
Pois é… Além da chateação do meu vizinho, que me faria odiar até música clássica impondo a audição nas alturas por um dia inteiro, tenho lembranças horríveis de festas ao som do funk.
Uma delas tem uns muitos anos, eu namorava um advogado, o C., e ele era daqueles tipos sérios no dia a dia e como todo cara muito sério, era uma delícia surpreendente quando não estava engravatado. Eu hoje sou uma mulher bem quieta, não gosto muito de buxixo, mas já gostei e muito, a palavra festa já era motivo para eu me animar. C. me chamou para o aniversário de um amigo e eu nem pensei duas vezes, fui. Só não esperava que o amigo dele tivesse uns vinte anos e a festa fosse movida a muita cerveja e funk. Mistura certa para putaria.
Já disse aqui que sou ciumenta? Ou era, sei lá… Juro que tento me policiar nessa minha mania de posse. Alguns homens têm o dom de me deixar fora do sério. Este era assim. Muito educado, solícito, sorridente… Onde ele estava tinha meia dúzia de mulheres à volta dele. Uma delas era conhecida e já tinha tentado muitas vezes chegar nele e eu não gostava nada daquilo. Eu a chamava de prostituta mirim, já que ela era bem novinha e tinha um currículo sexual bem mais extenso que o meu. Essa tal, inclusive, por morar perto de mim, foi com a gente para a festa, era amiga de um amigo (como eu detesto estas sociabilidades). O que sei é que a dita cuja na festa, ficava a um metro do meu namorado dando aquelas reboladas e umbigadas com a mão no joelho no ritmo do funk, enquanto ele precisava de babador e o pau estava visivelmente duro sob a calça.
E quando o descaramento ficou muito grande, cheguei junto dele educadinha (odeio vexame) e pedi que fosse pegar uma bebida pra mim. E mal ele saiu, chamei a mocinha educadamente num canto e com um sorriso amistoso nos lábios, no melhor estilo psicopata (sim, porque a menina estava assustadíssima comigo) comecei a conversar com ela:
- Minha linda, com tanto cara solteiro e sozinho na festa, você tem que ficar rebolando a dez centímetros do C.?
- Mas…
- “Mas” nada, se tem uma coisa que eu odeio é piranha sonsa – e nisso, falando bem baixinho de modo que só ela ouvisse, acariciei os cabelos dela e segurei sua cabeça – Está vendo esta parede de chapisco? – e forcei um pouco a cabeça na direção do muro – Se te ver novamente perto dele eu vou ralar este teu nariz de batata e não vai sobrar nada pra contar a história. Entendeu?
- Mas…
- Já disse, “mas” nada. Fica caladinha e sai de perto dele, você e suas amigas prostitutas mirins. Não pensarei duas vezes em fazer o que te disse com você e com tantas mais.
E dizendo isso me afastei como uma lady, como se nada tivesse dito ou feito e quando ele voltou ao meu lado com a bebida, não havia mais nenhum sinal das meninas perto de nós. Não demorou muito eu pedi para ir embora, já não agüentava mais a martelada do funk na minha cabeça e no carro, sozinha com ele, disse que não gostei nada da cena que vi. É claro que ele se fez de desentendido e eu comentei a minha conversa com a mocinha. Ele ficou horrorizado e perguntou se eu teria coragem. Então eu apenas sorri e perguntei com um arzinho sádico:
- Quer voltar para a festa?
Sobre B. A VIDA SECRETA
B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.




















RSrsrs…Parabéns! Com muita classe vc superou qualquer uma das que na festa estavam.Lamento por vc ter tido essas experiências lamentaveis ao som do Funk,mas é viver e aprender. Agente passa por cada uma!!!
A história está super bem contada.
Parabens.
Neste episódio se manifesta o seu lado sádico, é curioso. Esse lado mais bruto já existia dentro de si desde nova.
Com a idade se manifesta mais.
Rsss ………… Menina, que ousada vc hein?!
Eu não diria nada prá garota, diria só prá ele. Não ia conseguir manter a calma desta forma ao falar com uma criaturinha daquela, ia ser barraco na certa, e eu detesto barraco. Admiro sua frieza e ousadia.
;)
bjs!