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Dia insuportavelmente quente no Rio. Cólicas, chateação em autorizada de celular, passeata na Candelária pelos direitos femininos… Seria um diazinho chato se não fosse a idéia do meu irmão, que é fotógrafo, dar uma passadinha na exposição do CCBB.
Família Ferrez: novas revelações
2º andar
de 26 de fevereiro a 04 de maioExposição com cerca de 400 fotos selecionadas a partir de 8.000 negativos deixados pelo colecionador e pesquisador Gilberto Ferrez, cujo acervo não se restringe ao estado do Rio de Janeiro e abarca cidades mineiras, monumentos e marcos arquitetônicos goianos, paraibanos e pernambucanos. Além de revelar costumes e comportamentos da sociedade brasileira na primeira metade do século XX, o Arquivo Família Ferrez, doado ao Arquivo Nacional, é referência na pesquisa da iconografia, da fotografia e do cinema no Brasil, e conta mais de 150 anos (o documento mais antigo é de 1839) da história do nosso país.
Patrocínio: Petrobras
Fonte: CCBB - RJ
Mas o que isso tem de vida secreta B? Pirou menina? Pirei não gente… É que olhando aquele monte fotos, registros de diferentes épocas, parei pra pensar um tiquinho.
Vi desde fotos da família, onde as esposas de caras tristes, sem sorrisos, verdadeiros bibelôs de porcelana eram expostas em toda a plenitude de sua beleza, no melhor estilo Belle Epoque que vivia o Rio de Janeiro no começo do século. Uma petit Paris, do figurino à ambientação. Até a imagem de outras terras, dos homens desbravadores, ativos, aventureiros, empreendedores, visionários, homens que tudo podiam. Tinha até homem de sainha no carnaval de rua do RJ na década de 40, veja só! Carioca é um povinho doido mesmo… Sempre foi.
E é claro que amei a exposição. É claro que tem muito mais. É um registro magnífico de imagens do início do século XX. Imagens bem compostas, de beleza artística, de importância histórica, que retratam o cotidiano. Passando por diferentes décadas (do início do século ao pós-guerra) e cidades. Imagens de um valor histórico inestimável. Nem sei o que dizer…
Mas mesmo com tudo isso, saí de lá com uma sensação esquisita dentro de mim. Não saía da minha cabeça os rostos de porcelana, lindos, quase tristes das mulheres das fotos e pensava:
“Tsc, tsc, tsc, tsc, tsc… Tudo mal comida! Coitadas… Cadê a alegria? É… Ainda bem que eu posso gozar!”
E é então que termino meu texto, lembrando que passa da meia noite e já é 8 de março, dia internacional da mulher. E enquanto um bando de pessoas vai estar postando manifestos neste dia dedicado ao feminino (já li uns 15 posts em meus feeds agora a pouco), eu dou um suspiro aliviado. Que bom que meu tempo é agora.
* Para ter acesso a mais detalhes e fotos da exposição, clique nas fotos.
Elogio do Pecado - Bruna Lombardi
Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que gozavocê pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosaAtravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.
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Este post foi arquivado sob as tags Bruna Lombardi, CCBB, exposição, Família Ferrez, fotografia, orgasmo


3 Comments
oi B!
adorei o post!
vc sabia que uso este poema no meu About?
olha:
http://eroticidades.wordpress.com/about/
Feliz dia da Mulher prá ti!!
bjs

Blind Knots
Freewill is a lie
Break in myself
Break out, please
Please a wont prisioneer
Painful pleasure slave
Tie me up with hope
I lose if you loose
Give me any rope
And fastened blind knots
That releases me
From my boring freedom
Eu gosto de não poder gozar, ou melhor, gosto de não poder gozar quando quero, mas quando me permitem… Por outro lado amo que ela possa gozar! Sorriso orgulhoso…
Texto expectacular!
Como falei hoje mesmo para minha mulher, esse dia da mulher não faz sentido… permite aos homens dar a impressão que eles cuidam e amam o sexo frágil, quando na verdade eu vejo isso como: “1 dia para a mulher, e 364 (ou 365) para nós”…
Para mim, o dia da mulher é toda dia. Quando vejo como o burro que sou nem participa tanto das atividades do dia-a-dia em casa, com as crianças - e no entanto, provavelmente muito mais que muitos homens (que aqueles que também passam roupas e lavam os banheiros me joguem a pedra, os outros que se fodem!) - eu digo, tenho vergonha de nosso sexo.
Tenho vergonha da injustiça,
tenho vergonha dos complexos das mulheres - que aceitam o tratamento diferenciado,
tenho vergonha dos machos - que acham normal a mulher lhe servir como se fosse escrava,
tenho vergonha da minha sogra - que acha a mesma coisa e queria que a filha dela quase lambe meu pé
tenho vergonha desse mundo mal feito.
Homens de coração, homens de paixão, homens de razão, homens de honra, vêem sua mulher como um ser muito melhor que você, e lhe-ofereçam flores e outros presentes - sem razão - porque ela escolheu você. Nós somos que devemos agradecer pela nossa sorte.
Um beijo,
Matt.
PS: puxa, acabo escrevendo mais nos comentários dos outros blogs que no meu próprio… rs
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