O texto de hoje do Daniel não se trata de apologia a nada. Cada um sabe da própria necessidade em ter uma vida secreta. Ter direito a vivenciar e manifestar a própria sexualidade (homo, bi ou hetero) é apenas um dos muitos direitos constitucionais do cidadão, mas… Você já parou para refletir como isso ainda é tabu para muitos? E você, já parou para pensar no assunto?
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Ser ou Ser?!
“Eu vim recrutar vocês!”
Quem assistiu o filme Milk com certeza lembra desse bordão utilizado por Harvey Milk. O filme conta a história desse homem real que me fascinou. Ele foi um executivo que depois dos 40 anos largou sua vida em Nova Iorque para viver em São Francisco com o namorado e se tornar então o primeiro homossexual declarado a ser eleito para um cargo público na Califórnia.
O filme é brilhante e consegue mostrar a luta dos gays por seus direitos nos anos 70. Um dos muitos momentos que me chamaram a atenção no filme é um no qual Milk diz que os gays precisam “sair do armário”, pois se as pessoas souberem que conhecem, convivem e amam um gay então elas seriam contra a violência contra os homossexuais.
Achei muito interessante e ambígua essa questão, afinal ao mesmo tempo que nós gays – e incluo sempre na palavra gay toda a comunidade GLBT – estamos nos protegendo da sociedade quando nos camuflamos, estamos também aumentando o preconceito e deixando de mostrar para as pessoas que somos gays e não existe nada de errado nisso.
Não é minha intenção me aprofundar no filme, com certeza são muitos os assuntos para serem discutidos e refletidos. Independente da (homos)sexualidade Milk é um filme sobre política e sobre a busca pelos direitos humanos, uma luta pela igualdade. Fica aqui para quem ainda não assistiu a indicação, “Milk, a voz da igualdade”, vale a pena ver e rever.
Quero agradecer novamente a B. pelo convite como colaborador do AVS, quis começar esse texto repetindo o bordão de Milk, pois acredito que nesse momento me sinto recrutado, não vou me candidatar para ser o presidente gay assumido do Brasil (pelo menos ainda não, risos ), porém sinto necessidade de fazer algo a mais.
O que eu posso fazer hoje? Cabe a cada um, hétero ou homossexual (assumido ou não), pensar no que se pode fazer hoje dentro dos limites de cada um para ajudar na luta contra o preconceito.
Conversando com o Tiago Duque, um amigo que fiz a pouco tempo, ele me disse que fez a seguinte reflexão com um grupo de jovens católicos: “Seja Gay por um dia!”. Achei a reflexão genial, como ele mesmo disse nós gays passamos anos nos obrigando a pensar que somos héteros, por que um hétero não poderia passar um dia pensando como se fosse gay? Como você viveria se fosse homossexual? Como você gostaria que as pessoas te tratassem? Afinal até hoje não sabemos quais motivos levam uma pessoa a ser hétero ou ser gay, mas duas certezas posso dizer aqui, ser homossexual não é opção, não escolhemos gostar de homens ou de mulheres. Existe uma orientação sexual e não uma opção, eu não optei ser homossexual e nem você optou ser hétero, certo? Ninguém me perguntou quando era criança: “Você escolhe ser viadinho ou escolhe pegar a mulherada?” Não mesmo, risos.
Outra certeza é de que homossexualidade não é doença, portanto é errado falar homossexualismo, o certo é homossexualidade, pois o sufixo ismo indica doença. Se homossexualidade não é doença não deve ser procurada uma cura e nem um tratamento. Muito menos um exorcista para expulsar um espirito maligno do corpo, honey, definitivamente não, risos.
Depois do comentário da Sentimental na minha última colaboração fui até o site do programa “Amor e Sexo” e pude ver o vídeo onde um pai pergunta para psicologa se existe uma maneira de reverter a homossexualidade do filho. Infelizmente as pessoas ainda pensam igual a esse pai, se sentem culpadas por possuir um filho gay. Pode ser difícil descobrir que seu filho é gay, mas lembrem-se que mais difícil é para seu filho se descobrir gay em um mundo onde ainda existe tanta discriminação. Como um outro amigo diz, é preciso ser muito macho para assumir sua sexualidade.
Uma dica para conviver bem com um filho ou amigo gay é agir com naturalidade e sinceridade. Se você não sabe o que fazer procure ajuda, muitos pais já passaram por isso e não é vergonhoso querer entender melhor a sexualidade do seu filho. A Internet facilita muita coisa hoje, existe muita informação e é importante que ela chegue para as pessoas que precisam dela.
A homofobia é uma das muitas formas do preconceito. Nós somos responsáveis por mudar a sociedade e a nossa maneira de pensar. Lembrando um comercial que assisti repito a pergunta, onde você guarda o seu preconceito?
