Seção | Sexualidade

Prazer ou meio prazer? Eis a questão.

Quero apresentar a vocês Julia Reyes, mais uma vida secreta que vem juntar-se ao time. Alguém que resolveu partilhar por aqui suas reflexões sobre a sexualidade feminina sob um ponto de vista muito peculiar, o da mulher comum. Ou seja, como eu ou você. Da reflexão vem o debate e acredito que do debate venha o entendimento, a conscientização e mudanças, quando necessárias.  Leia com atenção, opine se tiver vontade, a intenção é exatamente esta, vamos conversar sobre o assunto.

Mulher Boquiaberta

Falar que vai fazer uma coluna sobre mulher e sexualidade[bb] é receita certa para dar sono em muita gente. Mulher, sexo e saúde, então, parece tema de seminário da oitava série.

O que acontece é que tem umas situações que me intrigam tanto que eu preciso compartilhar, saber como pensam as outras pessoas, quem mais vive estas situações e como as vive. Não vim aqui informar, vim perguntar.

Imagem do Flickr de Histerica Sweet

Vejamos: tempos de Aids, sexo seguro, camisinha reina soberana (ou ao menos deveria), mas e pra chupar um pau, uma boceta? Fora os profissionais, quem é que usa proteção nessas horas? Depois o que é que tem que fazer, beber uma cândida? Ou todo mundo anda levando na carteira um teste recente para tudo quanto é DST e cada um mostra o seu antes da chupada?

Aposto algumas fichas que a maioria vai na sorte mesmo. E depois encara um tratamento, uma mágoa, sei lá.

Fora isso, ainda tem a tal da pílula. Depois de quase uma década de casada resolvi experimentar essa que é aclamada como a verdadeira responsável pela liberação sexual feminina. Eu, que só usei medicina alternativa a vida inteira, resolvi, digamos assim, fazer um agrado para o meu querido. Porque gente casada é contorcionista, né? O casamento é o reino da concessão por excelência. Ou alguém aí faz diferente?

Faz a consulta, começa a tomar no primeiro dia de menstruação. Daí a menstruação não para mais. Dez dias, a doutora diz que é normal. Quinze dias? Ah, no primeiro mês ainda é normal. Ufa, passou. Opa, nem uma semana e já começou de novo? Socorro!

E dizem as meninas que pode haver inchaço nos peitos ou na barriga. Tendo os peitos pequenos não me restou dúvidas sobre qual parte a Lei de Murphy[bb] faria inchar. E lembrar de tomar todo dia? Alarme recorrente no celular. Tudo bem, até aqui, nada com que não se possa lidar. Mas e a questão do sexo seguro? Um relacionamento aberto admite pílula? E se fora de casa você trepa com camisinha mas faz um boquete sem capote?

Aqui www.portugalgay.pt/dst tem um gráfico interessante sobres os riscos de transmissão de DST´s em várias modalidades.

Cair de boca, deleitar-se com o gosto alheio e assumir os riscos, ou lamber o plástico e dormir tranqüilo. Tomar a tal da pílula e não ter que correr até ali pra pegar a camisinha ou por a camisinha e dormir tranqüilo. A vida sempre dando jeitinhos de nos obrigar a exercer o livre arbítrio, essa sapeca.

Por favor, escrevam, contem, opinem.

Até a próxima,

Julia Reyes

_____________________________

Julia Reyes é uma mulher chegando aos quarenta, tem um marido, um filho, um emprego, uma casa, um coração apaixonado, alguns amigos e muitas dúvidas.

Post relacionados a Prazer ou meio prazer? Eis a questão.

  1. Swinger ou Liberal? Eis a questão!
  2. Bianca Jahara – Ser ou não ser, eis a questão
  3. Uma questão de peito

Bora dividir este post?

EmailOrkutShare

9 Respostas para “Prazer ou meio prazer? Eis a questão.”

  1. Dr. Rom disse:

    Seja muitissimo bem vinda, cara Julia Reyes.
    E a B. e o Admin Secreto sempre nos surpreendendo, hein…

  2. Julia Reyes disse:

    Sentimental, obrigada pelas boas-vindas e por comentar :)

    Acho que já te respondi no que escrevi para a B. e para o Paulo, né?

    Esse assunto realmente me intriga, e o próximo também, espero que você goste. Até!

  3. Julia Reyes disse:

    Paulo, a intenção dessa coluna é compartilhar dúvidas e trocar idéias sobre coisas que são comuns na nossa vida. Fico bem dividida entre correr riscos e ser precavida, entre prazer e segurança.

    Você e a Sentimental falam na questão dos exames que eu acho delicada, basta uma relação, mesmo que só oral, para toda a segurança ir por água abaixo.

    E o problema, você sabe, não é só a Aids, a lista de DST’s é longa.

    Você diz “Prezo minha vida (…) Não pretendo jogar nada fora sem pensar” e é bem isso que eu penso, se vamos correr riscos, que ao menos sejam conscientes. Pensando neles podemos reduzi-los e ficar atentos a possíveis consequências.

    Obrigada por comentar!

  4. Julia Reyes disse:

    Meninas, só o cheiro da camisinha já é uma eca, se é para por a boca naquilo eu prefiro deixar pra lá. Sinceramente. Mas é um risco; por mais confiável que seja o parceiro, se ele trepou com outra pessoa, pronto, estamos no terreno da incerteza.
    A B. está certa, a monogamia é mais segura, os dados do site português falam por si. Bom pra quem gosta, os demais que fiquem de olhos bem abertos.

