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Giantess, GTS, Microfilia e Macrofilia – Fetiche

Giantess, GTS, Microfilia, Macrofilia… Mudam os nomes, mas muda pouco o fetiche. A pessoa fantasia ser um pequenino e ficar à merce dos caprichos de um(a) gigante(a). Dos fetiches que conheço, creio que este é um dos mais intelectuais e fantásticos.

Na literatura, quem não ouviu falar da fábula de João e o pé de feijão, onde o pequenino e paupérrimo João se aventura no reino de fartura do gigante?! Ou do livro As Viagens de Gulliver , onde a personagem principal passa de gigante a pequenino, dependendo da parada das suas viagens, e experimenta o poder e medo?! É claro que no livro, a alegoria do Giantess é muito mais uma crítica social do que um fetiche, mas à partir deste texto, tenho certeza que muitos fetiches afloraram.

No poema abaixo, O Inseto, Pablo Neruda mergulha na fantasia do Giantess e percorre o corpo da amada como um ser pequenino. Faz do seu passeio uma aventura e sob uma diferente perspectiva experimenta novos prazeres. Neste poema, a fantasia do Giantess é uma verdadeira viagem erótica.

O inseto – Pablo Neruda

Das tuas ancas aos teus pés
quero fazer uma longa viagem.

Sou mais pequeno que um inseto.

Percorro estas colinas,
são da cor da aveia,
têm trilhos estreitos
que só eu conheço,
centímetros queimados,
pálidas perspectivas.

Há aqui um monte.
Nunca dele sairei.
Oh que musgo gigante!
E uma cratera, uma rosa
de fogo humedecido!

Pelas tuas pernas desço
tecendo uma espiral
ou adormecendo na viagem
e alcanço os teus joelhos
duma dureza redonda
como os ásperos cumes
dum claro continente.

Para teus pés resvalo
para as oito aberturas
dos teus dedos agudos,
lentos, peninsulares,
e deles para o vazio
do lençol branco
caio, procurando cego
e faminto teu contorno
de vaso escaldante!

O fetiche por Giantess

A fantasia do Giantess tem diferentes vertentes, mas todas tratam basicamente do ato de submeter ou ser submetido à vontade, desejo, capricho de outro e ser dominado (ou dominar) de uma maneira incondicional, já que a diferença gritante de tamanhos, torna o pequenino um ser indefeso apesar de todos os seus esforços. O melhor desta fantasia é a possibilidade infinita. Ou seja, não há limite para a fantasia. Nela, enquanto giganta malvada (que é minha melhor fantasia) eu posso ser terrívelmente má, sem nenhum escrúpulo, medo de julgamento ou cuidado quanto a integridade alheia. Como se trata de um fetiche unicamente intelectual, não há nenhum risco real e isso faz com que eu me solte dez vezes mais do que em uma cena BDSM, por exemplo, com uma pessoa real. Na verdade, não há comparação.

Em minha mais recente fantasia, que normalmente acontece conversando pelo MSN com um amigo muito querido, me diverti e fiquei excitada com as situações aparentemente irreais às quais o submeti. Coisas malvadas como mandar o pequenino (meu amigo) cavar a própria cova e enganá-lo, descarada e sedutoramente. Caso ele me satisfizesse sexualmente (ato quase impossível) eu pouparia sua vidinha infeliz. Invariavelmente ele morre em todas as nossas histórias, nesta não foi diferente. Quase sempre com requintes de crueldade e esmagado pelos meus pés gigantescos. No final eu me divirto e sempre me surpreendo em como consegui expressar tamanha maldade, mas… É pura fantasia.

O Giantess no Cinema

No Filme Hable Con Ella, de Almodóvar, há dentro do filme uma citação ao Giantess. Ele na verdade criou um outro filme de cinema mudo, El amante menguante (só consegui em francês no youtube), para ilustrar o fetiche da submissão de Benigno. Nesta alegoria, o protagonista conta um filme que assistiu e nele, de certa forma, retrata o seu sentimento de pequenez diante da amada e o desejo de não apenas amá-la, adorá-la, mas fundir-se a ela num ato extremo. É na verdade uma metáfora ao ato sexual (estupro) que ele comete com a paciente que vive em coma, mas de uma maneira tão delicada e terna, que não chega a chocar.

