Seção | Sexualidade

Minha experiência à três

Júlia é uma leitora que chegou aqui graças ao post sobre sexo a três, que estava linkado no Uva na Vulva. E inspirada pela atmosfera intimista d’A Vida Secreta, resolveu partilhar conosco sua história um tanto inusitada. Vale ler o texto completo e refletir.

Sempre tive a fantasia de sexo á três. Mas pensava que nunca iria realizar, afinal de contas, jamais teria coragem de propor isso a alguém. Também tinha medo de doenças, e nunca iria procurar em casas de swing ou garotas de programa. Eu imaginava, caso rolasse, que seria com um parceiro fixo e uma convidada. Na minha fantasia, éramos meu parceiro, eu e outra garota.

Foi quando conheci o Luís. Eu trabalhava em um escritório no centro de São Paulo, e o conheci através de um colega de trabalho enquanto tomava umas cervejas com outras amigas de lá. Estávamos conversando quando o Marcelo chegou e nos apresentou seu amigo. Eu já tinha ouvido falar nele, pois tinham uma banda de rock, e sabia também que ele era casado, e o Marcelo sempre comentou que a mulher dele era muito bonita, porém muito ciumenta. Naquela noite conversamos muito, e durante a conversa, enquanto falávamos de sexo, coisa e tal, acabei falando da minha fantasia. Ele ficou interessado, e disse que sua mulher também tinha vontade, mas nunca tinham encontrado alguém, na verdade nunca haviam procurado. A principio eu não acreditei e achei que era xaveco mais idiotas possível, daí ele disse para eu o adicionar no orkut, ver a foto da mulher dele, e se eu gostasse, que dissesse, caso resolvesse realizar minha fantasia. Naquela noite também acabei beijando o Luís.

A princípio não trocamos telefone nem nada e no dia seguinte, no trabalho, o Marcelo veio me perguntar se eu queria o telefone dele, eu disse que não pois não queria encrenca com homem casado. Para encurtar um pouco, o Luís acabou me adicionando no orkut, vi as fotos da mulher dele, mas não gostei e disse que não queria nada com ela. Tivemos alguns encontros depois disso, e comecei a gostar dele. Era um cara divertido, inteligente e carinhoso. Certo dia me convidou para assistir a gravação do cd da banda em um estúdio perto da casa dele. Perguntei se a mulher iria, ele garantiu que não. Chegando lá ele disse que ela tinha resolvido ir e eu fiquei apavorada, com um misto de ciúme e medo, pois achei que iria dar na cara que estava saindo com o marido dela. Combinamos de dizer que eu estava junto com outro cara da banda, o único solteiro.

Quando Luiza chegou fiquei encantada. Os cabelos longos e molhados, estatura baixa e seios fartos, a pele mais macia que eu já tinha visto e um sorriso lindo e doce. Conversamos durante toda a gravação, e mal prestamos atenção nos meninos. As idéias dela batiam com as minhas, tínhamos muitas coisas em comum. Eu não havia percebido, mas havia me apaixonado naquele momento. Mesmo assim ainda não tinha decidido que queria transar com os dois, e foi quando o Luís me ligou numa noite de sábado, escondido de Luiza, e combinamos tudo: iríamos a uma balada gls e ele diria a ela para me chamar. Fez com que ela me ligasse e me convidasse e como eles não conheciam nenhuma eu escolhi o lugar. E foi lá que babei a noite inteira por ela, e quando ele foi ao banheiro eu beijei Luiza. Também queria beijar o Luís, e também queria tudo o que viesse naquela noite. Saímos da balada e no caminho decidimos ir a um motel. Foi muito gostoso, foi uma sensação de outro mundo pra mim. Um misto de estar fazendo coisa errada, mas que me dava muito prazer e era excitante.

O que era pra ser a realização de uma fantasia sexual virou um relacionamento á três, eles tiraram as alianças de casamento e substituíram pelas de namoro. Éramos o trio mais comentado do círculo de amigos. Desfilávamos juntos para quem quisesse ver, alguns admiravam, outros achavam estranho e todos sempre perguntavam como a gente se entendia na cama. Alguém chegou a me perguntar se enquanto estava com um deles o outro esperava do lado de fora do quarto a sua vez…

As pessoas não entendiam que éramos normais, a diferença estava apenas na quantidade de pessoas, não formávamos um casal socialmente aceito, nossas famílias, exceto a do Luís – ele contou para os pais – não sabiam de nada. Como eu moro com meus pais, disse á eles que a Luiza era irmã do Luís.

