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A Transsexualidade no Mundo

O artigo apresentará duas partes, e nessa primeira parte acho interessante ver o que acontece em alguns países do mundo sobre a transsexualidade. Já que a B. já abordou um pouco do tema relacionado ao Brasil em seu texto anterior O Transsexual e a Transsexualidade.

Itália

Na Itália uma lei muito avançada (para aquela época) foi promulgada em abril de 1982, no silêncio quase absoluto das hierarquias eclesiásticas (depois da pesada derrota sofrida no voto popular sobre aborto em 1981). Lei que não foi renovada nos seguintes 29 anos, e lei que tem alguns lados obscuros…

Como os prazos infinitos que as pessoas transsexuais precisam, de antemão, para obter a autorização da intervenção cirúrgica, e para modificar os dados anagraficos (documentos), somente depois da operação.

As intervenções cirúrgicas (faloplastia e mastectomia pelos homens transsexuais, vaginoplastia e mastoplastia aditiva pelas mulheres transsexuais) só podem acontecer em hospitais públicos com autorização da Justiça (e os relativos tempos bíblicos…).

E para completar ainda mais, há una interferência absurda na vida privada das pessoas. Por exemplo: a validade de um casal decai automaticamente se formado antes da mudança dos dados anagraficos de um dos dois parceiros, e, também contra a vontade do casal.

Ou seja, o casal se tornaria de heterossexual a homossexual, e este tipo de união ainda não é reconhecida na Itália.

Europa (de um modo geral e exceções)

As passagens transsexuais são permitidas em qualquer lugar na Europa, menos que em Grécia, Polônia e nos países bálticos.

Inglaterra e  Espanha

Na Inglaterra e na Espanha é permitida a mudança dos dados anagraficos (documentação) antes da intervenção de faloplastia ou vaginoplastia (na Espanha pode ter acesso à mudança do nome a partir de dois anos do começo da passagem transsexual, independentemente do ponto na qual ficara)

Alemanha

Na Alemanha existe a “pequena solução” pelas pessoas transsexuais não operadas: fica imutável o gênero mencionado nos documentos, mas pode mudar o nome. Compromisso que claramente não ajuda em nada, exceto as pessoas que gostam de chamar-se Monika ou Samantha e destacar-se como varões.

França

Na “secularissima” França a lei sobre a transsexualidade foi promulgada somente em 1992, depois uma batalha legal muito áspera entre as associações transsexuais e o Tribunal Supremo parisiense.

Índia

Na India ficam mencionados três gêneros diferentes nos documentos (M, F, E pelos “eunucos”).

Na mesma India há também as hijiras – transsexuais, transgêneros, transvestidos e eunucos reunidos em um único grupo marginalizado – e que têm um papel social muito similar aos “femminielli” em Nápoles, seja uma imagem folclórica ligada esencialmente a trabalhos em âmbito sensual/sexual.

A presença das hijiras fica de bom augúrio (trazem boa sorte) nos matrimônios, tanto por sua duração (longevidade) como pela fecundidade do casal. E têm que ser bem recebidas se aparecem nas cerimônias. Se levantarem a saia e mostrarem os genitais, significa que não se sentiram respeitadas, e é uma sinal de maldição para o casal.

Irã

Na República Islâmica do Irã, a pesar da homossexualidade masculina poder conduzir à pena capital por suspensão e a feminina ser fortemente estigmatizada, a transsexualidade fica tolerada em tal medida que a clínica acadêmica de Teerã é uma das mais renomadas no mundo, também pelos europeus, para fazer a intervenção cirúrgica (inferior somente as clínicas tailandesas).

Infelizmente e obviamente, enquanto aos europeus é possível gastar um punhado de euros para aproveitar da arte reconstrutora persa (cinco mil, correspondiem aproximadamente a R$ 11500), as transsexuais iranianas têm que conformar-se com os mais inflexíveis estereótipos sobre o sexo adquirido que são presentes em sua sociedade.

Conta a lenda que a indulgência com as pessoas transsexuais surgiu no final dos anos 80, quando o Ayatolá Khomeini, depois de uma entrevista à Televisão de Estado, conheceu a cameraman, que era uma mulher transsexual (MtF); ela lhe contou sua história, e ele ficou particularmente impressionado por ela.

Nos dias seguintes examinou de perto o Corão pesquisando estrofes que exprimissem palavras de condenação contra a transsexualidade (melhor, passagens similares que podiam encontrar-se na antiguidade), todavia não as encontrou. Esclareceu então o dilema deduzindo que “tão como Alá permite ao trigo voltar-se pão, assim pode permitir a uma pessoa mudar-se pelo sexo oposto”.

Sobre a motivação contraditória pela qual a transsexualidade fica tolerada enquanto a homossexualidade fica castigada penalmente e estigmatizada socialmente, falando de uma mentalidade desviada, presuponho que isso acontece porque a transsexualidade fica percebida como mero fato pessoal (portanto não perigoso pela comunidade), enquanto a homossexualidade (como o álcool e as drogas) fica percebida como um “problema social que pode envolver o conjunto da população”, e que há que combater e desarraigar de tal maneira que se chega ao ponto de infligir a morte, por causa de ela.

Infelizmente.

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Violet Erotica, vive na devota Itália e tem características fisicas tipicamente etruscas. Oscila eternamente entre o romance e vampirismo… mas entretanto escreve.

Sobre Violet Erotica

Violet, correspondente e colunista do A Vida Secreta, vive na devota Itália e tem características fisicas tipicamente etruscas. Oscila eternamente entre o romance e vampirismo… mas entretanto escreve.

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