Quero apresentar a vocês Julia Reyes, mais uma vida secreta que vem juntar-se ao time. Alguém que resolveu partilhar por aqui suas reflexões sobre a sexualidade feminina sob um ponto de vista muito peculiar, o da mulher comum. Ou seja, como eu ou você. Da reflexão vem o debate e acredito que do debate venha o entendimento, a conscientização e mudanças, quando necessárias.  Leia com atenção, opine se tiver vontade, a intenção é exatamente esta, vamos conversar sobre o assunto.
Mulher Boquiaberta
Falar que vai fazer uma coluna sobre mulher e sexualidade é receita certa para dar sono em muita gente. Mulher, sexo e saúde, então, parece tema de seminário da oitava série.
O que acontece é que tem umas situações que me intrigam tanto que eu preciso compartilhar, saber como pensam as outras pessoas, quem mais vive estas situações e como as vive. Não vim aqui informar, vim perguntar.
Vejamos: tempos de Aids, sexo seguro, camisinha reina soberana (ou ao menos deveria), mas e pra chupar um pau, uma boceta? Fora os profissionais, quem é que usa proteção nessas horas? Depois o que é que tem que fazer, beber uma cândida? Ou todo mundo anda levando na carteira um teste recente para tudo quanto é DST e cada um mostra o seu antes da chupada?
Aposto algumas fichas que a maioria vai na sorte mesmo. E depois encara um tratamento, uma mágoa, sei lá.
Fora isso, ainda tem a tal da pÃlula. Depois de quase uma década de casada resolvi experimentar essa que é aclamada como a verdadeira responsável pela liberação sexual feminina. Eu, que só usei medicina alternativa a vida inteira, resolvi, digamos assim, fazer um agrado para o meu querido. Porque gente casada é contorcionista, né? O casamento é o reino da concessão por excelência. Ou alguém aà faz diferente?
Faz a consulta, começa a tomar no primeiro dia de menstruação. Daà a menstruação não para mais. Dez dias, a doutora diz que é normal. Quinze dias? Ah, no primeiro mês ainda é normal. Ufa, passou. Opa, nem uma semana e já começou de novo? Socorro!
E dizem as meninas que pode haver inchaço nos peitos ou na barriga. Tendo os peitos pequenos não me restou dúvidas sobre qual parte a Lei de Murphy faria inchar. E lembrar de tomar todo dia? Alarme recorrente no celular. Tudo bem, até aqui, nada com que não se possa lidar. Mas e a questão do sexo seguro? Um relacionamento aberto admite pÃlula? E se fora de casa você trepa com camisinha mas faz um boquete sem capote?
Aqui www.portugalgay.pt/dst tem um gráfico interessante sobres os riscos de transmissão de DST´s em várias modalidades.
Cair de boca, deleitar-se com o gosto alheio e assumir os riscos, ou lamber o plástico e dormir tranqüilo. Tomar a tal da pÃlula e não ter que correr até ali pra pegar a camisinha ou por a camisinha e dormir tranqüilo. A vida sempre dando jeitinhos de nos obrigar a exercer o livre arbÃtrio, essa sapeca.
Por favor, escrevam, contem, opinem.
Até a próxima,
Julia Reyes
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Julia Reyes é uma mulher chegando aos quarenta, tem um marido, um filho, um emprego, uma casa, um coração apaixonado, alguns amigos e muitas dúvidas.
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Seja muitissimo bem vinda, cara Julia Reyes.
E a B. e o Admin Secreto sempre nos surpreendendo, hein…
Sentimental, obrigada pelas boas-vindas e por comentar :)
Acho que já te respondi no que escrevi para a B. e para o Paulo, né?
Esse assunto realmente me intriga, e o próximo também, espero que você goste. Até!
Paulo, a intenção dessa coluna é compartilhar dúvidas e trocar idéias sobre coisas que são comuns na nossa vida. Fico bem dividida entre correr riscos e ser precavida, entre prazer e segurança.
Você e a Sentimental falam na questão dos exames que eu acho delicada, basta uma relação, mesmo que só oral, para toda a segurança ir por água abaixo.
E o problema, você sabe, não é só a Aids, a lista de DST’s é longa.
Você diz “Prezo minha vida (…) Não pretendo jogar nada fora sem pensar” e é bem isso que eu penso, se vamos correr riscos, que ao menos sejam conscientes. Pensando neles podemos reduzi-los e ficar atentos a possÃveis consequências.
