“Pan o que?” Pansexualidade! Este texto do Mr. B, responsável pelo maravilhoso Homographix, ajuda a entender o que pra muitos não tem definição. O texto debate temas tabus como diversidade sexual, o mito da monogamia e, sobretudo, nos ajuda a entender que as formas de vivenciar a sexualidade, que é tão diversa quanto a diversidade humana. Espero que gostem!
Pansexualidade
Autor: Mr. B
O dicionário nos define a pansexualidade e o pansexual como sendo uma pessoa que exibe ou sugere que a sexualidade tem muitas formas, objetos e apresentações; uma pluralidade da expressão sexual humana. Até há alguns anos a definição de gênero era uma definição simples e dualista: homens e mulheres compunham a espécie humana. Os papéis e as posturas sociais de cada gênero eram muitíssimo claras e definidas. Com o avançar do Século XX e, mais ainda, com o início do Século XXI, uma nova visão sobre os gêneros e a sexualidade humana aflorou e veio confrontar a instituição moral vigente na sociedade. Os principais tabus que sustentavam o Patriarcado há dez milênios caíram por terra desde os anos ’60: monogamia quer dizer o que mesmo? Os gêneros humanos se multiplicaram frutos de uma nova consciência sobre a própria sexualidade e frutos da tecnologia aplicada. As formas de relacionamento assumiram, formas e facetas plurais e fluidas. Como resultado desta mudança, emergiu o conceito da pansexualidade, múltipla e mutável e, em última análise, tão diversa quanto diversos são os indivíduos humanos.
Vivemos uma era pós penicilina, pós pílula, pós liberação da mulher, pós liberação gay, pós AIDS e pós Viagra. Todos os tabus possíveis de serem superados em relação ao sexo já o foram ou têm possibilidade de o serem. Isso quer dizer que cada qual pode, se quiser, viver plenamente sua própria sexualidade seja ela qual for e se não o faz, está apenas perdendo seu tempo. No entanto, vivemos igualmente uma época em que há uma super-estimulação sexual que nos é imposta pelos meios de comunicação e pelas campanhas de marketing. O Marketing usa atualmente o desejo pela realização sexual para impulsionar suas vendas e desta forma é a única força que atrapalha a plena realização da mesma. Se por um lado a monogamia heterossexual nos é apresentada em todos os filmes, em todas as novelas e em todas as campanhas publicitárias como sendo a forma “normal” e “correta” de relacionar-se, por outro lado, somos bombardeados com infinitos apelos sexuais que nos lembram das possibilidades inúmeras de realizações alternativas ao bom e velho esquema “papai-mamãe”. Este parece ser o paradoxo da sexualidade deste início do Século XXI.
O Mito da Monogamia
Vange Leonel nos escreve em artigo publicado pelo Mix Brasil: “A natureza é promíscua e a monogamia é uma invenção dos ciumentos“. Resumindo bem, é esta a conclusão a que chegaram David Barash e Judith Lipton, um ornitólogo e uma psiquiatra, casados há 25 anos. Os dois escreveram, a quatro mãos, o livro ‘O Mito da Monogamia’, que foi bastante comentado nas páginas científicas dos jornais e revistas desde que foi lançado no ano passado nos Estados Unidos. Os autores, depois de recolherem evidências irrefutáveis em todo o mundo animal, descobriram que a monogamia é raríssima na natureza.
Os cientistas já sabiam há muito tempo que os mamíferos, em geral, não são chegados a arranjos monogâmicos. Porém, sempre se pensou que as aves e os seres humanos eram únicos nesta escolha por um parceiro exclusivo. Mas, com o avanço dos exames de DNA, ornitólogos do mundo inteiro perceberam que, apesar das aves formarem casais monogâmicos “de fachada”, seus ninhos apresentavam filhotes de pais diferentes. A exemplo das aves, os seres humanos também fazem arranjos monogâmicos “de fachada”, mas são invariavelmente infiéis. O que se percebe nas aves, e nos seres humanos também, é uma monogamia social que não corresponde à verdadeira prática sexual que rola por baixo do pano. É então que surge o grande fenômeno clássico das sociedades monogâmicas de fachada: a pulada de cerca. Barash e Lipton relacionaram algumas estratégias usadas por vários animais para escapar da relação monogâmica e outras contra-estratégias usadas para impedir que o parceiro(a) pule a cerca.
A idéia de monogamia, real ou de fachada, está caindo por terra. Antigamente um relacionamento monogâmico era entendido como um casamento que duraria “até que a morte os separe”, seja por bem ou seja por mal. Hoje em dia a possibilidade de uma separação parece uma idéia natural e corriqueira. Ao observarmos o comportamento humano, tomamos consciência de que os relacionamentos tendem a ser muito mais “abertos” e até mesmo assumidamente poligâmicos do que imaginamos e isso é feito de uma forma assumida e consensual ou de forma velada e secreta (mas é feito!). Mas, afinal de contas, por que é mesmo que devemos privilegiar a monogamia? A principal razão é sempre moral, tendo como base a tradição judaico-cristã. Uma vez que esta tradição tem sido muitíssimo questionada e muitas vezes abandonada nos últimos tempos, na parece que haverá ainda por muito tempo razão alguma que imponha restrições à natureza humana.
