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Barebacking | A roleta russa do sexo

Recentemente o comentário à respeito dos colegas de um amigo meu sobre a defesa do não uso de preservativos, me deixou um pouco assustada. No entanto, se saber que existem pessoas que se conseideram super heróis e são imunes a DSTs é algo esdrúxulo, absurdo, o que dizer dos praticantes de Barebacking?!

A reportagem de capa do JB Online deste domingo trouxe à tona o assunto em uma matéria extremamente descritiva, com declarações de defensores da prática que, segundo a matéria,  cresce cada vez mais no Brasil e  torna-se caso de saúde pública. Segue abaixo alguns trechos da reportagem, mas a dica é que leiam o texto completo. Vale a pena, é estarrecedora.

‘Barebacking’ cresce no Brasil e torna-se caso de saúde pública

Texto de Vagner Fernandes – Jornal do Brasil

O que é Barebacking?

O termo ”barebacking” (derivado da palavra barebackers, usada em rodeios para designar os caubóis que montam a cavalo sem sela ou a pêlo) ficou conhecido internacionalmente como uma gíria para o sexo sem camisinha, praticado de preferência em grupo, em festas fechadas, por homens sorodiscordantes (HIVs positivos e negativos).

Porque o Barebacking é praticado?

Alguns homens tem a teoria de que o vírus da Aids, se contraído numa relação sexual, pode trazer benefícios para seu cotidiano, libertando-o, de uma vez por todas, do uso do preservativo, aumentando o prazer, proporcionado uma liberdade só experimentada no auge da revolução sexual, na década de 70.

Pequeno dicionário do Barebacking

As orgias são chamadas de conversion parties ou roleta-russa. Entre os convidados, há os bug chasers (caçadores de vírus), o HIV negativo, que se lança ao sexo sem camisinha, e os gift givers (presenteadores), os soropositivos que se dispõem a contaminar um negativo. São esses os responsáveis por entregar o gift (presente), o vírus.

Quem participa de encontros bare confirma: o prazer sem barreiras é o que importa. Quanto à Aids, eles não encaram mais a doença como mortal, porém crônica, com tratamento à base do coquetel. A contaminação, portanto, elimina o medo e apresenta uma perspectiva futura da naturalidade do contato pleno.

Códigos do Barebacking

Há regras, e elas são claras. É condição sine qua non ficar nu ou no, máximo, com uma toalha (cedida pela produção do evento) amarrada na cintura. Quem se recusa é convidado a se retirar. Outra exigência: o sexo tem de ser praticado nos ambientes comuns de convivência. Ou seja, nada de se trancar em banheiro, em cozinha, em quarto. Ali, todos estão para ver e serem vistos.

O preço da inconsequência

Homo, bi ou hetero, na festa, todos praticaram sexo sem camisinha. A irresponsabilidade tem preço. E alto. Dos cofres públicos do governo federal saem cerca de R$ 1 bilhão por ano para tratamento exclusivo de soropositivos. Um paciente consome de R$ 5.300 a R$ 26.700 por ano. Cerca de 20 mil pessoas infectadas iniciam tratamento com anti-retrovirais no país, anualmente.

Com ou sem orgia sexo sem preservativo é Barebacking

Apesar do conceito de barebacking estar associado a orgias freqüentadas por homens que praticam sexo com homens, qualquer pessoa, independentemente de orientação sexual, que busca o prazer sem lançar mão de camisinha é um barebacker. Também corre o risco de ser infectado, ainda que não seja um participante assíduo das conversion parties.

O mito da cura

Os adeptos do bare alegam que, em função dos avanços atuais relacionados ao tratamento anti-HIV e à facilidade de acesso a ele, caso sejam contaminados não perderão em qualidade de vida. Ainda defendem como ponto positivo para não abrir mão da prática o fato de a ansiedade e a angústia frente ao possível contágio pelo HIV desaparecerem, assim que se descobrem soropositivos. Isso é sinônimo de libertação, pois que o uso do preservativo passa a ser descartado.

O feitiço contra o feiticeiro

Anti-retrovirais não são os únicos responsáveis pela qualidade de vida de um HIV. Quando expostos, de forma freqüente, a relações de alto risco, os soropositivos podem sofrer o que se chama de “recontágio”, uma nova contaminação, acarretando aumento da carga viral e desencadeamento de queda de imunidade e sintomas. Além disso, têm grande chance de contrair outras DSTs, tais com sífilis. Isso, certamente, dificultará o tratamento.

Fonte:JB Online

Bem, diante de tanto, nem sei o que dizer. É por causa de comportamentos assim que eu não me sinto segura de fazer sexo sem camisinha. Como me arrependo dos momentos que o fiz, por insensatez ou por amor.  E agradeço a Deus não ter contraído alguma DST ou algo pior. O texto é sensacional e tenho que agradecer ao meu VSR (virtual-sex-reporter) pela dica!

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Sobre B.

B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.

21 Respostas para “Barebacking | A roleta russa do sexo”

  1. Leitor em estadod e choque disse:

    Cara isso eh realmente um absurdo… antes tinha pena das pessoas que tinham AIDS, mas agora nem sei oq sentir… raiva talvez.Como esse povo pode ser tao idiota, tao ignorante a ponto de fazer uma coisa dessas? Depois reclamaram de preconceito contra soros positivos, que se foda agora eu tenho.

