A escola LGBT e a diversidade humana

E viva a diversidade[bb]!  É tão fácil ensaiar um discurso sobre o assunto e tão difícil vivenciá-lo. Neste texto, Daniel Henrique (que está de casa nova, passem lá para prestigiar: www.intimocontraste.com) traz à discussão o tema da criação de uma escola LGBT em Campinas-SP e no quanto essa iniciativa pode promover a inclusão e diversidade ou gerar críticas segregacionistas. Em tese acho o projeto interessante. Eu, que fiz moda, sei a importância de estar em um ambiente acolhedor a uma ideologia de ensino. O texto leva a outras reflexões, algumas bem incisivas, mas… Leia o texto, reflita e dê a sua opinião. Eis um debate interessante!

E se você tem Twitter, não deixe de seguir o Daniel por lá: @IntimoContraste

Primeiramente um ótimo 2010 para nós, a gente merece, né? Que o ano que começou possa nos fazer crescer e que possamos alcançar nossos objetivos. Passei bem as festas e meu ano de 2009 teve saldo positivo, posso dizer que estou feliz com a forma como as coisas caminharam, foram muitas as experiências e novidades na minha vida.

E por falar em novidades tem uma que fiquei sabendo em Dezembro, a tal da escola LGBT que está sendo criada em Campinas. Não sei se vocês já viram algo, mas tenho lido muitos comentário pela web sobre o projeto, alguns positivos e outros nem tanto.

A primeira pergunta quando vi a notícia foi, claro, o que é uma escola gay? O que ela vai ensinar? Lendo alguns textos percebi que a ideia da escola é abrir diversos cursos destinados para os jovens LGBTs, além de tratar sobre a cultura “gay”[bb].

Closeup of Gumdrops, imagem de Darrren Hester, no Flickr

Direito à diversidade. Racial, religiosa... Sexual! Discurso fácil de dizer, mas nem tanto de viver. Por que a diferença incomoda tanto? Por que somos tão intolerantes ao que não nos é comum?

Achei o projeto super bacana, apesar de algumas pessoas falarem que a escola só excluiria e geraria mais preconceito[bb]. Acredito que seria uma forma dos “discriminados” terem a oportunidade de estudarem em um lugar onde todos convivem com a diversidade.

Lendo um texto do Tiago Duque acabei refletindo outro ponto interessante também, a questão de que não existe uma forma certa ou errada de ser gay. É certo o gay que parece hétero ou o gay que é efeminado? Cada pessoa tem o estilo de vida que melhor o satisfaz, mas nem por isso um estilo de vida é melhor que outro. Um homossexual não é melhor que outro porque é mais discreto ou frequenta lugares mais caros. O texto é ótimo e indico para quem tenha interesse, abaixo destaco uma parte que gostei e, no meu ponto de vista, sintetiza-o:

“O maior desafio da escola gay é não ser ela mesma homofóbica, por isso, deve fazer com que os seus alunos e professores entendam que não existe apenas uma “cultura gay”, à base de maquiagem ou ao som da Madona[bb], mas que a sociedade é mais complexa do que as divisões binárias e fixas.

Nesse aprendizado de fugirmos das ciladas das divisões identitárias e simplistas em prol do reconhecimento, todos somos alunos. “

Fragmento do texto: Sobre a escola para gays / Por Tiago Duque / Blog ZGuiotto

Segundo o @decows os cursos já confirmados são de Dança, WebTV e Criação de Fanzine e as inscrições, para alunos e professores, serão abertas ainda em Janeiro. Vamos esperar para ver, eu torço ansioso para que dê tudo certo, o jovem LGBT possui uma grande carência de lugares onde se sintam bem e aceitos, espero que a escola ajude eles a crescerem orgulhosos de quem são e, antes de qualquer coisa, como pessoas “do bem”.

Mudando um pouco de assunto – ou nem tanto – sabe o que mais me incomoda? São aquelas bichas que se acham melhores do que as outras, vão para a night/balada, fazem caras e bocas, não olham para ninguém que não seja no mínimo perfeito, mas depois estão chupando o primeiro peru (risos…) que encontram pela frente. Muita hipocrisia, não é?

Não estou falando em “pegar” todo mundo, afinal cada um tem seu gosto, e é mais do que certo que dentro do mundo LGBT encontramos uma diversidade enorme de estilos e desejos. Assim como também acontece com os héteros.

Eu mesmo, passei anos da minha adolescência querendo ser aceito numa sociedade onde ser nerd não era “normal”. Queria ser aceito, confesso que demorou para cair a ficha de que não existia nenhum problema em ser quem eu sou.

Que mania que as pessoas tem de rotular tudo né? Ursos, barbies, nerds, patricinhas, pão-com-ovo, mariconas, bófe escândalo, monette fashion e por aí vai… mas acho que pior somos nós, que nos importamos com todos esses rótulos. Deveríamos rir um pouco de tudo isso, aliás, um vídeo engraçado que tira um sarro com essa coisa de rotular as pessoas é o “a Drag a Gozar”, não sei se cabe na reflexão, mas pelo menos para dar umas risadas.

Sou nerd, sou gay, sou feliz. Isso é o que importa para mim. Posso sentir atração por pessoas mais velhas, mas nem por isso vou tratar mal quem não seja. Ridículo, para mim, é você sofrer preconceito por ser gay e ser preconceituoso com outros gays por eles não serem o que você julga ser o certo. Aliás, quem pode dizer o que é o certo?