No começo transávamos todos os dias, saíamos todos os finais de semana, nos falávamos o tempo todo. Era pura paixão e excitação. Transpirávamos tesão e nos sentíamos felizes. No começo rolou ciúme, de todas as partes, mas eu era o centro das atenções, e muitas vezes me sentia disputada, sufocada, e não gostava.

Com o tempo as coisas com o Luís foram esfriando, e eu não queria mais ficar com ele. Brigávamos o tempo todo por causa do ciúme dele que era demasiado por mim. Muitas vezes não via Luiza por conta disso, já em outras saíamos eu e ela, e nos divertíamos bem mais, fazíamos planos de morar juntas.

Mas Luiza, embora ameaçasse nunca se separou de Luis, mesmo com minhas promessas de ficar com ela, de casar com ela. Num certo dia, depois de uma briga feia o mandou embora, mas ele fez com que ela voltasse atrás e desse outra chance. Quando fui comunicada não gostei e disse a ela. As brigas com Luís continuaram, até que em uma delas, durante uma troca de acusações, ele contou a Luiza como tudo havia começado.

Eu e Luís tínhamos combinado de não contar a ela que havíamos saído antes do dia da balada onde tudo começou, para que ela não ficasse chateada com ele. Foi horrível vê-la chorando e olhando para mim com a maior decepção.

Naquela noite terminei com Luís e fui a um bar com Luiza para conversarmos. Entre explicações e lágrimas, acabei explicando tudo, ela entendeu e resolvemos que iríamos ficar juntas. Pedi a ela que pensasse se queria continuar com Luís, pois eu não queria mais, só a ela. De novo não aconteceu. Fiquei um tempo sem ver o Luís, ele me ligava pedia perdão e que eu voltasse. Tentou se matar uma vez e foi um pega pra capar. Resolvi dar outra chance a ele, mas fiz por Luiza, e voltamos. Mas dessa vez não durou muito.

Num domingo saí de casa e não avisei a eles. O Luís ficava me ligando o tempo todo, eu não atendia. Quando voltei pra casa ele estava lá, com meus pais e chorava muito. Dizia a minha mãe que eu estava sendo insensível com ele, que ele não entendia o porquê e dizia que estava tudo bem entre nós.

Eu me recusei a falar com ele na frente de meus pais, até mesmo porque tinha medo que ele contasse a verdade. O levei ao quintal e lá disse que não queria mais nada. Ele foi embora e nunca mais o vi. E nunca mais vi Luiza também. Apenas falei com ela por telefone e trocamos alguns emails, os meus muito indelicados por sinal, ela não merecia. Nunca terminei com Luiza oficialmente, se posso assim dizer, nunca disse a ela o que me levou a fazer isso.

Um tempo atrás mandei um email dizendo que ainda a amava e pedi outra chance, mas ela, separada do Luís, já estava namorando outra garota e foi direta quando disse que não deixaria sua nova namorada para ficar comigo.

Deixei que minha falta de amor por Luís sufocasse meu amor por Luiza, e também sabia que ela jamais o deixaria, pois ela mesma disse não ter coragem, e às vezes tinha dó dele, embora não quisesse sentir isso. Nunca consegui imaginar outro fim para nós que não fosse esse. Ainda hoje penso nela, lembro nossos momentos, mas nunca mais quero um relacionamento assim. Como dizia Cazuza: só se for a dois ou a duas!

* Há uma coisa boa entre eu e Luiza: ela disse que eu a ajudei a ver quem ela era realmente, e se descobriu! Nós três ficamos juntos um ano e cinco meses.

PS – Sei que antecipei a postagem desse conto secreto, mas é que estou com textos acumulados e quero dar a vez e voz a todos os leitores.

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Sobre B.

B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.

