Sexualidade (e Homossexualidade) Através dos Tempos
Neste domingo o Diário do Grande ABC trouxe bons textos relacionados à Sexualidade. “Faz parte da Nossa História“, de Marcela Munhoz, e “Filmes e Novelas Transpiram Sexualidade“, de Ângela Correa. Indico a leitura integral de ambos (links no final do post), mas resolvi fazer uma pequena colcha de retalhos, dar também meus pitacos e comentar um pouco o que já foi muito bem abordado lá.
O Que é Sexualidade?
Sexualidade não significa apenas sexo. “Implica em dimensões variadas, sendo mais do que o genital ou para reprodução”. Refere-se a um conjunto de características psicológicas e comportamentais que define o sexo de uma pessoa, mas também envolve diferenças anatômicas, gênero (masculino e feminino), afetividade que cria laços com o outro, relação com o ambiente, produzindo identidades únicas.
Citação de Oswaldo Rodrigues Júnior, psicólogo, do Instituto Paulista de Sexualidade, no Diário do Grande ABC
E apesar de desde sempre a sexualidade humana ser um tema relevante, sempre foi também extremamente controverso. O contexto social foi preponderante no entendimento da mesma.
A Homossexualidade na História
A homossexualidade, por exemplo, cujo conceito como é hoje sequer existia, ao longo de diferentes épocas já foi tanto promovida quanto repudiada.
Na Grécia antiga, é sabido que o relacionamento homossexual entre mestres e tutelados – inclusive a pederastia - era extremamente comum. No entanto, em 1895 Oscar Wilde, autor de O Retrato de Dorian Grey, foi julgado e condenado a dois anos com trabalhos forçados por “cometer atos imorais com diversos rapazes”.
Mudam os tempos, muda a maneira de ver um mesmo tema.

Cenas do filme Alexander, com Colin Farrel, em um tempo onde a bissexualidade masculina não era questionada.
Através de representações artísticas, é possível observar que desde a antiguidade a pluralidade sexual masculina sempre foi aceita (era muito comum o relacionamento sexual e afetivo entre guerreiros, independente de suas mulheres – que na contramão lhes era negada a manifestação de prazer – e filhos que ficavam para trás.
Alexandre – o Grande, dizem, foi um exemplo bem típico deste comportamento socio-sexual. Aliás, fica a dica do filme Alexandre, de 2004, que retratou não só as conquistas e glórias do grande conquistador, mas também sua sexualidade diversificada.
Período Clássico à parte… Vale lembrar que até 1973, quando a Associação Americana de Psiquiatria a retirou da lista de transtornos, a homossexualidade (outrora chamada de homossexualismo) era considerada uma doença.
A Sexualidade e as Leis
E tão logo a sociedade se organizou, surgiram as leis, leis criadas pelos poderosos (Religião e Governo) para agradar suas necessidades.
O Código de Hamurabi, conjunto de leis criadas na Mesopotâmia, por volta de 1.700 a.C, pelo rei Hamurabi. Entre as leis, uma determinava que o casamento do homem seria com uma única mulher e que só poderia tomar uma segunda esposa se a primeira fosse estéril.
Citação de Peter Stearns, historiador Norte Americano, autor do livro História da Sexualidade, no Diário do Grande ABC
E apesar disso ter mudado aqui e ali, até os dias de hoje ainda é o poder (e nessa vale Executivo, Legislativo e também Religião) quem dita as leis do pode ou não pode do sexo. Da validação do nome de transsexuais, direito à adoção de orfãos por homossexuais, à eterna luta pela legitimação da união civil entre pessoas do mesmo sexo.
Ah, esses poderosos…
A Homossexualidade no Cinema
E o tema que ao longo dos anos sempre foi meio marginal, à partir dos anos 70 passou a ser recorrente no circuito comercial. Á princípio, com ares de drama extremamente velado em Um Dia de Cão (1975), indicado a seis Oscars e ganhador de uma por melhor roteiro original. Neste filme a motivação do assalto era conseguir dinheiro para a mudança de sexo do amante homossexual de um dos assaltantes e foi baseado em fatos reais.