  5. Sentimental disse:

    ah, lendo o comentário do Paulo Cesar, lembrei de um detalhe, uma coisa q sempre mantenho atualizada são meus exames, por isso tenho a liberdade de conversar sobre esse assunto com as minhas figurinhas, q também tem a mesma prática…
    bjs

  6. Sentimental disse:

    Julia, seja bem vinda. gostei do texto de estréia…

    bom, não uso camisinha pra fazer sexo oral e confesso q nunca tentei, só de pensar nessa possibilidade já me dá desânimo, e como oral é uma coisa q eu gosto prefiro nem pensar nisso. pra mim, dentro do ato sexual, sexo oral é uma coisa muito íntima, por isso reservo pros meus parceiros habituais ou figurinhas repetidas, aqueles com os quais rola uma cumplicidade mesmo e q posso confiar, tirando isso parto direto pros finalmente com camisinha e pronto.
    beijos

  7. Paulo Cesar disse:

    Ficando na parte do uso da prevenção, porque não compreendi direito qual foi o alvo do seu post, vivo sozinho, sou seletivo, conheço pessoas, não saio com mulher de programa, acompanhante, essas coisas. Perdi uma pessoa da família, com aids, e pude aprender que a loteria é perigosa. Ela não era promíscua. Mas quis no momento errado, posto que com o cara errado, qu de também não sabia. Pelo menos notificou assim. Pra mim ficou o pensamento do tempo do sofrimento, do tempo da solidão disposta sobre a solidão que já existia, do imenso sofrer físico e moral. Passei ao lado dela que, mesmo sendo minha prima, era minha irmã. Foi muita perda. meus cuidados redobraram. Agora é preciso conhecer bem a pessoa, ao ponto da amizade, ao ponto da confiança, ao ponto de fazermnos, juntos, um exame e, depois, nos sentirmos à vontade e fazermos um pacto. Ninguém precisa pactuar coisa alguma com ninguém. Contudo, aids é de verdade . Para todo mundo que conheço pertence á categoria das coisas que “nunca vão acontecer comigo”. Não tenho pressa. Prezo minha vida, porque é muito boa e cheia de alternativas. Não pretendo jogar nada fora sem pensar. Tem dado certo. Há 16 abis, Se for bom pra você…!

  8. B. disse:

    Quando disse:

    “Nem digo no caso da mulher para o homem, mas principalmente no caso do homem para a mulher.”

    Me referi ao fato que é possível uma mulher sempre fazer sexo oral em um homem usando preservativo, é possível haver este trato entre os amantes. Já no caso de sexo entre mulheres acho realmente muito difícil…

  9. B. disse:

    Antes de tudo, Julia Reyes, seja bem vinda!

    Sobre o texto… Mea culpa aqui… Sou da turma que dispensa chupar bala com papel quando há intimidade e confiança no moço. E no caso das moças, as poucas, nunca usei nenhum tipo de prevenção. Acho neurose demais as instruções de usar aquele plastiquinho de embalar fruta ou mesmo cortar a camisinha ao meio. Definitivamente fazer sexo assim é muito sem graça. No caso dos rapazes, evito se estiver com aftas, mordidas internas, ou machucadinhos na boca (que não sou dada a eles)…

    É muito complicado isso, no caso de relacionamentos abertos então acho quase impossível existir algum controle. Nem digo no caso da mulher para o homem, mas principalmente no caso do homem para a mulher.

    O dados daquele site que você indicou são estarrecedores, eu não tinha noção mesmo. O que acaba levando a um outro questionamento. Não seria a monogamia sem dúvida mais cahata, mas também mais segura? Ôoooo semgraceza… risos

    Da minha parte aqui, o que posso fazer apenas para prevenir é manter o meu número de parceiros extremamente reduzido, já que monogamia e solteirice não combinam, continuar usando preservativos para os intercursos sexuais completos e cruzar os dedinho cada vez que for agraciar o outro com um blowjob caprichado, homem ou mulher.

    Mas que o texto me fez pensar… ah fez!

Trackbacks/Pingbacks


Deixe uma Resposta

Sobre o A Vida Secreta

Entretenimento, informação sobre sexualidade, erotismo, comportamento. Sexo levado a sério, de forma direta e leve para promover a qualidade de vida e respeito à diversidade humana através da sexualidade plena e responsável.

Desde 2007 ajudando a tirar as tarjas pretas do mundo.

Sexualidade e Erotismo no e-mail.

O boletim secreto é nosso boletim mensal, um resumo do melhor sobre sexualidade, erotismo e comportamento no A Vida Secreta e no mundo. Para fazer parte da lista mais bem informada e sexy da internet adulta, clique aqui.

Direitos de Uso, Copyright e Propriedade Intelectual

O conteúdo do site A Vida Secretaé licenciado em uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.

Isto significa que você pode replicar ou compartilhar o conteúdo feito pela equipe do site (não inclui colunistas e colaboradores convidados), desde que cite a fonte, coloque link para www.avidasecreta.com, compartilhe seu material nos mesmos termos e não tenha fim comercial.
Se você quer usar para algum fim comercial - mesmo que o blogue de sua empresa, entre em contato conosco para licenciamento ou http://www.avidasecreta.com/parcerias/.

Qualquer dúvida, entre em contato conosco.

Seja responsável!

Somos contra a pedofilia e a intolerância sexual, religiosa, social ou racial. Fique esperto!

Pedofilia e discriminação não!

Clique aqui para denunciar.