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Rapex: a camisinha antiestupro

Nossa querida colunista italiana, Violet, esteve um pouco sumida, mas volta com força total. Trazendo detalhes de um assunto que foi bastante comentado em ocasião da World Cup South Africa 2010, o número absurdo de violação contra a mulher no país e a necessidade da criação de um preservativo anti-estupro. Uma idéia genial ou um dispositivo medieval? Leia e opine.

Rapex: camisinha antiestupro

Num país atormentado por estupros, a África do Sul (1,7 milhões cada ano), em 31 de agosto de 2005, na cidade de Kleimond, a hematologista Sonnete Ehlers, do “South African Institute for Medical Research”, registrou o direito de exclusividade pelo Rapex (em português seria algo como “estuprex”), um preservativo original que permite reagir às tentativas de estupro.

É um aparelho em látex, com as dimensões de um tampão e se insere no canal vaginal como um diafragma. Entra por meio de um tampão aplicador, e tem que ser removido com o mesmo tampão.

Durante a penetração as 25 cerdas microscópicas e pontudas que o encaixam se cravam na carne do violador, causando um castigo infernal a ele. A dor fica tão aguda que a mulher tem tempo de fugir e pedir ajuda, por que o violador fica aturdido algum tempo antes de poder reagir.

Como age o Rapex?

  • Durante a penetração o Rapex fica preso ao pênis e depois é extraído fora da vagina, quando o violador recua pela dor.
  • O Rapex pode ser removido somente através de uma intervenção cirúrgica, sendo assim funcional, pois torna possível a identificação do violador pelo médico e, de modo correspondente, pela força policial.
  • O homem não pode perceber a presença do Rapex, dado que fica atrás dos lábios da vagina e não tem saliências visíveis, nem mesmo cadarços.
  • Não pode perder-se dentro da vagina, porque não chega ao nível da cérvix (colo do útero), portanto não há contraindicações especiais.
  • As infecções só são possíveis no caso de múltiplas utilizações da mesma peça, como uma normal camisinha.
  • Pode ficar inserido sem problemas na vagina durante 24 horas.
  • O preço é um pouco mais elevado comparado a uma camisinha normal.
  • Como os demais preservativos, evita a transmissão do HIV e as gravideces indesejadas.

Uma idéia genial ou um dispositivo medieval?

Rapex: camisinha antiestupro

A idéia surgiu na mente da Ehlers graças a uma confidência desanimada de uma paciente, que depois de violentada lhe disse: “Oxalá houvesse tido dentes lá embaixo!”,  ilustrando incoscientemente o mito da vagina dentada.

O registro da patente do Rapex provocou muita controvérsia. “Vingativo, horrível e asqueroso” foi definido por Charlene Smith, uma das líderes nas campahnas contra a violação das mulheres na África do Sul.

Lisa Vetten, do “Centro de Violência e Reconciliação” em Johanesburgo, declarou que o Rapex: “É como se voltássemos aos tempos medievais, nos quais as mulheres eram forçadas a usar cintos de castidade. Fico aterrorizada pensando nas coisas que pode fazer uma mulher quando se resigna à ideia de que pode ser violada”.

Algumas pessoas tinham receio sobre a utilização dele, temendo que uma mulher com desejo de vingança de algum parceiro anterior pudesse usá-lo  contra ele. Outras pessoas se perguntavam sobre sua eficácia, num país no qual os estupros coletivos  (curras) são extremamente comuns. O Rapex só pode agir de fato contra um só homem.

As mesmas pessoas tem também outro medo: por raiva, os cúmplices do violador que caiu na armadilha do Rapex, podem tornar-se muito mas ferozes na violência perpetrada contra a mulher, talvez até sua morte.

Depois um ano e meio de disputas, em abril do 2007 o produto foi finalmente comercializado e vendido como “camisinha anti-estupro”, legal pelo fato de ser considerado somente um instrumento pela legítima defesa, não fatal nem mortífero.