O cinema tem uns filmecos muito ruins, mas verdadeiros clássicos do Giantess. Em Dude, Where is my car? chega a ser ridícula a cena das alienígenas gostosonas que se transformam numa super bela e malvada gingantona. Eu chego a rir de tamanha tosqueira, mas tem quem se masturbe horrores, vendo a calcinha de bichinhos da mocinha, na insólita visão como pequenino.

Um outro bem irreal é Attack of the 50 Foot Woman, eu só conheço a refilmagem para a TV de 1993, com a Daryl Hannah, mas a história original é de 1958 , já pensou? Este fetiche é velho… Eu só fico pensando nesta mulher de 50 pés de altura em TPM… Putz!

Em Boccaccio 70 (na verdade uma versão de Fellini, Visconti, De Sica e Monicelli ao Decamerão de Boccaccio), no segmento “Le tentazioni del dottor Antonio” Federico Fellini faz de Anita Ekberg a gigantona que sai do outdoor de propaganda de leite para amedrontar e tentar o Dr. Antonio, um falso-puritano que faz parte do comitê de censura, reclama do outdoor, mas morre de tesão pela peituda. Adoro as gargalhadas deliciosas dela e principalmente quando ela o guarda entre os seios.

Fetiche por gigantas e malvadas

O único blog que conheço (se conhecerem mais, podem dizer) qua dá enfoque a textos de malvadas (e sexies) gigantonas e tem histórias em português é o mulheresmalvadas.blogspot.com do Pedro Lozada. É claro que ele tem outras malvadas, é um pervertido o moço, mas como eu disse, é talvez o único blog em português (aliás, tem textos em inglês também) que posta histórias do tipo.

Uma história que gosto muito é A tornozeleira de Vanessa. Na verdade, acho que é o primeiro texto que li e me apaixonei, me diverti e desejei ser uma giganta malvada… risos. O resto é só diversão!

Ah, e antes que eu me esqueça, as imagens que ilustram o texto eu descaradamente surrupiei do meu querido e incestuoso blog-irmão, Pequenos Delitos.

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Sobre B.

B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.

20 Respostas para “Giantess, GTS, Microfilia e Macrofilia – Fetiche”

  1. joão victor disse:

    muito interesante,eu mesmo adoro pensar em mulheres gigantes,pra ser honesto tudo q tem haver com esse assunto eu gosto gosto de me imaginar sendo esmagado por uma linda mulher,tanto pelos pés como elas sentando em mim tambem gosto de ser “comido vivo”se é que me entende.gosto tanto das gigantes malvadas quanto das boazinhas hehehe

  2. Chele disse:

    Eu amo a idéia de me sentir uma giganta e cuidar de um homem adulto pequenino e rebelde, rsrs.

  3. Maurício disse:

    Por favor, vcs que escrevem historias com gigantas malvadas:
    Me mandem alguma delas por e-mail, pois adoro lê-las.

  4. Parabéns pelo post! Estou fazendo pesquisa para uma postagem sobre fetiches e este seu artigo é bem completo. Linkei

  5. Celso Carvalho Melo disse:

    Eu também tenho muitas fantasias com mulheres gigantes, as vezes eu fico imaginando, que estou sendo agarrado por uma mulher gigante, tenho várias fotos e alguns filmes sobre este assunto.

  6. Pequeno Polegar disse:

    Eu também adoro me imaginar nas mãos de uma linda giganta.

    Estou fazendo meus storyboard para elaborar meus vídeos.

  7. PETIT disse:

    EU ADORO ME IMAGINAR PEQUENINO, É MEU MAIOR FETICHE, TENHO MUITAS HISTÓRIAS ESCRITAS COM ESTE TEMA

  8. Denis lambetenis disse:

    eu adorei o assunto. amo a ideia de ser esmagador por gigantes usando tenis. amo lamber sola de tenis de rapazes jovens usando tenis e imagino que sao gigantes me submetendo a caprichos maldosos e depois me esmagam como um inseto.

