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A Gueixa

Dia desses um amigo, sexualmente adepto do jogo sadomasoquista de Domínio e submissão (ele o submisso), depois de um dia terrível de trabalho me surpreendeu com o comentário: “Poxa B… Hoje tudo o que eu precisava era de uma gueixa à minha espera em casa.” E eu retruquei como um submisso desejaria uma gueixa para servi-lo?! Ele veio dizendo que nada tinha a haver com sexo, que só precisava de alguém para ter conversas agradáveis e não para reclamar das chatices do dia, das roupas que largou pela casa… Queria se divertir, relaxar, mas sem necessariamente ser com alguém que estivesse ligado afetivamente e principalmente que viesse com alguma cobrança neste sentido. Ele precisava de uma companhia e não de uma amada, não de uma esposa.

Esposas podem até ser compreensivas, mas se bem conheço as mulheres de hoje, nenhuma delas faria algo diferente do seu desejo real, nem mesmo pelo amado. Seria a gueixa, se estivesse com espírito para isso, mas… Quem garante que depois de um dia de trabalho, tão chato quanto o dele, não seria ela a necessitar do escravo submisso a seus pés?

Há pouco eu estava lendo no G1 sobre uma gueixa, Komono (significa “pequeno pêssego” em japonês), que acaba de lançar nos Estados Unidos o livro A Gueisha’s Journey. O livro documenta, com texto e fotografias, a transformação dela em gueixa, desde os 15 anos de idade. Komomo cresceu fora do Japão e percebeu que tinha dificuldades de explicar a própria cultura para outras pessoas. Foi então que decidiu ir morar em Kyoto e se tornar uma aprendiz de gueixa. Profissão que a cada dia torna-se mais rara. O trabalho das gueixas é entreter os homens com sua beleza e talento para canto e dança tradicionais, além de distraí-los em festas com conversas inteligentes e agradáveis.

Acho que não tem como comparar, como entender as gueixas nesse mundo ocidental que vivemos. A profissão da gueixa é quase um sacerdócio, sei lá… Tem que ser muito abnegada ou muito treinada, condicionada, para aceitar ser simplesmente um objeto de entretenimento. No entanto, eu entendo (eu e meu empaticalismo, putz…). Não a gueixa, mas quem precisa dos serviços dela. Entendo o que leva alguém, independente de preferência sexual, amor, estado civil ou modelo de relação, preferir uma gueixa (ou um escravo, no caso das mocinhas) em um dia “daqueles”, ao ser amado a seu lado. Ser humano é ter direito a ser eventualmente egoísta. Só isso!

Saiba mais sobre gueixas aqui.

Sobre B. A VIDA SECRETA

B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.

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3 Respostas para “A Gueixa”

  1. Cláudia Motta disse:

    Um filme ótimo que mostra a formação de uma guixa é Memórias de uma Gueixa. Deve ser visto, porque ali fica claro para nós ocidentais o que de fato é, e faz uma gueixa e o duro treinamento e aprendizagem a que elas são submetidas. Depois que vi o filme é que entendi como é complexa a vida de uma gueixa. O filme é mesmo lindo. Vale a pena assistir.

    Beijos

  2. Musashinm disse:

    Muito bom o texto (como sempre).

    E fiquei impressionado com você e o seu amigo. São poucos os “gaijins” que sabem a distinção de uma gueixa e uma prostituta. A maioria confunde muito esse ponto da cultura japonesa!

    Beijos.

  3. cris disse:

    Me fez lembrar de um outro post, lá atrás, ainda no Me and my secret life, onde a moça narra magistralmente o prazer de dar prazer.
    Acho que gueixa é meio isso, ela aprende a gostar de ser uma companhia agradável e proporcionar entretenimento.
    Por que é apenas isso que são as gueixas – entretenimento e uma forma de demonstrar que possui um alto poder aquisitivo, pois gueixas são muito caras.
    Discordo de que uma esposa dos dias de hoje não faria nada diferente do seu desejo pelo seu amado.
    Se o amado é mesmo amado o desejo dele pode ser o seu, e servir pode ser tão agradável quanto ser servido, desde, claro, que prevaleça, sempre, um equilíbrio ( e olha que eu não tenho nada de submissa!).
    Gueixas não tem nada a ver com escravos ou dominação – são obras de arte e como tal devem ser contempladas, admiradas, nunca tratadas como inferiores.
    Aliás, avise ao seu amigo, se estiver muito cansado não visite uma casa de gueixas. Deixar de dar atenção a uma delas, trata-las de forma inadequada ou simplesmente não se divertir com sua companhia é uma falta imperdoável e ele certamente nunca mais terá a companhia de uma delas.
    Quanto à referência a Memórias de uma gueixa – o filme é belíssimo, a produçao é impecável, a direção magnífica, a fotografia deslumbrante (difícil até acreditar que tenha sido escrito por um homem) e certamente agradará aos corações românticos, pois e uma bela história de amor (desta feita com final feliz).

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