14 Respostas para “Minha experiência à três”

  1. lucas fusca disse:

    que historia … pena que vc nao ficou com a luiza …

  2. roberto disse:

    Fui convidado uma vez para fazer parte de um casal de namorados, ele e ela queriam um namorado. Nao fosse a minha ‘experiência’ (que experência? entende?) eu talvez teria me envolvido com eles. O fato é que eu sabia muito bem que quem podia acabar mal, muito mal nessa, era eu.Um estranho no ninho, ele e ela eram namorados, tinham tudo, pois tinham um ao outro.
    Ela me disse : “Você só tem a ganhar…”. Eu disse a ela: “Vocês tem um ao outro, eu sou um estranho”
    Quem será que poderia sobrar na ‘virada’? e depois fazer o que com os pedaços estilhaçados, incoláveis? hunf! sinto até hoje não ter participado, e dado uma chance para essa experiência que poderia ter sido ótima. Mas poderia ter me ‘matado’ tb.Nao suporto mais rejeição, e nao poderia ser abandonado numa dessas. Joguei na segurança e não me machuquei, graças a Deus, mas tb não vivi. Posso ter perdido uma grande chance. Mas,,, não quero pagar o preço da decepção, que já doeu muuuuito, por outros motivos, e o que nao desejo sentir nunca mais. Só digo isso: aos de coração forte: Siga em frente.

  3. Anny disse:

    Entendo que se já é difícil e complicado a relação que envolve duas pessoas, bem mais complicado a que envolve três. O romance a três tem regras e problemas específicos e é uma situação normalmente nova para todos. É difícil alguém entrar numa relação destas com vasta experiência! Então sempre haverá erros e acertos. Talvez até mais insucessos do que sucessos… Mas é assim que se aprende. Acabamos de aprender, se é que aprendemos, a lidar com as mudanças que surgiram com a regularização do divórcio acontecida no século passado. Tudo é um aprendizado. Não podemos taxar que uma relação a três nunca irá dar certo. Se você se vê numa situação destas, a idéia é relaxar, deixar acontecer é um bom conselho, mas é bom ter em mente que estar numa relação como essas requer muita análise e reflexão. As regras são novas, os jogadores inexperientes. Quer uma dica, em todas as situações e relacionamentos não há elo mais forte do que o respeito, o carinho e a vontade de fazer o outro feliz.

  4. vanessa disse:

    muito boa sua história, a gente aprende com os erros e com o tempo. nesses casos de trios as mulheres são bem mais generosas e pacientes que os homens.

  5. Dein disse:

    Faltou pouco para realizar o desejo de sair a três de um ex namoradinho. Depois de ler certos blogs…rs.. desisti…Mesmo pq, era alucinada por ele e não estava muito disposta a correr o risco de pagar altas “faturas”..rss

  6. Eu Mesmo disse:

    Julia, sua historia me deixou triste. Perder dois amores é muito doloroso.

    Beijos

  7. Lis disse:

    Fui hetero até ontem.

    Confesso que sempre senti atração por mulheres mas sempre reprimi, mas reprimi numa boa, sem que isso se tornasse um sofrimento. Achava meio dóido esse sentimento já que eu adoro e adorava homem. Até que este ano fiz a mim mesmo a célebre pergunta “E porque não?” Comecei então a explorar meus sentimentos e desejos e após um tempo cheguei a conclusão de que eu realmente me sentia sexualmente atraída por mulheres. E agora? Sempre fui hetero, só conheço hetero, só vou a lugares hetero? Nada mais me restava do que recorrer a internet. Entrei numa sala “lesbica e afins – Rio de Janeiro” e comecei a trocar uma idéias… Depois de um tempo sem ter contato com nada que me fizesse “sair do armário”, conheci um menina, e fiquei encantada. Como a conversa no chat fluía de forma tão carinhosa. Trocamos telefones, quando ouvi a sua voz meu coração disparou e estremeceu. Depois disso trocamos fotos o que me fez senti umá vontade insaciável de tocá-la, de abraça-la. Mas quando nós decidimos que iríamos nos encontrar ela explicou que o marido dela também queria paricipar, que era um voto de confiança e fidelidade entre os dois. Eu sabia que ela era casada mas em nenhum momento imaginei que na verdade ela estava me recrutando. Ela me pediu para dar uma oportunidade de conhecer o marido dela, o que recusei. Ele e ela começaram a me ligar e pedir para dar uma oportunidade de apenas nos conhecermos, sem compromisso. Um mês depois de muitos telefonemas e conversas no msn, acordei decidida e marcamos de comer uma pizza. A impressão que eu tive dos dois foi incrível, ela era linda e me olhava com um olhar penetrante que mais parecia estar me despindo – ele carismático divertido e muito agradável. Passamos horas conversando e rindo e eu acabei aceitando ir até o motel com a promessa de que ele não encostaria a mão em mim se eu não quizesse… Mas chegando lá eu quiz, quiz tudo! Confesso que eu “entrei nessa” por causa dela mas confesso que a noite a três se tornou a a noite de sexo mais linda, empolgante e marcante que tive em toda a minha vida. Ter ao mesmo tempo duas pessoas se dedicando a você para te dar prazer não tem explicação.
    Mas e agora? Não sei o que será daqui pra frente. Como é que vai ser? Por um lado eles são ótimos, me paparicaram a noite toda, fui tratada como uma rainha e acho que estou apaixonada pelos dois. Mas por outro percebi uma coisa que me causou medo – eu senti que um meio que disputava a minha atenção com o outro durante toda a noite.
    Estou me sentindo feliz, realizada mas caminhando no escuro…

