Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acabaTrecho de Ritual – Cazuza
A morte anda rondando… Como sempre andou e como nunca deixou de estar. A avó de noventa e seis anos doente mostra que nem sempre a longevidade é um presente. A notícia de uma amiga do passado à beira da morte aos quarenta anos me congela. Não ando bem estes dias, a maneira frenética como ando trabalhando, produzindo, escrevendo, é um termômetro do meu momento de ebulição interno. Penso na morte todo o tempo. Na morte como um fim, e não como algo transformador. Sei que a cada vinte e quatro horas o dia morre e nasce outro, mas… Quantas vezes metaforicamente eu mesma já morri e renasci outra em mim? Ah, se fôssemos Fênix… Penso também na morte dos sonhos. Sonhos que deixamos morrer. Assassinos? Isso me dá um desespero tão urgente. Pressa, muita pressa. Pressa de viver. Necessidade de qualidade para não morrer em vão. Ah, vida… (suspiro) Tão desprevenida e exata, que um dia acaba.







Ah, B…
… dá aqui um abraço, vai! :-/
E realmente por isso devemos aproveitar cada dia, cada oportunidade.
Quando você diz:
“… Sei que a cada vinte e quatro horas o dia morre e nasce outro, mas… Quantas vezes metaforicamente eu mesma já morri e renasci outra em mim?”
Penso que tudo nessa vida é transformação, somos eternos camaleões buscando sempre nos adequar ao ambiente e aos fatores externos embora na maioria das vezes inconscientemente. Nem sempre é possível, mas a persistência é necessária.
Espero que sua fase cinza passe logo.
Beijos na avó e em você.
como diz a tatiana, do licor de letras, a gente às vezes transborda.
e escrever pra mim não é só dar vazão, mas também organizar, focar, ajustar o olhar.
agora, a morte… é a coisa mais natural da vida, a única certeza, e ainda assim, como incomoda!
“Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica”
Não sei o que pensar da morte, acho que também busco a ” necessidade de qualidade para não morrer em vão.”
A morte aos noventa ou a morte aos quarenta?
Muito bom seu texto B, sou eu quem fica aqui a suspirar depois de lê-lo.
Acho que estou chegando na crise dos vinte, sei lá rsrs.
Beijo.
=]