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Daniel é analista de sistemas, tem 21 anos e mora em SP. Como blogueiro encontrou no mundo virtual uma maneira de misturar razão e sentimentos para mostrar que ser gay é absolutamente normal.
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Aproveite para ler também no AVS:
Se gay não é opção – Entrevista de Bruno Chateubriand à Revista Veja








Boa tarde. Importante é saber que religião e sexualidade não tem nada a ver com carater.
Obrigado Nadia.
Fugiu do tema nada, obrigado pelo ótimo comentário…
Beijocas.
Olá faço historia e meu projeto de monografia e sobre a homossexualidade na sociedade. Estou tentando entender os motivos que nós levamos a sermos tão preconceituosos. Não sou gay mais diante dessa minha escolha de tema já sou vista de forma diferente perante a sociedade, como se essa “escolha” de vida não fosse à correta para deus. As pessoas perdem muito tempo para cobra de um indivíduo e pregarem as suas idéias de valores que acham que é certo. Nosso mundo está acabando em violência, em corrupção e as pessoas tendem a olhar apenas para criticar. Vamos fazer diferente vamos ser gays para termos coragem, pois pra mim um gay é muito mais macho que muitos q se dizem “HOMEM” vamos ter a coragem de um gay para reivindicar nossos direitos cobra o que pagamos de impostos, poder sai de casa e volta sem medo, pode adoecer e ter um medico para nós atender. Vamos ser gay para ter coragem de dizer sou o que sou e quero o que é meu por direito. Ser gay é apenas gosta do mesmo sexo não é doença, nem opção sexual e sim uma nova maneira de mostrar o que é amor e coragem.
Natyele
Eu sempre escrevo sobre preconceito, porque também o sinto na pele.
Outro dia assisti o programa A Liga na Bandeirantes sobre esse tema. Pediram para um casal de homens para que se beijassem e fizessem carinhos no centro de São Paulo num lugar bem movimentado.
As câmeras flagraram as reações das pessoas que passavam por lá. Alguns só olhavam, outros fingiam não ver, mas muitos ficavam chocados!
Passou uma senhora evangélica e foi até o pessoal da TV pedir pra filmar a “pouca vergonha”, porque segundo ela Deus abominava aquilo.
Bom… Deus é amor, e acho que ele abomina mais as pessoas preconceituosas, hipócritas e mesquinhas, aqueles que são verdadeiros lobos em pele de cordeiro, aqueless pastores que fazem lavagem cerebral no pessoal e com isso levam uma boa vida usufruindo dos dízimos que os coitadinhos ofertam com tanto sacrifício….
Ui! Fugi do tema né? Desculpa rsrs…
Ótimo post Daniel, ótima indicação do filme Milk, eu assisti é excelente.
Sinceramente Rute, tantos são os pais que maltratam seus filhos por aí, muitas são as crianças que não possuem uma família, quem é Deus pra não querer que uma criança tenha uma formação com amor e carinho, mesmo que essa família seja “diferente” dos padrões? Eu não escolhi ser Gay, e sei que não foi o Diabo que me fez assim, creio no mesmo Deus que você, e esse Deus quer o bem dos seus filhos. E outra coisa, muitas crianças são criadas só pela mãe, só pelo, ou por um parente, e nem por isso ela nasce com problemas, mais importante do que ter um pai e uma mãe é ser criado com amor.
Obrigado pelo comentário e volte sempre.
Beijos
Daniel.
h0mem foi feito para mulher e mulher para homem e nao tem o direito de adotar crianças leiam a biblia pois ai voces terao o que e certo eo que e é errado .será que um filho não gostaria de ter uma mãe e um pai ou duas mães ou dois paes pensem nisso e reflitam pois todos tem o direito de ter uma família normal perante a lei de deus
Realmente Dr. Rom, é difícil entender por qual motivo as pessoas fazem tanta tempestade por algo tão pequeno. A sexualidade de uma pessoa não faz dela pior ou melhor. Ainda hoje o homem não pode ter sentimentos, precisa ser o machão. Grande bobagem. Como você disse não é uma escolha premeditada, eu, seu irmão e muitas pessoas gostam – sabe se lá por qual motivo – de pessoas do mesmo sexo. Porém continuamos sendo nós mesmos. Obrigado pelo comentário e grande abraço.
Pois é, Daniel, vemos que a nossa sociedade ainda é extremamente preconceituosa. E vejo isso dentro da minha casa.
Meu irmão “saiu do armário” e a minha mãe quase pirou, assim como o meu pai vive perguntando se ele ainda é gay.
