Kampai!
Adoro comida japonesa. Os frios principalmente. A comida fria é perfeita para ser apreciada lentamente, nos dando tempo para bebericar, namorar e conversar; no caso específico dos sushis, sashimis e afins não faltam qualidades que me façam elegê-los a comida romântica por excelência.

Os pequenos bocados e o modo delicado de manuseá-los são um charme em si. É mais fácil ser elegante degustando um sushi do que uma coxa de frango, não? Pensando no futuro, lembro que o arroz é ótima fonte para as calorias que vamos gastar mais tarde, e os demais ingredientes são leves e não ficam pesando no estômago nos momentos de maior atividade. Perfeito. Ainda mais se acompanhados de bebidas como espumantes, saquê e shoshu e de brincadeiras estimulantes, como o shibari.

Imagem de Nobuyoshi Araki
Livres da influência católica, os japoneses lidam muito bem com o erotismo, sendo criadores de rituais tão excitantes quanto minuciosos como o shibari e a arte das gueixas. O shibari é um tipo particular de amarração em que a imobilização do outro não é o único objetivo, entre muitos detalhes há a intenção de pressionar certos pontos específicos e estimulantes e deixar marcas que formem desenhos no corpo do parceiro. Tudo feito com calma e precisão; no sexo, como na comida, os japoneses estão sempre buscando extrair o máximo de prazer de cada instante.

