Há mais de vinte anos atrás…
Bate-papo entre amigas sexualmente ativas:
-Ei que anti-concepcional você toma?
- Olha, eu não estou saindo com ninguém… Não estou me entupindo de hormônios sem necessidade, só camisinha mesmo. Vai que pinta um clima?
- Ah, eu tomo “wxyz”, a fulana me indicou é ótimo! Além do mais, se o carinha ver que estou com camisinha na bolsa vai pensar que eu sou galinha.
- Ah, dane-se o cara, que pense o que quiser, eu só não quero filho. E essa coisa de “fulana” indicar pílula é furada, hein… Vai engordar igual uma porca. Foi no ginecologista?
- Nem morta, pra minha mãe saber? Pra ela eu ainda sou moça…
Lendo o diálogo acima dou um suspiro desconsolado. Felizes os tempos em que as únicas preocupações de uma adolescente sexualmente ativa era simplesmente não engravidar ou a mãe descobrir. Hoje, em tempos que uma primeira relação sexual desprevenida pode te levar a contrair doenças (AIDS , Hepatite B, C…) que te levarão a um controle para o resto da vida, isso se não levar à morte, relembrar este tipo de diálogo dá até uma certa nostalgia…
A Internet e o Comportamente Sexual do Brasileiro
Esta semana o Ministério da Saúde divulgou dados de uma pesquisa recente sobre o comportamento sexual do brasileiro. Entre setembro e novembro de 2008, cerca de 8 mil pessoas (homens e mulheres de 14 a 64 anos) de cinco regiões diferentes responderam a uma pesquisa que visa auxiliar o governo em uma política mais eficaz de prevenção à AIDS. Pretendo fazer alguns textos sobre o assunto com mais calma. Por hora, quero apenas comentar algumas coisinhas.
Dos dados coletados, alguns relacionados à internet me chamaram bastante atenção. Na verdade, não necessariamente os dados, mas a admissão por parte do governo em coletiva oficial de existir necessidade em utilizar as redes sociais online (sites e serviços como Twitter, Orkut, Facebook, Google Friend Connect ou mesmo “parques” de blogs como o WordPress.com), como aliadas nas campanhas de informação e prevenção.
“Uma coisa nova, que surge, é a Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias, novas abordagens para lidar com essa realidade”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na apresentação do estudo, que contou com a participação do secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e da diretora do Departamento de DST/AIDS do Ministério, Mariângela Simão. ” Em sites de relacionamento, Orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores o Ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates“.
Fonte: Portal da Saúde
A Internet Como Fonte de Informação Sexual
É fato para qualquer um que tenha acesso a computadores que há muito os blogs e sites que abordam o erotismo passaram a ter um papel muito mais importante e como fonte de informação sexual do que pais, amigos e familiares. O A Vida Secreta nasceu justamente como uma proposta de cobrir este vácuo na educação sexual e para ser fonte de informação e referência confiável e segura na blogosfera ligada à sexo, sexualidade, erotismo e educação sexual, com a maior segurança e privacidade possível. Temos até um B.eabá do Sexo.
Informação Sobre Sexualidade Para Adolescentes e Terceira Idade
Enquanto minhas sobrinhas, de 14 e 16 anos, são fãs de sites de revistas como Capricho com as eternas dúvidas adolescentes. Minha mãe, de 66 anos, dentro do estilo de leitura que a interessa é um exemplo que busca informação pela internet. Além dos grandes portais, jornais e revistas que acessa diariamente, tem no site Velhos Amigos uma ótima fonte de informação. O site é simples, entre vários assuntos, o sexo tem matéria em destaque na home. Particularmente, senti falta de informação (pelo menos neste texto) quanto ao sexo casual e uso de preservativos. Não dá pra negar essa possibilidade só por ser terceira idade. Ah! No entanto, achei muito interessante o fato de existir um banner na home que leva a uma sex shop. Boa sacação!
Buscar informação na internet pode até não ser a fonte mais confiável, mas certamente é a mais fácil e que causa menos danos sociais. Sei que é uma opinião estranha, mas vou explicar.
No caso de adolescentes, a maioria prefere se informar na net para não se comprometer com os responsáveis ou “pagar mico” entre os colegas da mesma idade por não dominar o assunto. E no caso de adultos, a busca de informação com privacidade e relativo anonimato, evita um maior comprometimento e possível julgamento de pessoas próximas.
Informação Confiável – Do Básico da Saúde à Práticas de Fetiches
Aqui no AVS, recebemos tantos e-mails referentes a dúvidas que vão das mais básicas sobre camisinhas às mais escabrosas relacionadas a sexo, que nós aprendemos a ver com grande normalidade tudo isso. De gente que pratica, quer praticar ou nunca ouviu falar sobre determinados assuntos ou práticas sexuais. E isso vindo de pessoas de diferentes idades, regiões e classes sociais. Isso demonstra o tamanho da sede e necessidade por informação de qualidade que também seja colocada de uma maneira compreensível, acessível e empática.
