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Tão Desprevenida e Exata que Um Dia Acaba

Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba

Trecho de Ritual - Cazuza

A morte anda rondando… Como sempre andou e como nunca deixou de estar. A avó de noventa e seis anos doente mostra que nem sempre a longevidade é um presente. A notícia de uma amiga do passado à beira da morte aos quarenta anos me congela. Não ando bem estes dias, a maneira frenética como ando trabalhando, produzindo, escrevendo, é um termômetro do meu momento de ebulição interno. Penso na morte todo o tempo. Na morte como um fim, e não como algo transformador. Sei que a cada vinte e quatro horas o dia morre e nasce outro, mas… Quantas vezes metaforicamente eu mesma já morri e renasci outra em mim? Ah, se fôssemos Fênix… Penso também na morte dos sonhos. Sonhos que deixamos morrer. Assassinos? Isso me dá um desespero tão urgente. Pressa, muita pressa. Pressa de viver. Necessidade de qualidade para não morrer em vão. Ah, vida… (suspiro) Tão desprevenida e exata, que um dia acaba.

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Comentários

5 comentários em “Tão Desprevenida e Exata que Um Dia Acaba”

  1. “Pra que buscar o paraíso
    Se até o poeta fecha o livro
    Sente o perfume de uma flor no lixo
    E fuxica”

    Não sei o que pensar da morte, acho que também busco a ” necessidade de qualidade para não morrer em vão.”

    A morte aos noventa ou a morte aos quarenta?

    Muito bom seu texto B, sou eu quem fica aqui a suspirar depois de lê-lo.
    Acho que estou chegando na crise dos vinte, sei lá rsrs.
    Beijo.

    =]

    Comentado por Daniel Henrique | September 18, 2007, 3:18
  2. como diz a tatiana, do licor de letras, a gente às vezes transborda.
    e escrever pra mim não é só dar vazão, mas também organizar, focar, ajustar o olhar.
    agora, a morte… é a coisa mais natural da vida, a única certeza, e ainda assim, como incomoda!

    Comentado por Carol | September 18, 2007, 11:41
  3. E realmente por isso devemos aproveitar cada dia, cada oportunidade.
    Quando você diz:
    “… Sei que a cada vinte e quatro horas o dia morre e nasce outro, mas… Quantas vezes metaforicamente eu mesma já morri e renasci outra em mim?”
    Penso que tudo nessa vida é transformação, somos eternos camaleões buscando sempre nos adequar ao ambiente e aos fatores externos embora na maioria das vezes inconscientemente. Nem sempre é possível, mas a persistência é necessária.
    Espero que sua fase cinza passe logo.
    Beijos na avó e em você.

    Comentado por DGirl | September 19, 2007, 1:38
  4. Ah, B…

    … dá aqui um abraço, vai! :-/

    Comentado por Mamy | September 19, 2007, 2:36
  5. Vou contar uma coisa. Horrível. Uma experiênica horrível pra mim. Briguei com uma pessoa querida, daquelas coisas horrorosas, por conta de um rompimento amoroso depois de anos. Um mês depois essa pessoa morre, de uma daquelas mortes bobas, de sentir uma dor de cabeça e morrer, aos 29 anos, que nem o destino explica.
    Morreu. Acabou. E muitas, muitas coisas que tinham que ser ditas, não foram. Essa é a pior coisa. A pessoa partir e você não ter tido tempo de falar. No começo, surtei. Depois, entendi uma coisa. As coisas não podem ser deixadas para amanhã. Porque pode não haver o amanhã. Então, hoje, às vezes pareço boba. Porque repito coisas desnecessárias dez vezes, reafirmo, me desculpo, digo que amo. Tudo no mesmo dia. Nunca amanhã.

    beijo linda.

    Comentado por K. | September 19, 2007, 3:09

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