Um “cinto de castidade” auto-imposto?

Rapex: camisinha antiestupro

Eu acho muito simplesmente que, enquanto, desafortunadamente, todos os homens não forem educados a dirigir e controlar de maneira adequada seus instintos, o Rapex é o melhor dissuasor corporal.

A reação brutal de cúmplices do violador, infelizmente é um risco que se deve correr, dado que também sofrer de forma passiva a violação não garante automaticamente ter a vida salva, nem protege de eventuais tentativas de assassinato.

Enfim, duas palavras sobre os “cintos de castidade” citados pela doutora Lisa Vetten. Também nesse caso, resposta simples: dado que é um instrumento que pode ser removido com a mesma facilidade com o qual pode ser inserido, no fim das contas tudo fica nas mãos e opção da mulher, e em seu bom senso em compreender quais podem ser as situações de potencial perigo nas quais fica melhor “envolver-se” com ele.

Simples assim!

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Violet, vive na devota Itália e tem características fisicas tipicamente etruscas. Oscila eternamente entre o romance e vampirismo… mas entretanto escreve.

Sobre Violet Erotica

Violet, correspondente e colunista do A Vida Secreta, vive na devota Itália e tem características fisicas tipicamente etruscas. Oscila eternamente entre o romance e vampirismo… mas entretanto escreve.

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23 Respostas para “Rapex: a camisinha antiestupro”

  1. Mimi disse:

    Aprovo o Rapex. Mas sou a favor mesmo do bom e velho canivete. Quando crescer vou trocar o meu por um .38, hehehe.

    Estupradores merecem simplesmente morte. Com sofrimento prévio, de preferência. O Rapex, portanto, apesar de ser uma boa idéia, não supre as minhas necessidades, hahaha.

  2. VioletErotica disse:

    li numa página na Internet que o Rapex foi comercializado também na China, em abril ou maio de 2007… muito boa notícia, acho…

  3. Mamangava disse:

    @VioletErotica

    Bom, creio que esse é o exato ponto em que discordamos: você crê que "sempre fica melhor do que não fazer nada", e eu creio que, eventualmente, o uso do Rapex poderá piorar a situação, levando o agressor a atitudes ainda mais violentas, o que, sinceramente, não acho nada difícil de acontecer. Sobretudo se o governo distribuir essas camisinhas aos baldes como fez agora na Copa do Mundo, pois quanto mais conhecida e popular for essa forma de prevenção, maiores as chances de agressores também se prevenirem contra ela.

    Mas essa é a opinião de alguém que não é mulher e não vive na África do Sul. É perfeitamente possível que se eu fosse mulher sul-africana eu pensaria diferente. Num país com um número tão elevado de estupros por ano devem acontecer coisas que nem imaginamos (mulher ser estuprada por pessoas que acreditava que fossem seus amigos… por colegas de trabalho… até coisa pior… sei lá). É uma outra realidade, que com certeza gera uma outra gama de opiniões.

  4. Nadia disse:

    Mesmo diante do que o Mamangava colocou, o que concordo, não se pode desmerecer o Rapex e os seus criadores.

    São pessoas que vendo tanta violência quiseram ajudar de alguma forma, quiseram fazer um trabalho que não lhes cabe, mas cansaram de ficar apenas observando tanta injustiça.

    Certamente o médico que idealizou o Rapex deve ter atendido tantas mulheres violentadas fisica e emocionalmente que na tentativa de amenizar esse sofrimento pensou nessa alternativa. Claro que não levou outros aspectos em consideração, mas é louvável sim a intenção. Mas acredito que isso é um trabalho que cabe ao maldito governo.