  8. Kshimire disse:

    Legal esse post! Muitas pessoas (inclusive eu) fantasia milhões de coisas numa transa a três, sem imaginar que pode vir a tornar-se um relacionamento.
    Eu e meu esposo já pensamos milhões de vezes como seria ter uma terceira pessoa na nossa cama, mas quando finalmente tivemos a oportunidade de ter essa terceira pessoa, desistimos.
    Acho que por enquanto é mais seguro ficar no plano das idéias.

  9. Sentimental disse:

    Caramba.
    Já passei por uma situação parecida, lá em 95, mas nada muito intenso, eu e uma amiga nos “apaixonamos” por um carinha da escola e dissemos a ele, q aceitou numa boa namorar as duas, dividimos a semana e um dia ficávamos livres, foi legal, mas depois ficou chato, mas confesso, não passa nem perto do q rolou no texto.
    Enfim, ficando só na fantasia eu acho q dá pra ir longe, mas qndo passa a ter envolvimento o trem complica.
    beijos

  10. Cirurgião disse:

    só quero mesmo uma, pena que não seja qualquer uma. A dona do meu afeto, não correspondido tem nome, endereço e sobrenome.
    Mas gostei do conto, nem me imagino atualmente fazendo isso, mas já realizei essa fantasia quando era bem jovem, alías foi quando fiz a tatuagem que tenho. Foi nos Estados Unidos e as garotas eram de lá, boa época de estudante sem nenhuma preocupação a não ser curtir mesmo a vida!

    Abraços

  11. Fábio disse:

    Esse assunto eu só fantasio mesmo, não encontrei ainda duas mulheres (minha fantasia) que topassem, mas penso que se acontecesse seria só para realizar a fantasia mesmo, sem me envolver de verdade, em outras palavras ia querer usar e ser usado por elas, mas só isso. No mais prefiro no máximo ter uma outra mulher ocupando um espaço na minha vida, além da minha de fato (risos)
    Mas o conto é muito legal, dá o que pensar.

    Abraços

  12. Cláudia Motta disse:

    Olha a situação descrita é mesmo bem complicada, dá a impressaõ que o caso não era realizar uma simples, e na minha opinião nornal fantasia, mas viver um relacionamento a três com regras e nornas a serem cumpridas e acho que foi ai que o negócio desandou, o que era para ser aventura, fanrasia, virou um “casamento” mesmo que fosse a três.
    Gostei muito da forma que foi escrita, é clara e ao mesmo tempo trata com delicadeza de um assunto tabu o famoso Ménage a trois.
    Uma coisa eu posso assegurar; viver uma vida dupla já é absurdamente complicado, nem me imagino numa vida tripla.

    Beijos

  13. cris disse:

    É, baby, se a três já é complicado, imagina a quatro, a cinco, a seis…., como é o nosso caso. Quase impossível, alguém vai perder a vez.

  14. Bob disse:

    Nossa, fiquei quase atônito, nossa!! Que historia.

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