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Quando o amor acaba em violência

Nos últimos dias, a mídia foi invadida por uma série de casos em que amor e descontrole andaram de mãos dadas. Em SP, a tragédia de Santo André daria enredo para filme. Depois disso, tantas outras histórias entraram em evidência, que parece que amores que acabam em violência são mais banais do que se possa imaginar. Se até mesmo Luana Piovani, mulher forte e de atitude, teve um problema sério com o homem que há duas semanas ela apregoava no Jô ser o seu príncipe. Quem dirá moçoilas mais sensíveis…

O que pouca gente sabe aqui, é que eu já conheci alguém desse tipo, mas tive a sorte de sair fora ao primeiro sintoma.

Estava apaixonada e há dez meses lidando com um homem educado, calmo, mas que vivia um momento atribulado. Divorciando, problemas com a ex-esposa, uma ex-namorada que eu não entendia bem o porque dela continuar fazendo parte tão atuante na vida dele – mais tarde soube que a história entre eles era de grana, ele devia a ela. Ele era um poço de problemas, mas era também um dos homens mais doces que eu conheci. E eu, que vivia um momento tão atribulado quanto o dele, já que minha vida profissional e pessoal tinha virado pesadelo e uma depressão me consumia à galope, me agarrei à idéia daquele amor. À princípio com reserva, mas depois completamente entregue, cúmplice e apaixonada.

Bom, minha história não é diferente da de tantas outras mulheres. Sexto sentido, um motivo percebido no ar, desconfiança de uma traição… Quando percebi ele estava gritando comigo, se defendendo e me chamando de louca pela minha desconfiança. Preocupada com o tom de voz dele, pedi que tivesse calma e tal, que se ele não fez nada de errado não tinha por que estar na defensiva. A atitude dele em resposta foi teatral e enfática. Em um ato completamente insano, ele jogou o celular em cima de mim, que me esquivei e então bateu na parede. Tive medo.

Tomada por uma calma que não sei de onde veio, calei, fui tomar banho, dormi, e pela manhã arrumei minhas coisas para ir embora. Disse que nossa relação tinha acabado e nunca mais conversamos sobre nossa relação. O fato de ter uma amiga em comum, fez com que ao longo do tempo eu tivesse notícias dele. Ele realmente me traía, não com uma, mas várias. E, é claro, que muitas vezes ele chorou ao telefone falando com pessoas amigas para me comover, mas… Eu não confiava mais.

Muitos anos se passaram, recentemente soube de um caso que ele teve posterior ao nosso e que terminou mal. Em uma briga, ele teve um acesso de fúria e a namorada foi espancada. Tanto, mas tanto, que foi parar no hospital. Durante anos eu pensei que pudesse ter sido intransigente, que devia ter conversado, dado uma segunda chance, mas não cedi. Diante do acontecido, só penso que eu tive sorte. A mulher espancada poderia ter sido eu.

Não entendo estes amores viscerais que oscilam entre amor e violência. Não aceito gritos e violência nem de brincadeira. Principalmente eu, que sou praticante do BDSM, sei e percebo claramente o limite entre realidade e fantasia. O que é cena do que é real.

Descontrole, crime de paixão, tanto faz. Em maior ou menor grau, acho que todo amor desse tipo algum dia dá sinal, sintomas da sua insanidade. Pagar pra ver é sempre um risco, que definitivamente, eu não me disponho correr…

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Sobre B.

B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.

7 Respostas para “Quando o amor acaba em violência”

  1. Pois é, acho que todas nós temos uma história, não?

    se lembrar, te contei um dia – aqui em sp – da minha história com o ex., que não me bateu, mas destruiu tudo o que eu tinha.

    E eu não fui à delegacia.

    até hoje não entendo esse meu comportamento, que pelo visto é tão igual a de tantas outras.

    beijos!

    saudades de vc!
    qdo vc vem pra sp?

  2. Sentimental disse:

    B., isso já aconteceu comigo e graças a Deus percebi antes q fosse tarde. hj sei q o cara é um fdp de primeira q bate direto na esposa e a família dele é conivente, pq moram todos juntos e eles não fazem nada.

    sabe qual foi o motivo q ele me deu pra terminar, numa festa eu fui abraçar o aniversariante e ele torceu meu braço pra trás, na hora fiquei roxa e no dia seguinte estava solteira.

  3. B. disse:

    Boa pergunta Bob,na época a garota mentiu no pronto-socorro e não fez B.O., mesmo sob todos os protestos dos conhecidos. Pelo menos não voltou pra ele.

    Ele, que admitiu ter surtado, foi a um psiquiatra e tomou uma cacetada de remédios além de fazer um tratamento. Ficou fazendo cara de réu, pedindo desculpas ao mundo. Sinceramente? Nada desculpa.

    Ficou o dito pelo não dito e eu não entendo até hoje porque ela não deu parte.

    A entrevista da Luana Piovani, que inseri o link no nome dela acima, está muito boa, pois ela comenta um fato muito comum. O agressor finge não estar acontecendo nada, ninguém desconfia que ele vai surtar, até que explode, como uma panela de pressão.

    Complicado…

  4. bob disse:

    Uma duvida, o filho da puta (desculpe me as putas) foi denunciado depois do que fez a outra moça?

  5. Charô disse:

    Olá B.,
    sabe o mais legal desse post? Quando vc falou que pulou fora no primeiro sintoma. E esse post me fez pensar sobre os relacionamentos com pessoas que se tornam agressivas em função de algum transtorno psicológico e/ou mental… Fica a sugestão de post. Abraço!

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