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Se você não acaba de chegar de Marte, provavelmente já ouviu falar de Erika Lust, uma bela sueca que vem causando rebuliço por aí produzindo filmes pornôs voltados ao público feminino. Erika é a responsável por Five Hot Stories For Her e Barcelona Project. Já foi citada na Revista Época, entre outras publicações e sites, e comentada por aqui.
Segundo seu site, a Lust Films é uma empresa de entretenimento adulto, com uma produção moderna, feminina e abordagem feminista. Ouso dizer que Erika Lust e a Lust Films é um pouco mais, digamos que uma espécie de sinalizadora de tendências. Uma opção para aquelas mulheres que querem ver pornografia com uma visão diferenciada. Uma outra ótica que não seja a predominantemente masculina que temos hoje no mercado.
Nossa querida colaboradora italiana, Violet Erótica, conseguiu uma entrevista com Erika Lust e segue abaixo para aqueles que têm interesse em saber um pouco mais deste novo mercado e o que pensa uma das responsáveis por esta revolução pornográfica.

Erika Lust: "Não me identificava com esses filmes (porno), não parecia meu estilo de vida, nem meus valores, nem mesmo minha sexualidade."
1. Duas perguntas pessoais. Erika Lust, produtora, autora, roteirista, escritora e comentarista. Como e porque decidiu consagrar seus talentos ao pornô?
Me aconteceu o que acontece à maioria das mulheres: a primeira vez que vi pornô, acho que foi por volta dos 15 ou 16 anos e não foi um amor fulminante, aliás, muito longe disso. Evidentemente havia algo que me excitava, mas também muitas coisas que me incomodavam. Não me identificava com esses filmes: não parecia meu estilo de vida, nem meus valores, nem mesmo minha sexualidade. Não ficava representado ali o prazer feminino, e a mulher aparecia somente para agradar os homens. As situações concebidas me pareciam ridículas, todas baseadas em fantasias vviris e machistas: “a garota entra em casa e vê seu parceiro com sua melhor amiga, e, em lugar de ter um ataque de nervos, decide que fica melhor juntar-se à festa!”
2. Esta dinâmica artística foi elaborada quando ainda estava na Suécia e teve que mudar-se pela Barcelona para desenvolve-la, ou tudo nasceu e finalmente viu a luz na Cidade Condal (Barcelona)?
Me mudei para Barcelona no ano 2000, e trabalhei muito no âmbito da publicidade, cinema e mais recentemente – 2004 – surgiu minha produtora: LUST FILMS.
3. Em seus filmes há elementos como: a complexidade do roteiro, primeiros planos das mímicas das personagens, a escolha da trilha sonora e o extremo cuidado pelos detalhes dos cenários, que aproximam muito mais seu estilo a um Almodovar, com respeito a um título da pornografia clássica. Então, porque definir seu cinema como pornô, e não simplesmente erótico?
Frente um blow-job que chega ao fundo da garganta, proponho sexo oral praticado à mulher (cunnilingus). Frente as residências de luxo, proponho casas de um interiorismo moderno. Frente a mafiosos, traficantes, espiões, militares e carcereiros, proponho nossos amigos. Frente as louras putas, as ninfomanas, as lésbicas que trepam com homens, agentes secretas assassinas, adolescentes sem rédeas, proponho mulheres modernas, trabalhadoras, liberadas. Frente aos carros esportivos, motos aquáticas, helicópteros e jets privados… Proponho um i-phone, um mac, uma Mini, uma Vespa. Frente a um cinema no qual as mulheres ficam sempre disponiveis, proponho outro no qual há que se conquistar o sexo. Não abro as pernas somente porque me pedes isso.” Se quer ser chamado cinema erótico, bom, a verdade é que efetivamente ficaria melhor se a palavra pornografia fosse evitada, porque tem muitas conotações negativas. Além do mais, minhas influências ficam no mundo do cinema, não no pornô, mas sim de diretoras como Susan Bier, Sofia Coppola, Kimberly Pierce…
4. Sabemos que um olhar feminista sobre uma relação lésbica (no cinema, como na literatura) traz muito menos voyeurismo, e muita mais intimidade, que um olhar mais machista (ou simplesmente masculino). Que pode trazer um olhar feminista de diferente, e adicional, na representação de uma relação heterossexual ou sobre uma relação entre homens homossexuais?
