A VIDA SECRETA

Lésbica, eu?!

Oct 31st 2007
8 Comentários
Opine!
trackback

Este é um dos posts que estão guardados há muito tempo. Aliás, fui atualizando este post ao longo de meses, muitas vezes. É quase tão antigo quanto O Cu - Dor e prazer, o post mais lido deste blog.

De todos os meus desejos sexuais, o que até hoje ainda me traz algum incômodo, e não pela sensação, mas pela carga moral que traz em si, é o meu desejo por mulheres. Poderia até ser o BDSM, mas não é, apesar de manter também alguma reserva quanto a isso. Cresci ouvindo dizer que mulher com mulher dá jacaré. Alguém quer ser jacaré na vida?! É até engraçado, pois tal exercício neurolinguístico é imposto pelos mesmos que nos indicam que meninas só brincam com meninas. Complicado…

Já comentei aqui que, pra mim, a heterosexualidade é uma condição social? Se não comentei, comento agora. Acho que o sexo é natural ao ser humano, seja solo, homo, bi, hetero, para a procriação ou unicamente pelo prazer. O ser humano é um ser sexual. Eu aprendi a me masturbar sozinha, e o fiz por acaso e repeti porque senti prazer, só isso. Nos disseram que ser hetero é ser normal e nós acreditamos, mas… Será que é mesmo?

Por anos a fio, eu devo ter sublimado um desejo sexual por mulheres, porque aceitar este desejo lésbico seria me submeter a julgamento e condenação no tribunal da minha consciência. Aliás, é algo tão interessante esta auto-censura, que mesmo hoje eu percebo que quando penso em sexo, a imagem que me vem à mente é homem/mulher. No entanto, agora a pouco eu li um texto tão lindo no Entremeado, tanto lirismo e beleza num texto homossexual, que me estranha eu ter algum sentimento de estranheza.

Até atentar para o fato que uma mulher poderia ser provada, o corpo feminino me era quase indiferente. Estive na cama muitas vezes a três (eu, uma amiga e um homem), acreditando que tudo era permitido, menos tocá-la ou aceitar a carícia. Tanto, que sequer cogitava a hipótese e era bom como rolava. Contentava-me, era quase natural, mas veja bem… Quase.

Lembro que uma noite eu tive um sonho. Em um passeio com amigos, em determinado momento, cansados da caminhada, tirávamos nossas roupas e mergulhávamos nus em uma cachoeira que formava um lago de água muito gelada. Sol e corpo quente, o mergulho naquela água era algo insano e ao mesmo tempo delicioso. Lembro que os mamilos enrijeceram e minha primeira reação foi cobri-los. Eu não sei se por vergonha, havia homens e mulheres, ou por frio. No entanto, percebi que uma das meninas da excursão me olhava diretamente nos seios, não com curiosidade, mas desejo. Aquela sensação, de objeto de desejo feminino, me esquentou as entranhas, como se contra todo aquele frescor externo lutasse um rio quente dentro de mim. Os grupos de conversa e brincadeiras começaram a formar-se e ela se aproximou de mim. Eu apesar de levemente constrangida, estava sim, muito mais desejosa. E então, naquelas situações em que só os sonhos são capazes, eu, que jamais havia tocado ou sido tocada por uma mulher, senti o corpo daquela estranha se aproximar do meu sob a água. Senti suas mãos me explorar o corpo, sem fazer nenhuma resistência, muito pelo contrário. Sem nenhum pudor me pus a acariciá-la também. E então, pela primeira vez eu senti a maciez de um seio feminino em minhas mãos, a rigidez do mamilo, e quando enfim ofereci a boca… Acordei.

Sei que o relato do sonho acima pode parecer historinha, mas não foi. Eu acordei ofegante e de lábios úmidos, mamilos túrgidos e xota melada. Masturbei-me como louca. Gozei um gozo intenso que parecia não ter fim, pois eu gozava e continuava me tocando, gozava de novo e mais uma vez… Levantei-me da cama e fui escrever o sonho, sempre tive esta mania. E eventualmente, quando eu relia aquele sonho, me masturbava. A princípio com alguma culpa, mas depois só com desejo.

