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O espelho tem duas faces
Tenho um amigo que diz: “Certos pecados não se devem confessar nem ao padre. Assistir BBB é um deles.” Bem, eu assisto, acho um barato ver o povo enjaulado, modificando seus comportamentos diante dos nossos olhares voyeuristas. Nem me imagino num BBB, detesto interagir com muita gente, de maneira forçada então, nem pensar. No entanto, tenho um prazer meio sádico em observar o que o ser humano é capaz de fazer por um milhão de reais.

Eu que sou uma BBB maníaca desde a primeira edição, admito que não há mais nada de autêntico ou natural nos que lá estão. O BBB há muito já deixou de ser um experimento, para ser uma novela, com personagens previamente garimpados nos milhões de inscrições. Possíveis personagens para óbvios conflitos. E esta edição em especial, seria a mais chata de todas, se não fosse o médico, futuro psiquiatra, Marcelo Arantes. “Mas o que isso tem com a vida secreta, B?” Tudo, mas eu explico.
Em uma oitava edição do programa, quando aparentemente já se sabem todas as manhas, o que dá e o que não dá IBOPE, o quanto evitar conflitos garante um segundo lugar mesmo não sendo um queridinho do público, aparentemente não haveria mais nenhuma novidade. Eis que surge um psiquiatra, doido (como todos os psiquiatras), homossexual, até então, enrustido, disposto a tirar não apenas a própria máscara, como mostrar que todos carregam as suas também.
O Louco - Gibran Khalil Gibran
Me perguntas como me tornei um louco…
Foi assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo
E notei que todas as minhas máscaras haviam sido roubadas
– As sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas.
Corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:
“Ladrões, ladrões…. Malditos ladrões!”
Homens e mulheres riam de mim e alguns corriam com medo para suas casas.
Quando cheguei à praça do mercado, um menino trepado no telhado de uma casa gritou:
“Você é um louco!”
Olhei para cima para vê-lo. O Sol brilhou pela primeira vez em meu rosto descoberto.
Pela primeira vez o Sol beijava meu rosto nu, e minha alma se encheu de amor pelo Sol,
E nunca mais desejei usar máscaras.
Assim me tornei um louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha própria loucura.
A liberdade da solitude e a segurança de não ser compreendido.
Pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
Pra mim, ele só errou na medida, afinal cada um tem seu tempo, tem o direito de usar ou não suas máscaras. Vivemos em uma sociedade bem hipócrita, que aceita um bando de coisa errada, mas que não admite outras que nem são tão erradas assim. A admissão de uma sexualidade não hetero é uma delas. A verdade, é que naquela falsa calmaria e harmonia, onde ninguém admitia jogar e eram todos amigos de infância, o médico retirou a fórceps de cada um seus companheiros confinados reflexões sobre o que são ou não são.
A manipuladora com complexo de vítima (Thalita), o machista folgado (Fernando), a lésbica mal resolvida (Thaty), a cordeirinha sob pele de loba (Nathalia), o bonzinho que evitava conflitos (Felipe), a Santa do Pau-oco (Juliana), o falso-feliz e banana (Marcos), o cara safo e bon-vivant (Rafinha), a indecifrável esfinge por conveniência (Giselly) e ele mesmo “um espectro sexual”, segundo o próprio. Só ficaram livres os que saíram logo, como Jaque, Alexandre e Galego (por sinal objeto de desejo não assumido do médico enquanto esteve na casa) ou Bianca que, extremamente bem resolvida, nunca deu margem a qualquer buxixo. Cada um com a sua máscara. Lado A ou Lado B? Depende de quem vê.
Não sei se ou outros participantes saberão valer-se desse confinamento para rever seus conceitos e preconceitos, mas certamente Marcelo Arantes não será mais o mesmo, e nem o que resta naquele BBB 8. Segue abaixo trechos da entrevista dele ao EGO:
Você não se interessou por nenhum homem dentro da casa?
Teve um homem que me atraiu ali, mas não vou citá-lo. Ele tem opção heterossexual e sei que vou constrangê-lo. Ele saiu no começo do programa. Evito falar o nome porque quero ter um vínculo de amizade e numa sociedade conservadora como a nossa, posso prejudicá-lo.
Como fica a sua sexualidade agora que se descobriu apaixonado por uma mulher?
Eu falo disso muito abertamente. Quando Bial (Pedro) me perguntou se eu era bissexual, eu disse que sim e afirmo categoricamente. Mas, na véspera do paredão, na segunda-feira, 3, fiz uma ironia e disse que ‘estava hetero’. Para mim, sexualidade não é tabu. Encaro da forma que vier. Me interesso, sim, por pessoas interessantes, sejam elas mulheres, homens. Mas sempre uma pessoa de cada vez. (Risos).
Taí, gosto do cara. Aliás, mesmo antes de sabê-lo bissexual (coisa que eu acho muito legal), Marcelo foi o único homem daquela casa que eu daria pra ele… risos. Se ele quisesse comer, lógico! risos.
