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Uma das coisas que me dá mais prazer por aqui é dar vez e voz à vida secreta das pessoas. Seja através dos comentários, dos contos secretos, das perguntas que chegam ao meu e-mail… O que sinto é que através deste espaço, muitas vezes a alma grita o que a sociedade nos impõe calar. Lado A contra Lado B, vida contra vida secreta.
Acho que o mais interessante nisso tudo, é que através deste espaço podemos, mesmo que apenas virtualmente, realizar fantasias, trocar idéias comuns (sim, pois se engana quem pensa estar só em sua aflição ou desejo) e, de quebra, informar e entreter.
Este novo conto da Cláudia Motta poderia ser escrito por mim, por você, por qualquer um, para alguém que não é a mesma pessoa, mas que quando se fala em sentimentos, desejos, percebemos que é tudo muito normal e até comum a muitos. Comum a mim… Às vezes é muito difícil ter e manter uma vida secreta.
O que se faz quando se sente tesão dirigido? Sabe aquele tipo de tesão que só pode ser saciado com “aquela pessoa?” Resposta fácil seria trepar com a pessoa, mas o que fazer se o tempo estiver conspirando contra esse encontro?
Pois é, no momento vivo essa situação e ele também, então o que temos tentado é nos encontrar inocentemente, para tomar um café, jogar conversa fora, dar uns amassos e nos despedimos com um imenso tesão!
Embora estar juntos seja sempre uma delícia, o papo muito gostoso os amassos idem (risos) fica sempre faltando um sentir mais intenso, um tocar mais profundo, uma união que vai além, um gosto de quero muito mais não possível de realizar naquela hora.
A sensação não é de todo ruim, porque faz com que voltemos no tempo e possamos recordar como era essa sensação nos tempos de namoro, naquele tempo em que namorar era isso mesmo, pegar na mão, beijar muito, passar a mão durante muito tempo só por cima da roupa para depois ir evoluindo até chegar a abrir a roupa e ter a maravilhosa visão do corpo tão desejado, mas mesmo assim parando por ai, trepar nem pensar, só depois de muito tempo de namoro.
Engraçado é depois de adultos vivermos novamente essa situação, é um exercício de memória que nos obriga a abrir alguma caixinha, gaveta, ou seja, lá que compartimento do cérebro essas lembranças estejam arquivada.
O mais curioso é que ai as lembranças são tão fortes que podemos rever situações pelas quais passamos há tanto tempo esquecidas e rever nas nossas lembranças pessoas igualmente esquecidas, conseguimos até sentir o gosto dos beijos, o cheiro do corpo, o contato da pele e muitas vezes lembramos até as roupas que estávamos usando no dia.
Tudo isso para tentar lembrar de como nos virávamos nesse tempo. Bom, lógico que a saída mais fácil era mesmo apelar para a bela e boa masturbação, mas masturbação quando não sabemos o que é o sexo de fato, resolve 100% o problema do tesão, mas quando sabemos ai complica porque resolve somente a parte física do tesão e quando o sexo é mais que “só sexo” a parte física é só uma parte da trepada, o resto é presença mesmo, carinho, conversa, ou silêncio, quando sabemos que qualquer palavra naquela hora é absolutamente desnecessária.
Mas o bom de sermos mais experientes é saber que toda espera longa resulta num puta prazer quando o encontro é possível, é um exercício de paciência visando uma recompensa futura, cada pessoa pode sublimar como quiser ou souber esse tipo de sensação, isso ajuda a agüentar a espera (risos). Para quem escreve como eu, serve como uma fonte de inspiração, uma possibilidade de explorar sentimentos e sensações que poderão ser usadas em outras vidas, vidas de personagens, o que resulta para mim num exercício bem produtivo, alimenta meu intelecto, me faz esquecer por algum tempo que o que quero mesmo é muito mais que isso.
Sei que vai acontecer logo, mas o logo nunca é hoje e ai o negócio é mesmo tentar continuar a me alimentar de sensações e ir dando corpo e forma a personagens, criando novas vidas e fazendo com que eles realizem AGORA o que eu terei que esperar alguns dias para realizar!
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tem razão qndo fala da paciência e da recompensa, é exatamente assim q vejo. a cada encontro de leve aumenta o desejo pra o próximo encontro e para o ‘gran finale’.
perfeitas as colocações da Cláudia e espero q não demore tanto…
beijos
Amei o texto. Eu também já passei por isso, de fato o melhro da festa é esperar por ela, como se diz popularmente (risos) e Cláudia torço para que vocês se encontrem logo e quem sabe você aproveite e nos conte o final da espera?
Beijos
Bela história Cláudia, nada como ler algo assim para ficar bem acordado em uma noite fria de plantão sem movimento.
É bem isso que você falou, tesão dirigido só se resolve com a pessoa que é o nosso objeto de desejo, tudo mais é paliativo mesmo.
De novo você consegue expressar muito bem situações que fazem parte das nossas vidas adultas, secretas ou não, porque muitas vezes mesmo na nossa vida lado A temos que aguardar que o tempo conspire a nosso favor…
Pelo que sei vocês conseguiram resolver o problema não é? (risos)sinceramente fico feliz por vocês, eu sei bem o que é querer e não conseguir realizar e certamente você entendeu bem o que falei agora (risos)
Beijos Cláudia e parabéns ao dois por realizar sonhos!!!
É isso mesmo, concordo com o Cirurgião, nem precisamos do lado B, para sentir isso. Basta o outro estar longe por exemplo em outra cidade ou até país para nos sentirmos como descreveu lindamente a Cláudia, já vivi esa situação e sei bem como é. Eu resolvi isso transando com outro e pensando nele rs. E pensando nisso tenho uma curiosidade, estar na cama com um fantasiando ser outro é trair? Porque se for já trai muuuuuito rs
Beijão
Não sei se concordo que essa situação ocorra no nosso lado A da vida, sentir tesão e não poder realizar na hora é claro que ocorre, mas existe sempre a certeza que a demora será muito pequena, o tempo de chegar em casa por exemplo, para os casados é claro rs O tesão no lado B de nossas vidas é bem mais difícil de solucionar porque depende de muitos fatores que não podemos controlar, como o (a) titular dar uma folga rs, ou filhos quando se tem… Quanto a dúvida da Daniela na minha opinião a traição física é só o final de um processo, quando se chega nela o (a) outro (a) já foi traído, primeiro em pensamento, depois emocionalmente, até se chegar as vias de fato. Então trepar é só o final do processo de trair.
Gostei da forma como a Cláudia trata do assunto tesão, gostei do clima de expectativa e fiquei curioso para saber o depois (riso)
Abraço
Realizar sonhos é mesmo muito bom Cirurgião. E mais do que isso uma vida secreta é feita basicamente de sonhos, esperas, desencontros e encontros que quando ocorrem tem que ser aproveitados ao máximo e penso que é isso que dá um enorme tesão, a certeza que por mais breves que esses encontros sejam estamos ali por prazer, por vontade de encontrar e não por uma obrigação. É o tipo de relacionamento sem dependências, onde o que vale mesmo é a vontade de falar, ver e tocar muito o outro rs
Beijos
Gostei da forma como é descrito a sensação da espera, é isso mesmo, mistura de tesão, expectativa e recompensa!!! Relacionamentos secretos tem esse lado, mas o que importa é se vale a pena, porque se vale, então esperar se torna parte do prazer do encontro, parece que esse é o caso da Cláudia (usei a palavras caso, sem segundas intenções viu? rs)
Beijos