Quando Antonio (o italiano) me fez a proposta, que eu me relacionasse com uma mulher, eu apenas legitimei meu desejo. Podendo enfim desejá-lo, sob a desculpa de estar saciando o desejo do meu homem. Só que não aconteceu assim. Minhas buscas acabaram sendo íntimas e pessoais. Nunca realizei com ele a tal proposta, no entanto, foi a partir dele o start pra tudo. Hoje não nego o desejo, mas percebi que nunca me envolvi com uma mulher ao extremo da paixão apenas eu e ela. Ainda que acredite ser possível, mas até hoje sempre aconteceu de rolar em trios. Às vezes acho que foi a minha maneira de fugir do comprometimento. Pode parecer, pela maneira que falo aqui que sou uma grande expert em mulheres, mas não sou. Salvo uma deliciosa relação real com a T. e o marido, algumas brincadeiras virtuais (com a B. e a P.) e a minha participação em trios (inclusive também, sendo a terceira uma profissional), a minha única grande paixão lésbica que vivi foi por um hermafrodita virtual na internet, que até hoje não tenho a certeza se era ele ou ela (os indícios me levaram a crer que era um homem passando-se por uma mulher). Vejam só…

Tá certo que eu não sei se aguentaria uma outra TPM no mês. E pior, que não seja a minha. Ou o controle, os joguinhos e estratagemas típicos que só o sexo feminino é capaz. No entanto, não há como negar as sensações do feminino em mim. A boca que vem com tanta suavidade em meu corpo, os seios que ao roçar nos meus causam um arrepio indescritível. Os dedos que instintivamente sabem descobrir meu ritmo e intensidade até o orgasmo. E sabor?! Ah, o sabor… O sabor de uma mulher não tem igual. Só depois de provar uma mulher eu entendi a paixão e o fascínio que os homens tem por nós.

Certa vez na terapia, minha psicóloga perguntou por que eu, uma mulher tão desencanada sexualmente, não me permitia viver uma paixão e relação homossexual e a minha resposta foi: “Medo!” E como todo psicólogo ela repetiu em pergunta: “Medo?” E então, pela primeira vez eu assumi que a minha resistência, não era pelo medo de gostar da situação e enfim assumir-me lésbica, mas sim pela possibilidade de não gostar tanto da relação quanto gosto do sexo sem comprometimento. E assim, ter que reconhecer minha completa inabilidade e falta de traquejo em qualquer relação. Seja homem/mulher (sim, tirando a cama, sou um desastre) ou mulher/mulher. Já pensou?! Lembro bem dela rindo e dizendo que qualquer relação é complicada, seja homo ou hetero, de amizade ou fraterna. Acabei sorrindo também.

Isto ou aquilo… Só sei que é complicado pra mim. Aceito o desejo, aceito o prazer, mas só aceito o momento. Felizmente hoje a bissexualidade é mais aceita. Principalmente a bissexualidade feminina. Caiu por terra o estereótipo que mulher que gosta de mulher tem que ser machona. E mesmo que seja, pra cada tipo de expressão tem seu par. Eu prefiro mulheres inteligentes e sexies. Alguém que atice meu desejo antes, me seduzindo a mente, e que me realize durante, me seduzindo o corpo…

Lésbica, eu?! Quem sabe… Eu nunca digo nunca! Por enquanto, e já é coisa pra caramba, só assumo que gosto de meninos e meninas. De maneiras diferentes, mas em igual intensidade. Só o tempo me trará respostas, ou não…


E se você gostou deste, talvez goste também destes abaixo

Produtos Relacionados no Submarino ou na Amazon

Leitores do A Vida Secreta e empresas que gostaram do que leram, viram e ouviram, podem fazer uma doação e ainda ganhar um link, para o site que quiser, por três meses. Saiba mais, clicando aqui.

Links Comprados Recentemente

Não foram comprados links nos últimos 30 dias. Seja o próximo!

Compre um Link no A Vida Secreta!