Visto com olhar feminista tudo fica diferente, a politica, a medicina, a literatura, e também o cinema adulto, incluida à maneira de ver e contar uma relacão heterossexual ou homossexual, o que doamos? Com respeito a uma relação heterossexual, trazemos a igualdade da importância do prazer feminino com respeito ao prazer masculino. E na representaçao de um relacionamento entre homens homossexuais, trazemos a diferença de atrever-nos a admirar, quando o cinema pornô mainstream evita por completo o contato emocional entre homens.
5. Para você, onde fica o mais sublime do ato sexual, e o quanto e em que maneiras fica possível expressar isso na sétima arte?
O sexo pode ser escrito e filmado de muitas maneiras, em tantas quantas pode ser praticado. O único limite fica estabelecido pela imaginação.
6. Na internet, que acha sobre os sites “temáticos”, que oferecem uma descarga de vídeos dedicados exclusivamente voltados a um fetiche ou a uma fantasia específica? Acha que têm qualidade e projeção suficientes para serem considerados o futuro da pornografia?
Sim, com uma oferta específica se tem maiores possibilidades de sucesso. É o que acontece também conosco, com nosso site www.lustcinema.com
7. Você escreveu um livro, “XXX – Pornô para mulheres”, que teve um notável sucesso na Espanha e em alguns países estrangeiros. Pretende repetir a experiência, quiçá escrever um romance ou uma novela?
Meus três próximos projetos editoriais se chamam “Porque as suecas são um mito erótico”, “A Bíblia Erótica da Europa” e “Love me like you hate me”. Para quem quiser maiores detalhes, siga as datas dos lançamentos no meu blog.
8. Por último, você administra também uma boutique virtual na qual encontra-se mercadorias de diferentes tipologias. Que buscam e o que compram (em sua maior parte?) as seguidoras e seguidores de Erika Lust?
No www.store.lustfilms.com o que fica mais vendidos são os DVDs, porque oferecemos uma seleção muito equilibrada com títulos clássicos e modernos, e mostramos os trechos de todos os filmes. Também os brinquedos eróticos, um dos mais vendidos é o Iris da marca sueca LELO. Mas o grande sucesso da boutique fica por conta da possibilidade de vender no mundo inteiro.
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Violet Erotica tem 26 anos, vive na devota Italia e tem características fisicas tipicamente etruscas. Oscila eternamente entre amor e vampirismo… mas entretanto escreve.
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Violet, meus parabéns por compartilhar com A Vida Secreta esta entrevista. Acho Erika Lust um fôlego novo à mesmice vigente.
É claro que existem mulheres que se excitam com a pornografia feita para homens, como é tão claro quanto existem aquelas que acham que aquele tipo de sexo não as excita em nada. Eu sou uma delas.
Já assisti trailers do filme Five Hot Stories for Her, e acho que o grande diferencial não está no enredo, nem na iluminação, nem na estética, ou melhor, está em tudo isso também, mas acho que está sobretudo na tradução de desejos realmente femininos. Estava faltando isso no mercado prono/erótico.
muito boa a entrevista.
legal saber o q se passa na cabeça dela.
Muito bacana a entrevista. Eu gosto desse pornô pra mulheres. Aliás, quase não tem pornô que eu não goste, hahahaha.
Faço parte do bloco que gosta de pornô para mulheres com sutileza e delicadeza. E Erika Lust acerta em cheio! Parabéns pela excelente entrevista, Violeta!
Obrigadisima pelos comentarios e parabéns ^^
Como um dos cuecas (risos) a comentar o post tenho a dizer que acho que porno para mulheres é mais agradavel do que a velha formula “homem + mulher – historia = porno para homens”.
Eu, particularmente, acho muito chato.
E a Violet está de parabens pelo belo post.