  5. VioletErotica disse:

    Mamangava, comentei no artigo:

    "A reação brutal de cúmplices do violador (MAS TAMBEM DO VIOLADOR MESMO), infelizmente é um risco que se deve correr, dado que também sofrer de forma passiva a violação não garante automaticamente ter a vida salva, nem protege de eventuais tentativas de assassinato."

    nunca escrevi que Rapex è a solução… pero sempre fica melhor que fazer nada.

    também o sprai de pimenta não fica seguro 100%, porque atrapalha o olhar pero não a mão que tem o revólver ou a faca, e no buxixo o violador pode cometer o crime não vendo a vítima… e também naquila situação pode haver uma reação muito mais violenta por parte de ele… então que fazemos, nada?

    a lei e a educação sirvem para PREVENIR ou JULGAR um ato… não para suspende-los quando acontecem.

    por isso existe o sprai de pimenta. por isso existe o Rapex.

  6. Mamangava disse:

    Veja, VioletErotica, eu não tenho como propor uma alternativa ao Rapex. Tudo o que posso dizer é que o Rapex não me pareceu, a priori, sequer uma alternativa viável.

    Na verdade, me pareceu uma alternativa um pouco perigosa. Acho um pouco vaga a ideia de que "a dor fica tão aguda que a mulher tem tempo de fugir e pedir ajuda, por que o violador fica aturdido algum tempo antes de poder reagir". Dá a impressão de que o fabricante ou o idealizador do produto quer fazer a consumidora esquecer de que nem todos os estupros são iguais. Alguns estupradores amarram suas vítimas, outros as confinam. E, mais uma vez, aponto o perigo que há na reação violenta de um indivíduo que acabou de "cair na armadilha" do Rapex e tem a vítima do crime ainda amarrada à sua frente.

    Aliás, embora seja perfeitamente plausível propor que o agressor fique aturdido durante algum tempo depois de cair na armadilha, não posso deixar de dizer que isso ainda é uma suposição. Afinal, duvido que homens tenham topado fazer uma bateria de testes para saber se a dor é realmente excruciante a ponto de *sempre* dar tempo à mulher de fugir *com segurança*. Imagino que pênis de tamanhos diferentes experimentarão diferentes níveis de dor, sem contar que o uso narcóticos ou a adrenalina do momento também podem mexer com a sensibilidade à dor. Enfim, são muitas as variáveis envolvidas, e me parece um pouco falaciosa a ideia de que "a dor *vai* atordoar o agressor e a vítima *terá* tempo de fugir". Pode ser que sim, mas não há certeza alguma nisso.

    Também acho que a comparação do Rapex a um sprai de pimenta não seja totalmente idônea. Sprai, usado corretamente, pode de fato evitar o problema: o agressor fica cego por um tempo, a vítima corre, o assalto não ocorre. Já o Rapex, também usado corretamente, não evita o problema. Quando ele entra em cena o problema já existe, a violência já está ocorrendo, e as consequências não são sempre previsíveis e podem ser perigosas.

    Claro que a solução ideal do problema do estupro na África do Sul envolve políticas públicas de educação, segurança e etc., e não envolve o uso do Rapex. O Rapex não vem para resolver nada, e não pode ser visto como uma solução, nem como uma alternativa para o problema como um todo. Vem apenas para trazer um pouco mais de segurança às vítimas, o que, ao meu ver, não é tão simples assim. Me parece que as ativistas do Rapex o apoiam porque ele machuca o estuprador justamente em sua genitália, causando uma forte sensação de justiça sendo feita. Isso faz com que, num primeiro momento, Rapex pareça uma ótima ideia. Mas, para mim, ele não resiste a um olhar mais racional.

  7. VioletErotica disse:

    "Deveria ter sim leis mais rígidas e que funcionassem…

    Mas o governo em todo país é igual, são ótimos para arrecadar impostos, mas para fazer o que lhes cabem …

    Se o assunto fosse tratado com mais respeito e seriedade pela polícia e pelo governo local não precisaria do Rapex."

    Totalmente de acordo sobre isso, Nadia :)

  8. Seria bom era se decepasse o pingulim do maldito estuprador. E nesse caso específico da Africa, onde o estupro é um constante, acho muito útil tal dispositivo e se contarmos com a falta de cuidado médico e condições sanitárias, o pingulim do cara vai infeccionar e espero que morra.