USD

A Vida Secreta

Este post foi arquivado sob as tags , , , , , ,

8 Comments

  1. O que é ser homossexual afinal de contas ? Ou mesmo bi?
    Meus amigos não sabem quem eu realmente sou.O que realmente penso.Me sinto mal por mentir.Por usar uma máscara.
    Me identifiquei mais do que nunca com o seu texto B.
    Gay, eu ? rssr
    Talvez para a mulher seja mais “fácil”, não sei. Mas para os homens ainda é difícil.Por mais que digam o contrário o machismo ainda é grande.E no fundo até eu sou machista e talvez preconceituoso comigo mesmo.But, tenho vivido a vida um dia de cada vez, sem me preocupar em tentar entender as razões do grande destino.Tenho medo de me envolver com um alguém, seja homem ou mulher.Normalmente começa e acaba no sexo.E nada mais.
    Gostei do Post, a questão levantada nele vem me assombrando há quase três anos rsrs.
    Beijos B.
    Te adoro. ;)

  2. “Caiu por terra o estereótipo que mulher que gosta de mulher tem que ser machona”

    Eu, provavelmente, não tenho absolutamente nada de machona..rs…(tenho?), mas sou bissexual. Contrário de vc, todas as vezes que me relacionei com garotas, foi porque curti uma apaixonite…. nunca me relacionei apenas por sexo..

    Acho que cada dia mais as pessoas vão desmitificar essa questão da bi e homossexualidade. Eu não estou nem ai se sou isso ou aquilo, mas me permito ser honesta comigo quando vejo uma garota que me interessa. Nunca deixei de fazer as coisas por medo social. Acho que por isso tomei tanto na “cabeça”…rs.

    beijo.. belo post

  3. Tive um sonho assim no ano passado. Se quiser conferir, acabei de republicar.

    beijo

    (eu penso que sou movida pelo desejo)

  4. N.

    B, pra que se preocupar em definir se você é hétero, bi, ou o que quer que seja? Você é uma pessoa com interesses sexuais e que deixa se levar por eles em vez de se prender a condições sociais. O que têm as outras pessoas a ver com isso? E de mais a mais, nada impede que você apenas faça sexo com mulheres e tenha relacionamentos amorosos/sexuais com homens. Você acha que não aguentaria TPM’s e as coisas tipicamente femininas, então deixe-se levar só pelo sexo. Se acontecer de você se apaixonar por uma mulher, aí sim você pensa em ter que assumir alguma coisa. E pelo que deu pra conhecer de você atraves daqui, tenho certeza que você teria coragem de sobra pra assumir.
    Beijos!

  5. Fez uma viagem sensacional pelos menadros de sua consciencia.

  6. laila

    b., venho aqui vez por outra, mas nunca comentei. talvez por timidez, vá lá. esse teu post bateu fundo hoje, pelo momento em que estou vivendo. um casamento morníssimo, um desejo por meninas sufocado há anos [tive umas duas experiências, a última devastadora] e a certeza de que nada de interessante iria me acontecer daqui pra frente. pois eis que, numa viagem curta, reencontrando uma amiga alguns anos mais nova, me vi diante de um momento daqueles que não dá pra fugir. ficamos juntas, mas foi a primeira vez dela e não sei como ela vai reagir daqui pra frente. e tem a distância. por mim mudava pra são paulo e jogava tudo pro alto pra ficar com a minha linda. mas não dá. por via das dúvidas, vou recomeçar a análise. estou no meio do furacão. concordo com a opinião expressa na maioria dos comentários de que a gente não precisa assumir nenhum papel obrigatoriamente, seja ele hétero, bi, ou homo. eu acredito que a sexualidade humana é aberta e que os papéis são impostos de fora. alguns conseguem romper a barreira e vencer as imposições. sempre achei que gostar de meninos e meninas era uma enorme vantagem e, se me senti culpada algum dia na vida, foi por um breve momento. desculpe o desabafo, mas teu post me fez viajar. um beijo grande. [p.s.: vou voltar]

  7. Que maravilha.. até o seu subconsciente é explicito eheheh

    Bjos…

Leave a Reply