“Tive mesmo um orgasmo em cena”, diz ator Paul Dawson

É real o orgasmo do ator Paul Dawson, na pele de James, nos primeiros minutos de “Shortbus“. Também é verdadeira sua relação com o parceiro de cena, seu namorado na vida real e no filme, Jamie, o ator PJ DeBoy.
Outro fato é que o sexo pouco cenográfico da dupla Sook-yin Lee e Raphael Barker, como Sofia e Rob, é mesmo horrÃvel.
“Não entendo por que ter um orgasmo em cena é tão diferente de chorar diante da câmera”, disse Dawson à Folha, por telefone, de Nova York. “As duas coisas exigem que se traga à superfÃcie algo muito Ãntimo.”
Todo esse realismo nas cenas de sexo, aliado à total falta de pudor nos figurinos e na atuação, legou a fama de pornográfico ao filme que estréia hoje em circuito comercial depois de uma ruidosa passagem em 2006 pela Mostra de SP.
Fonte: Folha Online – Ilustrada
Sobre B. A VIDA SECRETA
B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.




















O filme certamente trabalha com cenas interessantes, quadros poucos comuns. E não simplesmente superficialmente pornográfico. Há uma diferença substancial entre um conjunto de cenas de sexo e "short bus". Este é um mundo distante da lente moralista, à margem do habitual. Na minha opinião, o filme trata da exatidão do amor e o sexo, ou melhor, do elo entre o amor e o sexo. Trata de um drama bastante contemporâneo, sobre o qual visualizamos a dissolução do padrão de se viver, amar e transar. Ali, o filme retrata aquilo que a "sociedade" rejeita: a libertinagem, a transgressão dos valores mais conservadores. Desnuda-se numa emancipação de infinitas relações citadinas em NY. A literatura de Henry Miller (Trópico de Cancer), Bukowski (crônica de um amor muito louco) e até Sartre (O muro) buscou traduzir essa transição. Falta ainda a muitas pessoas aceitarem a vez do cinema.
Filme mais sem noção que eu já vi na minha vida! ha ha ha
Rá! © Sérgio Mallandro.