  9. Nádia disse:

    Não sei sugerir uma alternativa melhor para essas mulheres.

    Fico P com esses estrupadores, e acho que nesses lugares existem mais porque existe pouca ou nenhuma impunidade a eles.

    Impunidade gera sensação de poder nesses doentes mentais.

    Deveria ter sim leis mais rígidas e que funcionassem…

    Mas o governo em todo país é igual, são ótimos para arrecadar impostos, mas para fazer o que lhes cabem …

    Se o assunto fosse tratado com mais respeito e seriedade pela polícia e pelo governo local não precisaria do Rapex.

    Porém, como disse, eu usaria sim.

    Só que o Rapex é um tipo de instrumento para se fazer justiça com as próprias mãos (ou xoxota nesse caso, rs). É como reagir a um assalto, pessoas sensatas não recomendam que se faça isso.

  10. B. disse:

    Casto, eu procurei no Google, cansei na quinta página… Não encontrei nada, nenhuma ocorrência, só mesmo buxixo sobre o produto.

  11. B. disse:

    Eu brinquei com o fato, mas é realmente amedrontador em todos os sentidos. É impossível não imaginar esta situação de estupro coletivo e temer pela vida, afinal, nem dá tempo de procurar ajuda se outros podem te espancar e matar… É complicado demais. Não sei o que é pior, esquecer e tampar os olhos para o fato, ou imaginar uma alternativa tão terrível…

  12. VioletErotica disse:

    Nadia, o Mamangava escreveu objeçoes razoáveis… pero… que fazer em alternativa ao Rapex?

    também quando foram comercializados os sprays de pimenta havia muitos céticos, ao final na vida pratica se descubriu sua eficácia.

  13. Sentimental disse:

    putz, só de pensar em estupro já sinto náuseas…

  14. Nadia disse:

    Eu usaria se corresse riscos, mas isso sou eu que além de meio doida sou impulsiva e não penso antes de agir.

    Mas analisando a situação o Mamangava está coberto de razão…

  15. VioletErotica disse:

    Mamangava, voce que sugere – como solução alternativa?

  16. cast0 disse:

    Alguém sabe se já pegaram algum estuprador com o rapex?

  17. Andarilho disse:

    Me deu um medo em pensar que uma ex vingativa poderia fazer…

  18. Mamangava disse:

    Hum… sei lá. É somente um paliativo, longe de ser qualquer coisa que poderíamos chamar de solução para o problema. Com o uso da camisinha o estupro não se consuma totalmente, mas a violência moral (e "parte" da violência sexual) ainda ocorre, e a coisa não deixa de ser super traumática. Nenhuma mulher conseguirá ficar super tranquila só porque está usando uma camisinha dessas.

    Além do mais, se a camisinha vier de fato a se popularizar, imagino que estupradores passarão a conferir a presença da camisinha antes de cometer o crime, o que além de anular a eficácia da mesma, pode gerar no criminoso uma reação mais violenta (partir para violência anal, por exemplo…).

    Ou seja… sei não. Não me pareceu uma boa ideia, não…

  19. VioletErotica disse:

    "a hematologista"

    também o idioma portugues alguma vez consegue assombra-me com estas pérolas linguísticas! ^^

  20. VioletErotica disse:

    "esteve um pouco sumida"

    demasiadas pessoas tive que agradar, em sua curiosidade pelo novo orgão ;D

  21. B. disse:

    Uma coisa não tenho dúvidas, Dra. Ehlers é uma sádica, sem dúvida!!!!

  22. B. disse:

    Como comentei anteriormente por e-mail, Violet, esta camisinha parece até um dispositivo de tortura de CBT (Cock and Balls Torture), não duvido que tenha masoquista implorando por ela, quiçá se tornando estuprador por isso. Afffffffffffffff… Ôooooooo mente perversa… rs.

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