  9. Thanatos disse:

    Olá… Adorei o seu artigo sobre o fetiche Giantess. Sobretudo porque há bastantes anos q me encontro profundamente envolvido nesse mundo e na respectiva comunidade web, a chamada “Giantess Community”.

    Achei muito interessante encontrar um artigo escrito em português e ainda por cima “no feminino”. Se já é difícil encontrar entusiastas de Giantess lusófonos, ainda mais sendo mulher. Ainda mais interessante se torna pelo facto de você ser uma entusiasta na primeira pessoa. Não está somente escrevendo um artigo sobre o fetiche, como inclusivamente é você mesmo uma entusiasta activa.

    Conheço o Pedro Lozada embora só tenha falado com ele algumas vezes por email, e faz de resto muito tempo. Embora eu seja lusófono, eu raramente uso a lingua portuguesa neste universo web, já que desde sempre lidei com pessoas que falam em inglês e o meu site (que é bastante conhecido no meio) está todo em inglês.
    Na Giantess Community, uns 60% das pessoas são dos USA. Depois uns 20% são europeus, uns 15% são japoneses e os restantes 5% do resto do mundo. Conheci uns 5 brasileiros e um português, em quase 10 anos… Por isso em mais de 90% dos sites, forums, etc… Só se fala inglês. Por um lado ainda bem, ou não fosse o inglês a língua mais universal.

    Curioso também é você se interessar pelo lado “malvado” do fetiche Giantess… Porque eu sou como que o representante dessa versão do fetiche, dentro da comunidade Giantess de todo o mundo. Quando se fala de “Evil GTS”, fala-se de Thanatos (eu). Todo o meu site é dedicado a essa versão do Fetiche e é por assim dizer a minha paixão dentro desta area.

  10. Fernanda disse:

    Oi, B., adorei o texto sobre giantess. Não conhecia essa fantasia e achei muito interessante as citações que você fez de filmes e poesias em que ela aparece. O filme “Viagem Fantástica” também faz referência ao fetiche? Mais uma vez vou mandar os leitores do sexpedia pra cá :D

    beijos

  11. B. disse:

    @Emilio: É claro que conheço Milo Manara. Fui fazer uma busca, achei bem legal a Gullivera, vou depois fazer um up date no texto. Beijos!

  12. Emilio disse:

    Oi B., não sei se vc conhece o Milo Manara, mas a obra Gullivera (uma versão mais sacana das viagens de Gulliver) cairia muito bem no post.

    Eu não lembro qual editora lançou no Brasil, mas eu já vi em algumas livrarias.

    Se quiser dar uma conferida, dá pra ver online neste link: http://www.scribd.com/doc/527101/Erotic-Comic-Manara-Milo-Gullivera

    bjo

  13. Cláudia Motta disse:

    Eu também lembrei de Terra de Gigantes, um seriado que fez muito sucesso. Na verdade nunca entendi bem o por que do sucesso, acho que agora, depois do que li passei a entender mais.Não tenho nenhuma fantasia sobre isso mas gostei do texto, de fato faz muito sentido para quem curte esse tipo de fetiche. Tenho como todo mundo “normal” outros fetiches rss O filme do Almódovar é lindo, quem não viu vale a pena dar uma conferida, ele é extremamente delicado, poético e tem como pano de fundo uma situação nada poética que é o estupro de uma paciente em coma!
    Belas imagens e bela pesquisa. Parabéns!!

    Beijos

  14. santocasto disse:

    Eu acabei de me lembrar do seriado Terra de Gigantes… Onde os pequeninos eram perseguidos pelos gigantes e as vezes os prendiam com fita durex…

  15. B. disse:

    Eu gosto do que faço! Acho que é esta a resposta, é facil fazer bem o que se gosta!

  16. santocasto disse:

    continuando…
    as fotos sao maravilhosas!

  17. santocasto disse:

    Esse é o melhor post que já li sobre esse tema. meus parabéns! Pergunta: como consegues garimpar tanta coisa legal?

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  1. [...] que eu broxei pro assunto, fiquei boazinha. Sou de fases e ele sabe disso. Hoje, recebi mensagem de um leitor comentando o texto sobre Giantess que fiz há um tempo atrás. Agora, passeando pelo Fluffy Lychees vejo esta [...]

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