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Doutor M.

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“Feliz Páscoa doutor! Que a cada mordida o senhor não esqueça de mim. Me liga! xxxx-xxxx B.” 

Fico pensando o susto que meu médico teve quando leu este recadinho no bilhete dentro da caixa de bombons. Doutor M. era residente no Hospital Universitário, daqueles que fazem especialização, a dele, oftalmologia. Graças a ele descobri o meu ceratocone, doença congênita na córnea e graças a ele também, eu descobri que tenho um prazer enorme em me impor, ousar, tomar iniciativas e, principalmente, deixar o outro sem palavras. O bilhete acima demorou a receber a resposta que eu queria, mas já naquele mesmo dia abri a brecha que precisava para ter um contato maior com o moço. Lembro como se fosse ontem quando ele, com algumas tequilas na idéia, me ligou. Tímido de pilequinho é uma coisa, vocês não fazem idéia. Não falam nada de tanta gagueira ou tagarelam até a gente não agüentar mais. Dos bombons não restava mais nem a lembrança, mas o bilhete… Foi carinhosamente guardado e com a devida coragem, referência com o meu telefone e intenção. Perdi as contas de tantas que fiz com ele. Eu ousava e ele amava. Era daqueles que só sabiam balbuciar: “Você é louca B.” No entanto, negar que é bom, nada! Os artifícios eram os mais variados, blusinhas sem sutiã que eventualmente se abriam durante a consulta, vestidinhos sem calcinha e estratégicas cruzadas de perna a la Sharon Stone em Instinto Selvagem, portas trancadas de surpresa para deliciosos amassos, pés abusados sob a mesa durante as consultas… Não faltavam estímulos e consequentemente, reações. Adorava sair da sua sala com a carinha mais calma e safadinha do mundo, enquanto ele quase derretia de vergonha, com o rostinho vermelho igual pimentão.

Por questões éticas ele passou meu caso para uma amiga dele, mais experiente e preparada para o meu caso clínico. E quanto a nós, durante os dois anos de residência dele ficamos saindo. Eu ousando e abusando e ele acatando e se deliciando com as minhas loucuras.

A última foi pouco antes de ele ir embora, quando pegamos um ônibus junto, daqueles com ar condicionado que rodam por toda a orla. Como são mais caros, estes ônibus são também mais vazios. E como ele de branquinho era o meu fetiche, sentadinhos no fundo do ônibus, abusamos em bocas, mãos e desejos, que me esquenta até em lembrar! Teve um momento em que ele mamava meus seios deliciosamente, enquanto eu massageava o pau dele por dentro da calça. Sentia o pau melado, enorme e cada vez mais duro em minha mão, quando um outro ônibus da mesma empresa emparelhou com o nosso. O vidro fumê impedia que a visão. No entanto, só em saber que alguém no outro ônibus poderia estar nos vendo me deu um tesão ainda maior. Literalmente caí de boca em seu pau, fazendo-o gozar como um doido em minha boca. Odeio engolir porra, mas estava tão doida de tesão que bebi tudo e nem senti, sem desperdiçar nenhuma gotinha. Adoro lembrar o desespero dele, implorando que eu, por favor, não fizesse aquilo, que seríamos apanhados no flagra, coisa e tal… Eu nem liguei, apenas gozei com a exibição.

Pouco depois ele voltou para a terra dele, sempre que lembro do meu doutor lembro com carinho. Ele foi eficiente como médico, cuidadoso como amigo e delicioso como amante. Lembro também que quando uma mulher realmente quer, ela tudo pode! Com ele eu tive tudo o que quis! No final, ganhamos os dois. Saudades dele…

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Sobre B.

B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.

2 Respostas para “Doutor M.”

  1. Que mulherzinha perigosa é você.

Trackbacks/Pingbacks

  1. [...] ali, sentada diante e sobre o Doutor M. não precisava de muito mais, a energia emanava de nossos corpos. Sentada em seu colo, pernas [...]


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