais pessoas. Como não era o caso, preferi terminar o relacionamento antes que a situação se alterasse mais.
Abraços
Concordo plenamente com a sua opinião B. De fato o que se faz entre quatro paredes lá deve permanecer e quanto a humilhar alguém publicamente é de fato inaceitável, mas quem sabe o Eu Mesmo é que tenha razão quando diz: “Cada um tem o cônjuge que merece” rs Quem permite isso podendo parecer estranho deve gostar, mas quem faz deveria ter o mÃnimo de respeito pelas outras pessoas que podem se sentir desconfortáveis em assistir. Educação, gentileza, delicadeza e respeito para com o próximo não ocupam espaço e se todos praticassem a vida seria bem mais agradável.
Beijos