Nem todos tem acesso a boas publicações, de qualidade e credibilidade. Ou mesmo a um mix tão grande de informações relacionadas à sexualidade. Por isso, essa atitude do governo, através do Ministério da Saúde, em admitir a validade e necessidade de fazer uso das mídias sociais como apoio na divulgação de campanhas de prevenção é um grande passo.
Subestimar o poder informativo de redes sociais é preconceito, talvez até negligência. Felizmente eles parecem ter acordado.
Post relacionados a Internet, Sexo e Informação
- AIDS – Portadores do HIV – Teatro – Informação
- A internet, o sexo e a sexualidade
- B.eabá da Internet para Safadeza – Segurança e Privacidade







A notícia é boa, com tantos sites de caráter duvidoso é importante que o Governo arme-se e divulgue de forma didática e de fontes confiáveis temas de sexualidade.
Se o sexo for tratado de forma natural e responsável muitos problemas que afligem adolescentes hoje diminuirão gradativamente.
Para quem não sabe: o Brasil é um país exemplar no quesito combate à Aids/HIV.
Só pra complementar, acho que não podemos esperar as coisas acontecerem para tomar providências. É importante que a própria pessoa corra atrás de exames preventivos (Coleta de PV, mamografia, planejamento familiar…) que são de direito e não simplesmente esperar ficar grávida ou doente para buscar ajuda.
Já dizia a minha avó, prevenir é melhor que remediar.
Eu posso reclamar de muita coisa do Governo, mas… Não sei se sou exceção, sempre fui bem atendida nos serviços públicos de saúde. Seja no caso de ajuda médica ou psicológica. Sortuda? Não sei…
Sou uma defensora ferrenha dos postos de saúde da prefeitura aqui no RJ que prestam serviços ambulatoriais e preventivos. Se não são perfeitos pelo menos estão dentro das possibilidades.
Pra ter idéia, só nesta parte de serviço à comunidade, no PS próximo à minha casa tem ginecologista, exames de gravidez, acompanhamento pré-natal, pediatra, assistente-social, psicólogo… Existem palestras periódicas sobre planejamento familiar e distribuição de preservativos.
Infelizmente, mesmo com todo este acesso à informação, não é incomum que as meninas só tenham contato com todos estes serviços após uma gravidez adolescente.
É muito claro que poucos vão buscar a informação no local devido (neste caso o sistema médico de saúde) e dessa forma o serviço funciona como botar tranca depois da porta arrombada. Exatamente por isso eu defendo a iniciativa de campanhas de prevenção.
No entanto, acho que é necessário diversificar as frentes de informação. A net é realmente uma possibilidade, mas não é a única.
No caso dos adolescentes, acho que incentivar grupos de teatro nas escolas, festivais de música, entre várias outras iniciativas é sempre válido.
@c.
Cara, não vou generalizar não. Mas tenho duas observações.
No que tange a DST/Aids, já há mais de uma década que tanto o governo federal, quanto o de SP (que é o estado onde vivo) estão aperfeiçoando e pegando pesado na campanha de prevenção. Estão tratando isso com muita seriedade.
De uma forma geral, prefiro não usar o sistema de saúde público. Tenho horroro, mas no caso de DST//AIDS, eles estão fazendo um trabalho melhor que a média.
Nas duas vezes que procurei o serviço de orientação DST/Aids fui muito bem atendido, muito bem informado, etc. Dentro dos limites materiais que ($$) que eles tem, estão tirando de letra.
Fora a omissão, demagogia e a corrupção do serviço público, que deveria prestar um serviço de saúde e educação razoáveis, mas na prática só entrega mesmo falta de respeito e vergonha… (mudando de assunto, acho que todo servidor público deveria usar exclusivamente os serviços que presta, principalmente em educação, transporte e saúde – plano de saúde e outros deveriam ser proibidos).
O que temos na NET é a dificuldade de encontrar fontes confiáveis. Pois na maioria das vezes, fica difícil separar o joio do trigo. Para cada cantinho como AVS, sexpedia e outros, a gente vê um monte de coisas absurdas por ai… Fora que Orkut e outras redes sociais se tornaram redutos de pedófilos e outros doentes.
Claro que isso sempre existiu na sociedade, na igreja, mas parece que só agora há uma grande reação das pessoas…
Há um tempo li em uma página bem famosa de BDSM alguma “dicas” de algumas técnicas de NT com uso de choque elétrico. Gente dar choque no mamilo pode matar se a pessoa tiver problema de saúde, bem como asfixia erótica e outras práticas menos ortodoxas. O cara lê uma coisa aqui, acolá, pega um chicote e se acha dominador.
A minha opinião é desconfiar sempre! Procurar fontes seguras, participar de listas de discussão e associações. Não improvise, não brinque com os sentimentos e a vida dos outros.
Percebo que a ignorância dos jovens com relação ao uso de camisinha, virgindade, gradivez e DST continua assustador…