Imagem de Nobuyoshi Araki
Um jantar japonês pode ser preparado com antecedência e servido em etapas com bons intervalos, sendo este último o motivo pelo qual também sou fã do café da manhã, uma refeição para ser tomada sem pressa, com uma variedade de pequenos pratos que fazem a minha delícia.
Nem sempre foi assim. No começo de um romance, ainda tentando cercar a vítima, ouvi o convite:
- Gosta de comida japonesa?
- Adoro, claro - respondi sem ter a menor idéia do que seria. Quase caí do banquinho ao ver o tanto de coisa estranha que se enfileirava no balcão, e com muito custo e guaraná engoli alguns uramakis. Credo.
Ao final, a pergunta inescapável:
- Gostou?
- Claro, adorei, uma delícia - foi o que respondi. Óbvio que nosso próximo encontro também foi num restaurante japonês. Aos poucos fui achando mais fácil comer este ou aquele, fui gostando dos sashimis e acabei virando meio que na marra esta apaixonada que vos fala.
De toda forma, a aparência e o cuidado estético desta culinária me cativaram desde o início. Luxo e função, a arte servindo ao sabor e propondo crocâncias e suavidades que ainda hoje, tantos anos depois, continuam a me surpreender e emocionar.
A quem não apetecem os frios, sugiro os grelhados, acompanhados de molhos adocicados e legumes frescos preparados sempre ao dente. Igualmente leves e saborosos.
Deixo aqui umas receitas simples para quem quiser aventurar-se na cozinha e desfrutar da sensação incrível de servir alguém querido.
Beijos,
Carol
Sunomono
2 pepinos tipo japonês cortados em rodelas bem fininhas
3g de wakame (alga marinha) cortado em tiras de 3cm
2 colheres de café de sal
3 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de aji-no-moto
6 colheres de sopa de vinagre de arrozMisture os pepinos já cortados com os demais ingredientes e ½ copo de água. Deixe descansar por pelo menos 2 horas, na geladeira e escorra antes de servir. Se quiser incrementar, salpique gergelim torrado, kani-kama desfiado ou frutos do mar cozidos e fatiados, como camarões, lulas ou polvo.
Oshizushi
Tipo de sushi normalmente preparado num recipiente apropriado, chamado baku, que pode ser substituído por um recipiente de plástico de aproximadamente 9 x 12 cm, forrado com filme plástico
Para 6 oshizushi
200 g de arroz para sushi cozido*
200 g de salmão em cubinhos
1 cebolinha em rodelas finas
½ colher de sopa de maionese
Gergelim torradoMisture o salmão com a maionese e a cebolinha. Salpique o fundo do recipiente com o gergelim, cubra com o salmão e depois com o arroz e aperte bem. Conserve coberto com o filme, em geladeira, até 20 minutos antes de servir. Então desenforme e corte em 6 retângulos com faca molhada e afiada.
*Faça 1 xícara de arroz, com 1 de água, tendo antes lavado cuidadosamente o arroz e deixado escorrer bem. Cozinhe em fogo brando, tampando no final e esperando descansar 10 minutos depois de desligado para então abrir. Espalhe numa bacia de plástico ou madeira, cubra com o tempero e misture levemente, abanando ou usando ventilador para esfriar. Tempero: 1 colher de sopa de açúcar, 2 colheres de café de sal, 4 colheres de sopa de vinagre de arroz.
Acelgamaki
Para 8 sushis
50 g de atum fresco
1 colher de sobremesa de maionese
1 cebolinha verde picada
Gotas de tabasco
1 folha de acelga grande
100g de arroz para sushi cozidoCorte o atum em palitos de ½ cm de espessura. Escalde a folha de acelga, deixe esfriar e corte na metade pelo comprimento. Espalhe o arroz pela folha de acelga e, por cima, faça um caminho com o atum. Enrole como um rocambole e corte em 8 pedaços.
Banana caramelada com sorvete
2 bananas nanicas
Suco de ½ limão
1 colher de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de canela
2 colheres de sopa de conhaque
Sorvete de creme, baunilha ou canelaFatie ao meio as bananas e regue com o suco de limão. Derreta a manteiga em frigideira anti-aderente, coloque as fatias de banana e salpique o açúcar. Espere dourar, vire e acrescente o conhaque quando o outro lado também tiver dourado. Incline a frigideira para que o conhaque se inflame, quando apagar tire do fogo, salpique a canela e sirva com o sorvete.
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Carol é apaixonada por gastronomia, mas também escreve o blog Leftovers. Contato pelo e-mail carol.gastronomia@gmail.com
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9 Comments
Meus comentários sobre a comida japonesa não podem ir muito além da “provinha” básica, mas já provei uns petisquinhos por aí. A comida fria neste calor carioca manda muito bem. E o molhos, hummmmm…
Acho os hachis delicados e sensuais. E o meu lado mais pervertido se excita em imaginá-los coadjuvantes em maldades para CBT e NT. Devo ser um caso perdido…
O Shibari é um caso à parte, já comentei de amarras em um haikai e do prazer que tive com um determinado nó. http://www.avidasecreta.com/mexidinha/ Há uma contraditoriedade absurda em mim, apesar de odiar a sensação de me ver privada de movimentos, o roçar da corda no corpo nos lugares certos me fez explodir de prazer.
Temos que reconhecer que os orientais entendem muito do negócio…
Ei B., libera o feeds completoooooooooooooooooooooooo
Bjins.
Oi B
Curiosidade “científica” não existe o perigo das cordas machucarem? Não conheço o assunto mas imagino que o atrito da corda em nosso corpo pode causar pelo menos alguma abrasão na pele. Isso ocorre?
Beijão
Amo comida japonesa. Leve, ligeiramente picante e ao mesmo tempo adocicada se presta muito bem aos diversos estágios : antes, durante, depois.
E os hachis não servem somente prá fazer maldades. Eles podem ser coadjuvantes de deliciosas brincadeiras.
Claudia, as cordas podem machucar, sim, e muito. Podem provocar queimaduras ao raspar na pele, podem deixar marcas por pressão que demoram um bocado pra sumir quando a corda é fina, os nós podem causar hematomas quando pressionados sobre a pele ou outros ferimentos quando estão sobre locais muito sensíveis, fora os riscos de prender a circulação sanguínea e de asfixia. É preciso tomar muito cuidado com elas; avaliar os riscos e ter em mente os seus próprios limites são atitudes imprescindíveis para não haver arrependimento ou susto depois.
Oi Carol.
Obrigada pelo esclarecimento. Era mais ou menos o que eu pensava, é que já ouvi muita gente dizer quem não machuca nada e não conseguia entender como isso era possível.
Valeu a informação.
Bj
o lance com as cordas é não apertar demais. Não aperte os nós nos pulsos, tornozelos e principalmente pescoço. Qualquer sinal de roxo ou frio, afrouxe… Não precisa apertar para prender a atenção da pessoa.
Jamais deixe alguém em uma situação de BONDAGE ou SHIBARI desassistida(o). A regra é simples, enquanto ela(e) estiver amarrada(O), vc permance por perto.
comida Japa!!! Adoro! Sou fanático…
Detesto salmão, frito, assado por que é seco e ensopado não fica legal… Mas cru, no sashimi, eu amo… AFFF! Igual a sexo… Baunilha eu passo, BDSM irresistivel.
Outro peixe que eu recomendo para o sashimi é o Marlin, peixe de bico ou sail-fish, mas é dificil de achar. A cor é igual ao salmão, mas tem mais padrões na carne, aqueles desenhos lindos que parecem a calçada de copa…
Adoro o bonito e a tainha que substituem perfeitamente o Atum, que não como mais, embora ame, por que está em processo de extinção avançada;
Uma receita de sashimi bem ousada.
1) Pegue um filézão de marlin de uns 300g ou salmão fresco… E mais outro filé de uns 300g de tainha ou bonito. O próprio peixeiro deixa no esquema se vc falar que é para comida japa. Coloque para resfriar por 3horas.
com uma faca sem serra beeeeeem afiada vai tirando as lascas do filé do salmão e com uma pinça tire uma espinha de cada gomo. faça o mesmo com a tainha ou bonito. Prepare em uma travessa com um pouco de gengibre e pepino japones no meio e etc. capriche no visual.
molho
shoyo light e raiz forte em combuquinhas…
Pegue o peixe com o hashi “tempere” na vulva da sua amada e depois passe pelo raiz forte e shoyo. Cuidado para não inverter a ordem a não ser que vc seja um sádico e ela masoquisa! KKKKKK
Bon apetit
Ótimo artigo, ótimos comentários…
Puxa, só falta passar à prática agora!
Um beijo a todas e todos.
Matt.
PS: por coincidência fui comer japonês sábado passado… Mas não foi tão legal como de costume… Da próxima vez trocarei de restaurante… Mas me delicio sempre comendo aquela pasta verde pura (raiz forte?) só para chorar um pouquinho… risos.
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