Obrigada por comentar!
Meninas, só o cheiro da camisinha já é uma eca, se é para por a boca naquilo eu prefiro deixar pra lá. Sinceramente. Mas é um risco; por mais confiável que seja o parceiro, se ele trepou com outra pessoa, pronto, estamos no terreno da incerteza.
A B. está certa, a monogamia é mais segura, os dados do site português falam por si. Bom pra quem gosta, os demais que fiquem de olhos bem abertos.
ah, lendo o comentário do Paulo Cesar, lembrei de um detalhe, uma coisa q sempre mantenho atualizada são meus exames, por isso tenho a liberdade de conversar sobre esse assunto com as minhas figurinhas, q também tem a mesma prática…
bjs
Julia, seja bem vinda. gostei do texto de estréia…
bom, não uso camisinha pra fazer sexo oral e confesso q nunca tentei, só de pensar nessa possibilidade já me dá desânimo, e como oral é uma coisa q eu gosto prefiro nem pensar nisso. pra mim, dentro do ato sexual, sexo oral é uma coisa muito Ãntima, por isso reservo pros meus parceiros habituais ou figurinhas repetidas, aqueles com os quais rola uma cumplicidade mesmo e q posso confiar, tirando isso parto direto pros finalmente com camisinha e pronto.
beijos
Ficando na parte do uso da prevenção, porque não compreendi direito qual foi o alvo do seu post, vivo sozinho, sou seletivo, conheço pessoas, não saio com mulher de programa, acompanhante, essas coisas. Perdi uma pessoa da famÃlia, com aids, e pude aprender que a loteria é perigosa. Ela não era promÃscua. Mas quis no momento errado, posto que com o cara errado, qu de também não sabia. Pelo menos notificou assim. Pra mim ficou o pensamento do tempo do sofrimento, do tempo da solidão disposta sobre a solidão que já existia, do imenso sofrer fÃsico e moral. Passei ao lado dela que, mesmo sendo minha prima, era minha irmã. Foi muita perda. meus cuidados redobraram. Agora é preciso conhecer bem a pessoa, ao ponto da amizade, ao ponto da confiança, ao ponto de fazermnos, juntos, um exame e, depois, nos sentirmos à vontade e fazermos um pacto. Ninguém precisa pactuar coisa alguma com ninguém. Contudo, aids é de verdade . Para todo mundo que conheço pertence á categoria das coisas que “nunca vão acontecer comigo”. Não tenho pressa. Prezo minha vida, porque é muito boa e cheia de alternativas. Não pretendo jogar nada fora sem pensar. Tem dado certo. Há 16 abis, Se for bom pra você…!
Quando disse:
“Nem digo no caso da mulher para o homem, mas principalmente no caso do homem para a mulher.”
Me referi ao fato que é possÃvel uma mulher sempre fazer sexo oral em um homem usando preservativo, é possÃvel haver este trato entre os amantes. Já no caso de sexo entre mulheres acho realmente muito difÃcil…
Antes de tudo, Julia Reyes, seja bem vinda!
Sobre o texto… Mea culpa aqui… Sou da turma que dispensa chupar bala com papel quando há intimidade e confiança no moço. E no caso das moças, as poucas, nunca usei nenhum tipo de prevenção. Acho neurose demais as instruções de usar aquele plastiquinho de embalar fruta ou mesmo cortar a camisinha ao meio. Definitivamente fazer sexo assim é muito sem graça. No caso dos rapazes, evito se estiver com aftas, mordidas internas, ou machucadinhos na boca (que não sou dada a eles)…
É muito complicado isso, no caso de relacionamentos abertos então acho quase impossÃvel existir algum controle. Nem digo no caso da mulher para o homem, mas principalmente no caso do homem para a mulher.
O dados daquele site que você indicou são estarrecedores, eu não tinha noção mesmo. O que acaba levando a um outro questionamento. Não seria a monogamia sem dúvida mais cahata, mas também mais segura? Ôoooo semgraceza… risos
Da minha parte aqui, o que posso fazer apenas para prevenir é manter o meu número de parceiros extremamente reduzido, já que monogamia e solteirice não combinam, continuar usando preservativos para os intercursos sexuais completos e cruzar os dedinho cada vez que for agraciar o outro com um blowjob caprichado, homem ou mulher.
Mas que o texto me fez pensar… ah fez!