Ele é meu irmão e continuo amando-o da mesma forma. Não consigo entender esse preconceito todo.
Acredito que em algum momento as pessoas vão se dar conta que realmente não trata-se de uma doença e sim de uma “escolha”. Coloco entre aspas porque não trata-se de uma escolha premeditada.
Da mesma forma que não sabemos porque vamos nos apaixonar, não temos como saber/escolher se vai ser homem ou mulher. Não antes de acontecer.
É o ciclo natural das coisas e não consigo compreender como algumas pessoas podem fazer tanta tempestade em copo d’agua por conta disso.
é Daniel, infelizmente mesmo, mas não vamos desistir né? mesmo com muito chão pela frente.
beijos
Oi Sentimental, infelizmente muitas cenas como a que você citou acontecem atualmente.A homofobia ainda não é crime, mas estamos na luta contra ela. Eu entendo pouco, mas todos temos direitos de ir e vir. Uma pessoa não deve ser discriminada por sua orientação sexual ou qualquer outra coisa. As pessoas precisam mudar a maneira como pensam. O que é difícil. Aproveitando, se quiser saber mais sobre o projeto da lei contra homofobia o site é https://www.naohomofobia.com.br/home/index.php.
Oi Leila, tudo bem? Sim, o preconceito é muito grande ainda, diversas piadas estão aí para provar isso, é “normal” ouvir alguém no ônibus, colegas de trabalho ou faculdade fazendo algum comentário preconceituoso contra os homossexuais. O filme é muito rico em conteúdo para ser debatido. E é disso que as pessoas precisam, refletir, não apenas aceitar o que a sociedade diz ser certo ou não, mas refletir e aprender a ver o mundo de uma nova maneira.
Olá Felipe, você disse tudo, “Sou eu quem dito as minhas regras!”. Cada pessoa tem suas escolhas, mas o fundamental é a auto-aceitação. Eu ainda não me assumi publicamente, apesar da minha família já saber – mãe sempre sabe né? risos. Tenho vontade de dizer para eles, mas acho que ainda não é o momento, mas independente disso sou feliz, pois me aceitei como sou.
Depois que me assumi percebi que sou muito mais feliz do que eu já era. Levo comigo a pequena e simples filosofia de vida “Sou eu quem dito as minhas regras!”
Tenho 20 anos e assim que comecei a namorar com um menino que hoje é meu amigo eu assumi minha homossexualidade para todo mundo, hoje eu me dedico a tudo aquilo que gosto como dança de salão, ballet, jazz e teatro sem me preocupar com piadinhas. Outra coisa que pude perceber é que ninguem mais me chama de viado depois que me assumi, achei o máximo. “Você dita e impõe as suas regras!”.
O pior de tudo que ainda há muito preconceito.
Eu não tenho nenhum. E até ressalto algumas passagens num filme, com o intuito de levar o tema para debates fora da blogosfera.
Beijos,
Gzuis, olha a bíblia q eu escrevi… rs
Ah, obrigada por me citar no texto.
bjs
Daniel, parabéns pelo texto, vc colocou em palavras uma coisa q venho pensando há tempos.
Essa semana aqui em Brasília tivemos um episódio ridículo de homofobia escancarada, em um barzinho agitado da cidade alguns rapazes se reuniram para comemorar o aniversário de um deles, daí q alguém beijou alguém da mesa, no ROSTO, tipo beijo de cumprimento, e o garçon [mandado pelo DONO do bar], foi à mesa pedir que os rapazes se comportassem de acordo com o ambiente, que era familiar. Os rapazes seguiram o garçon pra saber de onde havia saído a ordem e foram conversar com o proprietário, q ‘delicadamente’ sugeriu que o assunto fosse tratado de forma discreta do lado de fora do bar, na calçada, para que isso não incomodasse os demais freqüentadores…
Eu fiquei chocada com isso, achei de extrema grosseria a atitude do cara, o garçon [coitado?] estava cumprindo ordens. Os rapazes saíram de lá direto pra delegacia e registraram uma ocorrência, mas pelo que eu entendi, infelizmente a nossa legislação não dá cobertura ‘ainda’ para questões de homofobia [estou errada? foi o q deu pra entender da notícia do jornal].
Enfim, acredito que qnto mais pessoas se esconderem por medo do preconceito a coisa vai ficar pior, é uma situação complicada e ambígua como vc disse, mas é exatamente como penso, as pessoas devem se impor pelo caráter e exigir respeito, e não deixar q sexualidade ou cor da pele [só inserindo outro assuntinho bem polêmico aqui] ditem sua forma de viver.
Tenho muitos amigos gays e os respeito muito e cada vez que vejo uma situação como a q descrevi acime também me sinto agredida e ofendida, espero que isso acabe.
beijos