A Diversidade Sexual
Mesmo se analisarmos os relacionamentos na questão de escolha de sexos, veremos que há uma variação enorme de condições sexuais humanas, tendo em vista que a homossexualidade tem conseguido um espaço crescente na luta por sua aceitação na sociedade. Há autores que chegam a afirmar que atualmente os gêneros humanos giram em torno do número de doze opções/condições sexuais possíveis. Sendo assim, teríamos os “tradicionais” gêneros masculino e feminino heterossexuais; os já usuais gêneros homossexuais masculinos e femininos (indivíduos que preferem o sexo com parceiros de seu mesmo sexo); os bissexuais masculinos e femininos (indivíduos que praticam sexo com ambos os sexos, indiferentemente), os transgêneros masculinos e femininos, pessoas com definições de gênero intermediárias entre os sexos (desde de transformistas e travestis, até transexuais que realizam a mudança completa de sexo); os inovadores FTMs (do Inglês: “female to male”, ou seja, mulheres que trocam seus sexos para se tornarem homens homossexuais) e MTFs (do Inglês “male to female”, ou seja, homens que trocam de sexo para se tornarem mulheres homossexuais), que apesar de transgêneros apresentam um comportamento totalmente diferente dos demais e, finalmente, os hermafroditas de ambos os sexos, que apresentam gônadas ambíguas ou híbridas (hermafroditas verdadeiros) e/ou genitália ambígua (pseudo-hermafroditas). Apesar dos sexos biológicos continuarem a ser somente dois, cada uma destas categorias inclui indivíduos com características físicas e psíquicas totalmente diversas das dos que se incluem nas demais categorias e, mesmo assim, há diferenças por vezes grandes entre um indivíduo e outro da mesma categoria, constituindo propriamente gêneros diferentes e não apenas variações de gênero. Frente a uma descrição deste tipo, onde vão parar os gêneros humanos duais?
Se a essas variáveis de relacionamento e gêneros, somarmos as variáveis em relação aos estilos de relacionamento, levando em consideração preferências tais como práticas sexuais não genitais, o sadomasoquismo, o fetichismo, o sexo tântrico, o onanismo, o voyeurismo/exibicionismo, o sexo virtual, o sexo cibernético e robótico e tantas outras possibilidades de relacionamento sexual inter-humano, chegaremos a uma variedade enorme de possibilidades de expressão sexual, criando uma situação que nos aproximará da pansexualidade. Pensando-se assim, podemos chegar a compreender que as expressões sexuais são tantas quantos são os indivíduos humanos estudos.
Para preservar o direito do indivíduo à sua própria sexualidade, foi criada a Declaração dos Direitos Sexuais. Durante o XV Congresso Mundial de Sexologia, ocorrido em Hong Kong (China), entre 23 e 27 de agosto de 1999, a Assembléia Geral da WAS – World Association for Sexology, aprovou as emendas para a Declaração de Direitos Sexuais, decidida em Valência, no XIII Congresso Mundial de Sexologia, em 1997.
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Felizmente cada vez mais pessoas estão desejando e lutando para serem felizes em todos os aspectos, e o sexual sem dúvida é primordial, é uma conta de poupança de subsidia vários outros aspectos de nossa vida. Quanto à vida a dois (3,4 5 etc), tudo o que obedecer ao previamente combinado entre os envolvidos, vale para aumentar esta poupança.
Abraços a todos
Perfeito, estou maravilhado com o site. Parabéns e obrigado pelos esclarecimentos.
“de fato monogamia é um conceito moral que contraria as leis da natureza”
conceito moral que tem que ser vencido, espero nesse século :)
Vou caçar esse livro para ler. Adorei o texto.
A verdade é que algumas pessoas mantem um relacionamento monogamico por conviniencia, enquanto que outras o vivem com sabor e prazer. Existem pessoas e pessoas.
Eu sempre mantive um relacionamento monogamico e o fiz tanto pq a pessoa que está ao me lado se sente melhor assim e porque eu não me vejo necessitado de dar a famosa “puladinha de cerca”.
Tudo é mediante a consciencia e a intimidade do casal. Eu tenho amigos que mantiveram um relacionamento a três por muitos anos, só terminando quando se casaram. E eles achavam a coisa mais normal do mundo. E QUEM DIRIA QUE NÃO É NORMAL?
Gostei muito dos post :)
Vou catar o livro, parece muito interessantte :)
Beijão!
Oi B
Aoas poucos a vida vai voltando ao normal dentro do possível. Bem adorei o post, de fato monogamia é um conceito moral que contraria as leis da natureza e de uma forma ou de outra o ser humano dá um jeito de resolver o problema (risos.
E sobre a diversidade sexual penso que cada um deve viver a sua sexualidade como melhor lhe aprouver, sem preconceitos ou imposições, o que importa é mesmo o que dá prazer a ele e ao outro e ninguém tem o direito de julgar as opções sexuais de ninguém até porque “de perto ninguém é normal” (risos)
Aproveito para recomendar a revista Mente e Cérebro da editora Duetto que fez uma publicação especial sobre sexualidade em 4 números com opiniões de especialistas que falam sobre a complexa e maravilhosa sexualidade humana.
Beijos
Demais esse post! Parabéns aos dois, B. e Mr.B. (ai que fofo!)
É muito importante deixar claro que não são só algumas as diferenças que devem ser aceitas entre os homens, mas sim todas as que não façam mal a nenhum outro ser. Adorei ler aqui um texto sóbrio e claro a esse respeito.
Beijo, B.!
queria ser o primeiro a parabenizar essa boa ação quem tem feito… muito esclarecedor…
bjs