Neste final de semana um comentário me fez pensar… É tão impossÃvel que exista alguém tão desencanada sobre sexo quanto eu? É mais fácil acreditar que meus relatos aqui no blog seja a projeção do meu desejo do que a realidade?
Minha vida secreta pode até parecer irreal, diante da diversidade de coisas que vivo ou já vivi, mas… Posso assegurar, salvo uma ou outra liberdade poética durante a redação dos relatos, tudo o que há aqui aconteceu (será?).
Aqui eu exponho minhas experimentações, minhas preferências. Alias, eu nem acho minha vida secreta tão extravagante assim, acho que todos, sem exceção, têm uma vida tão interessante sexualmente quanto a minha, cada um vive sensações únicas, mesmo que não sejam tão diversificadas.
A diferença é que eu estou em um momento da minha vida que tenho necessidade de expor minhas experiências, mesmo que sob pseudo-anonimato, não exatamente para as outras pessoas, mas para eu mesma. Admitir que vivi já é um grande exercÃcio de auto-aceitação.
A terapia me ajudou a aceitar minhas muitas faces. Faces que eu não sofria em vivenciá-las, mas em admiti-las, porque temia o julgamento dos meus amigos e familiares visto que sempre os considerei amigos e eram eles os meus confidentes. Ter uma mãe compreensiva é às vezes dez vezes pior do que ter uma mãe opressora, pois esconder algo de alguém que não entende é dez vezes mais fácil do que manter o assunto em aberto com alguém que você ama e teme decepcionar.
Eu percebia, por exemplo, que o meu maior sofrimento não era vivenciar minhas experiências sexuais, mas não me sentir à vontade para partilhá-las com os meus. Só com a terapia eu percebi que o meu sofrimento era esse e não a vivência dos fatos. E que eu não preciso não ter segredos com os que amo, tenho direito a uma vida secreta sim, e tenho.
Quanto mais o tempo passa, mais meus horizontes se ampliam, menos preconceitos eu tenho e quando eu digo que nunca digo nunca até experimentar ou conhecer, não estou mentindo. Vejo que uma grande parte dos nossos medos sexuais não passa disso, medo. E que só temos estes medos por uma questão cultural, dificilmente é diferente. Não ouso ser mártir, tampouco desbravadora de nada, apenas vivo a minha vida, me permitindo viver.
Às vezes penso que minha vida secreta é mais interessante que minha vida normal, mas não é bem assim. Meu lado A, é tão questionador e curioso quanto o meu lado B. Vivo em busca da felicidade, também experimento, ouso, um pouco menos do que em minha vida secreta, porque nesta eu devo satisfações à sociedade já que sou um ser social apesar de indivÃduo. Tenho uma profissão, me questiono sobre ser o que sou e não ser o que faço. Não sou mãe, mas sou filha, irmã, sobrinha, prima, amiga… Sou completamente normal, acho que apenas… Escrevo um pouquinho demais.
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a vida é cheia de questionamentos, de escolhas e caminhos a seguir, e natural se questionar sobre os seus lados isso faz de vc uma pessoa que mede as consequências de seus atos, isso é bom…
continue sendo vc mesma e escreva tanto sobre seu lado A quanto B…
:-)
Seu blog é realmente um farol de iluminação, sensibilidade, sensualidade, lascivia e literatura no meio do oceano. Fiquei encantado por suas palavras. Voce escreve bem, se expressa bem, e melhor do que isso, mostra o quao fascinante pode ser o lado B de pessoas como eu e vc.
Tambem ja tive muitas historias, muitas vivencias, fantasias, desejos, experiencias. Nao tenho o mesmo talento que voce com as palavras, mas sempre adorei compartilhar um pouco de nossos sonhos libertinos. Se quiser, me adicione no MSN, ou me escreva. Adoraria poder entrar um pouco mais fundo nessa alma deliciosamente pervertida, espontanea e criativa!
Beijos!
E eu acho ótimo que escreva. Teus textos são um dos meus passatempos favoritos.
Beijo, linda!
O que posso mais dizer além de que você está coberta de razão? O que o (ou a não sei) Fugu F quis dizer, na minha interpretação subliminar dialética, é que quando se lê o que vc escreve quereriamos mesmo era estar no lugar de seu parceiro/parceira… eu pelo menos não crio linha nenhuma. É prazerosa a leitura, excitante e criativa.
(ps: no meu caso tire também a parte de ser dominado, não é o meu caso rs).
Nooooooossa Fugu F, que comentário interessante, lúcido. Não havia pensado nisso, que independe do fato, da versão do mesmo, sempre haverá uma terceira interpretação que voa na mente de cada um. Adorei!
B, querida, vou discordar um pouquinho de você. Como é absolutamente impossÃvel escrever a realidade tal como ela é, todo texto é uma construção e não espelho da vida. Sempre há mais omissões do que revelações em tudo o que dizemos. Quem escreve se limita a deixar algumas pistas, cujo sentido é completado pela imaginação, pelas informações e pela vivência do leitor. Escrever é fazer recortes, é brincar de teatro de sombras. Nós, seus leitores fiéis, é que seguimos você pelas linhas e construÃmos um terceiro mundo, que não é mais o seu e o nem nosso, mas o resultado da combinação dos dois. Por alguns momentos, somos todos B., somos todos o seu texto.
Diante disso, que importa se você viveu mesmo ou não tudo o que escreve?
beijo você, lindinha.
B., adorei o que vc postou sobre o comentário aqui exposto… acho interessante a maneira como consegue separar esses seus dois lados…A e B
Viver é correr riscos, como diria um poeta que agora me fugiu a memória… Pois bem;! cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz\ adorei conhecer o teu blog e te acho uma mulher muito inteligente pelo que escreve,estarei aqui sempre te visitando e lendo o que vc posta…ok? beijos paty
A vida tem a cor que a gente pinta… e muitas vezes cor de rosa , outras de negro, mas todas tem o seu valor e tons… viver cada etapa e cada descoberta faz parte da escala evolutiva do ser humano, felizes aqueles que tem coragem de viver cada uma delas intensamente… beijos grandes na grande mulher que é…
Corajosa…
Eu acredito em você, B., muito pelo fato de também compartilhar desse problema. Posso até admitir uma certa maquilagem nos meus textos, mas fica por conta da liberdade poética que você mencionou (embora eu duvide que meus textos tenham poesia!). Mesmo assim, tudo era verdade.
Talvez minha vida atual seja uma mentira.
Beijos.
(Eu)n.