E aproveitando o assunto vou indicar um seriado que estou adorando, Glee é uma comédia musical e conta a história de estudantes. O legal do seriado é que as personagens principais são, como posso dizer, os “losers” da escola, os discriminados por serem de alguma forma diferentes, entre eles um gay. Além das boas risadas e das ótimas músicas, o seriado mostra muito sobre preconceito, exclusão e como devemos buscar viver com as diferenças entre as pessoas. Adorooo risos…

Devemos aprender a viver com as diferenças, como eu sempre digo aqui, preconceito é você julgar sem conhecer, então vamos conhecer e respeitar o que não faz parte da nossa realidade, e isso vale pra qualquer pessoa, independente de orientação sexual. A escola gay é mais uma iniciativa a favor da mudança e de um mundo que busca mostrar que ser diferente é normal. Ver o mundo com o olhar do outro é sempre importante, e é isso que eu peço para o ano de 2010, que possamos refletir sobre o que nos é estranho e que, mais do que tudo, possamos ser mais humanos.

Referências:

:: Escola LGBT: http://decoribeiro.blogspot.com/2010/01/uma-escola-gay-para-todos.html
:: Tiago Duquehttp://www.tiagoduque.com/
:: Sobre a escola para gays: http://zelmar.blogspot.com/2009/12/sobre-escola-para-gays.html
:: Twitter do Deco Ribeiro/Diretor da Escola Gay: www.twitter.com/decows
:: “A Drag a Gozar”: http://www.youtube.com/watch?v=cbm8Ae9knmw
:: Glee: http://pt.wikipedia.org/wiki/Glee_%28s%C3%A9rie%29
___________________________

Daniel Henrique é analista de sistemas, tem 22 anos e mora em SP. Como blogueiro, www.intimocontraste.com, encontrou no mundo virtual uma maneira de misturar razão e sentimentos para mostrar que ser gay é absolutamente normal.

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7 Respostas para “A escola LGBT e a diversidade humana”

  1. Todo mundo tem preconceito, por menos que seja, é como você falou B., falar é fácil, difícil é fazer. Mas estou tentando risos…

    É isso aí Sentimental, viva as diferenças, sempre.

    Obrigado pela visita Deco, também gostei muito do texto do Tiago Duque.

    Estou muito empolgado com a iniciativa da escola. Estou torcendo para que tudo dê certo. E vai dar.

    Grande abraço pessoal. beijocas.

  2. Deco Ribeiro disse:

    Um adendo a “Eu o escrevi depois de ler o texto do Tiago Duque(…)”:

    Eu o escrevi depois de ler o ÓTIMO texto do Tiago Duque!

    só pra deixar claro que eu gostei do artigo do Tiago, parceiraço nosso aqui de Campinas – e também outro dos poucos que pensam. =D

  3. Deco Ribeiro disse:

    Daniel, parabéns pelo post e já estou seguindo-te pelo Twitter!

    Gostei muito da sua rflexão e estamos precisando mais disso: gente que PENSE o movimento gay e contribua para avançarmos.

    Gostaria de colaborar publicando o endereço do site da Escola Jovem LGBT: http://www.e-jovem.com , onde algumas dessas dúvidas (Vai segregar ou não? O que é Cultura LGBT?) podem ser saneadas.

    E recomendo também meu texto de aprofundamento sobre o tema Escola Jovem LGBT, “Uma escola gay para todos”, também disponível no site. Eu o escrevi depois de ler o texto do Tiago Duque, e é uma resposta principalmente à indagação ‘O que essa escola vai ensinar?’

    Gostaria muito que você lesse e dialogasse comigo – seja via post ou comentário.

    Beijo do Deco =]

  4. Sentimental disse:

    um viva as diferenças…
    [ainda não tenho opinião sobre a escola, preciso ler mais sobre o assunto, mas espero q seja sim pra agregar e acabar com o preconceito]
    bjs

  5. B. disse:

    Acabo de colocar o post no ar e venho aqui dar os parabéns! Li o texto colocando carapuças a cada frase que me reconhecia. Sim, sou preconceituosa às vezes. Acho que nos falta, realmente, jogo de cintura, uma capacidade real de sair do discurso para a ação. Evitar os rótulos e aceitar seres humanos, que somos todos. Efeminados ou másculos, delicadas ou machonas… O direito de ser simplesmente não deveria ser o ponto mais importante?

    Quanto à escola LGBT, isso ainda vai gerar muito buxixo. O que de certa forma é bom, pois traz o tema à discussão.

    Como disse, estudei Moda. E estudei em duas instituições diferentes. Uma, A Escola de Moda da Candido Mendes, ainda na Rua Sorocaba no RJ, era um verdadeiro gueto fashion. Poucos vão acreditar, mas eu já raspei a cabeça com máquina 4 e pintei de vermelho… risos. O ambiente incentivava a expressão pessoal, a uma identidade fashion. Identidade que na outra instituição que tinha cursos mistos, o SENAI-CETIQT, no Campus Riachuelo (hije em dia há um Campus na Barra da Tijuca, só voltado ao Design e Moda), era mais discreta, apesar de todo aluno de moda ter uma expressão visual mais marcante até mesmo pelo universo que respira.

    Sinceramente, não sei dizer em qual dos ambientes aprendi mais sobre moda, ambos tiveram sua parcela na minha formação. Se por um lado, viver no “gueto Fashion” da Cândido Mendes era maravilhoso para minha criatividade e expressão, por outro lado a realidade “tudojuntoemisturada” do SENAI-CETIQT me deu um senso de realidade e respeito às diferenças muito maior, em todos os sentidos.

    Como disse antes, em tese a idéia é boa, mas chego a pensar se não seria o caso de ter um curso GLBT em cada universidade, para evitar o risco de ao invés de incluir, segregar. A idéia do curso é boa, mas… Será a saída? Sinceramente, eu não sei…

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  1. [...] janeiro escrevi sobre a escola LGBT de Campinas e hoje volto a comentar sobre ela para dar meus parabéns a todos que estão envolvidos no projeto. [...]


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