Mas foi posteriormente, com ares de pastelão (A Gaiola das Loucas, 1978, inclusive com indicações ao Oscar), o que provavelmente foi um facilitador, afinal o humor sempre abre portas para os temas mais diversos que o tema ganhou o circuitão. Até então, a homossexualidade não havia sido retratada como um relacionamento natural, estável e saudável entre duas pessoas, havia sempre uma conotação de promiscuidade ou doença.
Desde então o cinema tem flertado aqui e ali com personagens homossexuais. Nota especial para o excelente As Horas (2003), baseado na obra Mrs Dalloway de Virgínia Wolf, onde a homossexualidade feminina é abordada em três histórias que se confundem, mesmo sendo contadas em diferentes épocas (anos 20, 2ª Guerra e dias atuais) e contextos sociais.
No entanto, foi em 2005, com Brokeback Mountain, do diretor Ang Lee, que o cinema revolucionou contando a história de amor de dois cowboys (entre 1963 e 1981) e abriu ao mundo o tema sem tabus. Sendo, inclusive, indicado a oito Oscars e vencedor de três.
E depois da bela e triste historia de amor de Brokeback Mountain, outras histórias foram contadas, outros aspectos sociais. É o caso de Milk (2008), que conta a história da campanha do primeiro político assumidamente gay dos Estados Unidos.
Ou do recente Minhas Mães e Meu Pai (2010), ainda em cartaz, onde um casal de lésbicas decide ter filhos através de inseminação artificial, engravidam de um mesmo doador e, anos mais tarde, seus filhos decidem conhecer o doador/pai biológico.
Ou seja, mudam os tempos, mudam os conflitos, mas o assunto nunca sai de evidência. Acredito que quanto maior o debate, maior a reflexão e as mudanças.
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Citações:
- Faz parte da Nossa História – http://www.dgabc.com.br/News/5864271/faz-parte-da-nossa-historia.aspx
- Filmes e Novelas Transpiram Sexualidade – http://www.dgabc.com.br/News/5864270/filmes-e-novelas-transpiram-sexualidade.aspx
- Oscar Wilde – http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde
- Alexandre, O Grande – http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre,_o_Grande
- Um Dia de Cão – http://pt.wikipedia.org/wiki/Um_Dia_de_C%C3%A3o
- Brokeback Mountain – http://pt.wikipedia.org/wiki/Brokeback_mountain
- A Gaiola das Loucas – http://pt.wikipedia.org/wiki/La_cage_aux_folles_(filme)
- As Horas – http://pt.wikipedia.org/wiki/As_Horas_(filme)
- Milk – http://pt.wikipedia.org/wiki/Milk
- Minhas mães e meu pai – http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Kids_Are_All_Right
Sobre B. A VIDA SECRETA
B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.
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Categories: Sexualidade












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by Tweets that mention Sexualidade (e Homossexualidade) Através dos Tempos. AVS. Sexualidade e erotismo. -- Topsy.com on fev 7, 2011 at 11:09
O filme Calígula (1979) também é um bom exemplo.
by Sentimental on fev 7, 2011 at 7:55
Bem lembrado… Mas Calígula é o típico filme em que, apesar de ser apresentado em outro contexto/época, vendeu bem a idéia da homossexualidade como perversão. Até pq Calígula era piradinho…
by B. on fev 8, 2011 at 6:53
sim sim, o negócio era sacanagem, orgia, mas é um filme q retrata a troca, a pluralidade, o incesto e mais um monte de coisas q são tabu.
by Sentimental on fev 8, 2011 at 2:25
Ahahahaha, é verdade. E talvez por isso tenha sido mega censurado na época, aliás, aquele ator Malcon MacDowell era figurinha repetida em filme censurado, né? Vide Laranja Mecânica. Mas voltando a Calígula, isso só nos mostra que desde que o mundo é mundo nas rodas do poder tudo é permitido…
by B. on fev 8, 2011 at 2:31
claro!
nada q mostre ao mundo a contra mão do bom senso e das regras é bem vindo né?
tô pra ver alguma coisa 'absurda' ser inserida no contexto social sem nenhum alarde.
by Sentimental on fev 8, 2011 at 5:01
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by Layla Hernandez on jan 17, 2012 at 9:08
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