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Este post foi arquivado sob as tags amor, BBB8, Bianca Jahara, bissexual, Homens, homossexual, lésbicas, Marcelo Arantes, Marcelo BBB 8, Mulheres, Sexo e Sexualidade, vida
8 Comments
Oi B. Eu não vejo de verdade o BBB, então sobre isso não posso opinar. Mas quanto as máscaras é uma verdade, todos nós temos muitas e escolhemos qual usar para cada ocasião, afinal a sociedade e a educação exigem isso de nós. Se observarmos crianças podemos ver que elas não usam ” a princípio” máscaras e por isso dizem coisas que muitas vezes nos desconcertam. Aprendemos com o tempo a usá-las e existem pessoas que conseguem fazer desse artifício uma verdadeira arte. Mas é muito bom quando podemos encontrar pessoas com quem podemos deixar as máscaras bem quardadas e usar somente o que somos. Acho que as máscaras nos dão uma certa segurança e por isso as usamos, tirar por um lado nos deixa inseguros, mas por outro de fato nos faz bem, faz com que vivamos mais intensamente. E quando encontramos pessoas ou pelo menos uma com quem podemos não usar nenhuma máscara, gosto de dizer que essa pessoa me faz bem e vale a pena me “despir” integralmente para ela rsss
Olá…no fundo eu também gostava do Marcelo. Tinha suas posições. Eu acho que o preconceito das pessoas falou mais alto, como sempre.
Se cada um vivesse sua vida!!!!Ah que bom seria. Beijos
Consegui não assistir esta edição do BBB. Menos um drama que não me interessa pra prender a minha atenção. BBB é que nem droga, é só começar a assistir que a gente vicia, só não vicie desta vez pois fiz questão de não assistir e nem me inteirar sobre o ocorre lá. Assim não posso comentar sobre os “personagens”. Mas quanto as mascaras, sou da mesma opinião da Claudia, elas são necessárias e as considero essenciais para a perfeita harmonia de uma sociedade grande, onde naturalmente irão conviver pessoas das mais diversas possíveis.
Minha querida,
Sobre o referido programa é lógico que não posso opinar porque não o vejo, mas sobre a questão das máscaras posso dizer que se tenho alguma será por ter que ser duas numa porque considero que em sociedade não posso mostrar-me em toda a plenitude mas apenas nesse aspecto.
Quanto ao referido senhor de que falas, gostei dele sem o conhecer sequer só pelo facto de me parecer uma pessoa que sabe o que quer e o assume despudoradamente.
Beijinhos com ternura
Caramba!
Que cara gostoso!
Vejo as vezes o programa e nas vezes que vi, o Marcelo sempre chamou mais a atenção por ser autêntico e fazer com que os outros se revelassem. Acho que ele foi o “sal” desse programa insosso.
Beijo do seu amigo do extremo sul.
Qual é o seu msn e orkut marcelo??
“UMA PESSOA DE PERSONALIDADE FORTE NÃO É AQUELA QUE SAI QUEBRANDO TUDO POR AÍ E FALANDO O QUE VEM À MENTE AO MENOR ALARDE, MAS SIM AQUELA QUE SABE LIDAR COM EQUILÍBRIO E FIRMEZA EM MEIO AS MAIS VARIADAS SITUAÇÕES”
Eu concordo que em relação ao Marcelo (ex-BBB8) o que todo público quer e espera dele agora (principalmente aqueles 71% que rejeitaram as suas atitudes agressivas) é que ele se retrate e seja transparente e que haja consistência em suas declarações daqui para frente, o que esperamos é que ele não procure mudar o foco das perguntas para o outro lado, pois ele deve desculpas ao público brasileiro pelo tom agressivo que usou quando na casa, pois a desculpa de que ele agiu daquela forma por estar sobre pressão não está sendo aceita, pois os outros estavam igualmente sob a mesma pressão psicológica que o confinamento produz e nem por isso agiram daquela maneira descontrolada. Aquele tom usado por ele feriu não somente os seus companheiros de confinamento mas todo o público que assistiu, causando um profundo mal-estar. Ele deve ser bem convincente em suas declarações daqui para frente, lembrando sempre que cada ação gera uma reação, seja positiva ou negativa. O Marcelo diz ser provocador, mas na maioria das vezes com uma provocação aflora uma série de atitudes desagradáveis e negativas que ao invés de surtir o efeito desejado pioram ainda mais a situação e em meio a esse fogo cruzado de palavras e ofensas se machuca a outra parte abrindo feridas que demoram para cicatrizar – o bom mesmo é ser pacificador – com esta atitude resolve-se as questões sempre da melhor maneira, a pessoa ajuda e se auto-ajuda! Acho que com essa coisa toda que o Marcelo criou ele está querendo levantar uma bandeira muito pesada para ele próprio carregar!
Ronney Mattos Albuquerque
Rio de Janeiro, RJ
e-mail: ronneymattos@yahoo.com.br
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