    • Admin Secreto disse:

      @Leitor em estadod e choque:

      Leitor, liberei seu comentário da moderação só para comentar em cima.

      Tenho certeza que você não tem analfabetismo funcional e nem é idiota. O texto não diz que todo soropositivo é praticante de barebacking. Então, não confunda praticantes de barebacking com soropositivos.

      De qualquer forma, lembre-se que o preconceito é crime e o AVS não pretende estimular preconceito.

      Sugiro tomar mais cuidado com suas leituras e sua exposição de opiniões.

  2. MAM disse:

    Nossa, se essas pessoas tivessem noção do que é começar um tratamento antiretroviral jamais cometeriam tal ato!!!Descobri que sou soropositivo há um ano e comecei meu tratamento Há 1 semana, os efeitos colaterais são imensamente desagradáveis e de dar medo, e nem sei se vão dar certo….Até pq há dois anos contrai hepatite b, mas precisam mudar este conceito de que hoje em dia ter aids é como ter diabets!!!Aids MATA…

  3. daiana disse:

    ficou legal mais eu acho que faltou um pouquinho mais de conteúdo pra ficar mais interessante faltou caprichar só um pouquinho mais eu acho que ficou legal e dá pra concientizar as pessoa pq é como estava escrito ninguem encara a aids como um fato mais sim como uma brincadeira

  4. VioletErotica disse:

    Ter que voltar-se enfermo para liberar-se seria uma contradiçao…

    como explicar-o a quém nao tem a cabeça encendida?

  5. claudia disse:

    Extremamente oportuno esse assunto. Merece ser repassado para outros leitores. Parabens pelo blog…arrasou! Bjs.

  6. gata safada disse:

    Realmente ainda há caras muito imbecis!!

  7. O Carioca disse:

    DArwin awards foi uma boa idéia pra esse caso. É vencedor inconteste.

    Barebacking me lembra ‘babaquin’

    []s
    O Carioca

  8. santocasto disse:

    A imbecilidade não tem mesmo limites… Such a bad idea!

  9. ThiagoH disse:

    tirando os gastos públicos resultantes do tratamento, não há muito que lamentar.
    merece um Darwin Awards.

  10. é a imbecilidade humana no auge… não tem outra explicação…

    beijo

  11. Celso Bessa disse:

    Eu gostaria de ler a opinião de praticantes de barebacking aqui. A discussão está unilateral. Seria interessante ouví-los.

    Alguém conhece algum barebacking?

  12. Muito bom dia

    Inacreditável, esse artigo é de ficar sem palavras… Nunca pensei ser possível existirem pessoas que “desejam” contrair o HIV…

    Parabéns pelo blog está fantástico.

    http://www.TudoSobreSexo.net
    Um grande abraço

  13. Andarilho disse:

    A reportagem foi muito boa mesmo.

    Eu não conhecia essas festas. E eu achava que não tinha mais nada de absurdo pra conhecer, nessa vida…

    Vivendo e surpreendendo.

    Bjo.

  14. B. disse:

    Também fiquei chocada com o texto. Sobre a ótima matéria, devo os créditos ao Vagner Fernandes, do Jornal do Brasil. O cara se enveredou em um mundo nunca antes aberto à mídia nacional. Os tópicos foram apenas organizados por mim e ilustrados com o texto dele, para postar aqui no AVS.

  15. olha que eu lei MUITA COISA sem noção, vejo outras tantas e PENSO em mmmmmmmmuitas outras que eu nem saberia contar…

    MAS não tenho dúvida de uma das coisas mais “sem noção” que já li é:
    “Os adeptos do bare alegam que, em função dos avanços atuais relacionados ao tratamento anti-HIV e à facilidade de acesso a ele, caso sejam contaminados não perderão em qualidade de vida. Ainda defendem como ponto positivo para não abrir mão da prática o fato de a ansiedade e a angústia frente ao possível contágio pelo HIV desaparecerem, assim que se descobrem soropositivos. Isso é sinônimo de libertação, pois que o uso do preservativo passa a ser descartado….”

    Eu estava pensando em escrever sobre esse tema, mas como vc escreveu um post 10 sobre ele, vou só fazer um introdução no meu blog e indicar para lerem aqui porque eu, literalmente, não escreveria um post melhor sobre o assunto.

    Abraço

  16. vanessa disse:


    roubam tanto qtos os corruptos…

  17. santocasto disse:

    É incrível. Tô chocado. Quanta gente tem titica na cabeça! Ainda bem que eu uso cinto de castidade.

  18. É de impressionar mesmo. Às vezes é difícil acreditar que a insensatez vá tão longe. Complicado quando o sexo vira a razão da existência de alguém.

    bjo

Trackbacks/Pingbacks

  1. [...] positivo da camisinha feminina é ser realmente eficaz na prevenção de DSTs e AIDS, mas… Infelizmente, pouca gente encara a AIDS como uma doença mortal, hoje em dia. E pra completar, ele não negou a feiura e desconforto da peça. Infelizmente, não encontrei em [...]


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