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A ditadura da moda e a magreza como obrigação

Não assustem com o título do post, vocês estão no blog certo sim. Este é o A Vida Secreta, a biografia (não autorizada) de todos nós. E este post, apesar de não ter como fonte de inspiração o erotismo, quer debater também sobre isso. O assunto começou na lista de discussão Luluzinha Camp (sim, eu sou uma Luluzinha, interneteira, apaixonada por bichinhos e que não dispensa um brigadeiro!) onde uma das Lulus colocou esta matéria da Folha OnlineDe tão Magras Modelos Chegam a Andar Com Dificuldade, em discussão, que levava a esta outra matéria aqui, Hipermagreza Domina Passarelas da SPFW , e o resultado foi uma blogagem coletiva, Luluzinhas Indignadas Com a Magreza,  para debater sobre o assunto. Leia, reflita, opine!

A magreza como padrão e a autoimagem distorcida

Este blog volta e meia fala de uma gordinha. E isso por motivos óbvios, eu sou gordinha. E sou gordinha desde sempre, porque meu cérebro sempre foi obeso. Por muitos anos, mesmo quando não era gorda, tive minha autoimagem distorcida. Se existia uma lugar que precisava de uma lipo, este lugar era meu cérebro. Depois dos 30, principalmente depois da terapia, eu passei a me aceitar, me gostar mais e até aceitei na boa os kg a mais, mas até então… Putz!

Não lembro exatamente quando percebi que estava longe do padrão estético vigente. Quando adolescente, mesmo alta e magra, sempre pesei mais de 60 kg e nunca vesti menos que manequim 40, talvez por causa do meu tamanho, estrutura óssea… Eu não era a mignon gostosinha, tipicamente brasileira, nem a magrela fashion.

Dia desses encontrei uma agenda de 1989, onde no auge dos meus 18 (quase 19) escrevi: “Não sei o que é pior, ser gorda ou me sentir gorda. A questão é que olho no espelho e me vejo gorda, muito gorda!” O único detalhe a acrescentar a este trecho é que eu nessa época tinha 1.76 de altura e pesava 63 kg. Fazia aeróbica e musculação 5, às vezes 6, vezes por semana e ainda assim me sentia frágil e insegura quanto à minha estética.

E como, ironicamente, o que a gente fala à toa às vezes acontece… Não percebi engordar tanto, juro. Pisquei os olhos e em poucos anos engordei horrores e recentemente acabei tendo que emagrecer de verdade.  No entanto, não estou emagrecendo por questões estéticas, felizmente me gosto e me aceito hoje em dia.

A ditatura da magreza

Em 1989,  época do meu comentário acima, modelos como Cindy Crawford eram padrão de beleza. Muito alta e magra esta, diferente das modelos de hoje, ainda tinha formas voluptuosas e braços musculosos, mas reinava absoluta nas passarelas e páginas de revistas. Recentemente Cindy comentou que nos dias de hoje não teria vez no mundo da moda.

Mudam os padrões, mas  a cultura da magreza assusta mais do que encanta. As semanas de moda mundiais, vitrine de roupas e tendências das próximas estações, atualmente parecem um verdadeiro circo dos horrores. Meninas belíssimas ficam parecendo esqueletos ambulantes, em uma magreza anoréxica. Tudo em nome de um padrão estético irreal que é ditado nas passarelas internacionais, mas que acabam refletindo em terras brazucas.

Um exemplo claro e a olhos vistos desta transformação  foi a Menina Fantástica, Rafaela Gewehr, uma gauchinha de 17 anos que, de dezembro pra cá, se transformou da magrinha natural em magricela fashion. Esta semana levei um susto quando a vi no Fantástico, falando da sua participação no SPFW, parecia até uma menina mais velha. E olha que ela nem é dos piores exemplos, hein?!

Distúrbios alimentares como anorexia e bulimia matam meninas lindas e cheias de sonhos em nome de um padrão absurdo, estético e profissional, que foge da compreensão humana.

Mesmo eu, que vivo nos bastidores da moda, já fui  muito  discriminada por ser uma “estilista cheinha”. Vocês não tem noção do que é o mundo fashion…

Questão de gosto

Quando o assunto é erotismo, bem longe das passarelas de moda, preferências por mais magrinhas ou mais cheinhas pode ser tanto cultural, como regional e, principalmente, pessoal.

Recentemente, visitando um shopping mais popular da Zona Oeste do RJ, pude observar como os homens quase quebravam seus pescoços para admirar mulheres, que ao meu olhar, eram bem cheinhas. Chegava a ser curioso, as mais magras e altas, independente do rosto belo eram praticamente ignoradas pela homarada, enquanto as  ”udas” (coxudas e bundudas), mesmo não tão bonitas assim eram quase babadas ao passar.

Citei este fato, pois na semana anterior estive em outro shopping, dessa vez na Zona Sul do RJ e pude observar que ao contrário do exemplo anteriormente citado, as mocinhas mais assediadas eram as mais longelíneas. Observadas não só pelos homens quanto por outras mulheres. No entanto, mesmo estas mais assediadas eram magrinhas, mas com alguma carne.

Em ambos os lugares, independente da região do RJ, as magrinhas, bem magrinhas, estilo modelo de passarela, eram solenemente ignoradas. O que me pareceu um absurdo, algumas eram realmente muito lindas. E isso me deixou curiosa… Tanto que termino este post lançando uma questão a vocês:

Sensualmente falando, homens e mulheres, o que vocês acham deste padrão estético difundido nas passarelas de moda, a magreza das modelos de passarela é algo que te faz salivar de desejo?

Ser magro ou ser gordo não é nenhum problema, sendo saudável… O problema está neste ambiente desumano que não tolera as diferenças, promovendo a rejeição deste ou daquele perfil. Isso sim é feio.

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Sobre B.

B. é editora do A Vida Secreta. Uma loba em pele de cordeirinha, que acredita que a consensualidade é a base de todos os relacionamentos.

13 Respostas para “A ditadura da moda e a magreza como obrigação”

  1. Nem Secos disse:

    Ei, ouçam a música “Ela Cortou Curtinho” do Grupo Nem Secos, que fala da ditadura da moda e sobre cada um poder ser como quer:

    Valeu, um abração

  2. bianca disse:

    tbm sofro por ser magra mas obg pela parte que me toca…

  3. Eu sou contra a ditadura da magreza. Prefiro valorizar a mulher de verdade, como ela é com suas qualidades e diferenças.
    .
    Abaixo a ditadura da magreza! E viva a mulher de verdade!
    :)

  4. Li disse:

    Tem muita magra saudável também que não engorda por não ter tendência para engordar e não por ser desnutrida. Qualquer tipo de ditadura é ruim, seja da magreza ou da gordura. Incentivar a obesidade é tão estúpido quanto incentivar a magreza. Tm muita gorda recalcada que acha que a vida é agradar aos homens e se entupir de comida enquanto assiste novela e ler revistas fúteis de moda.

  5. Deni disse:

    O pior é que tem muito homem famoso e rico que só quer saber das esqueleticas altonas.

  6. Bia Almeida disse:

    Ía comentar aqui mas ficou tão grande que resolvi escrever um texto e publicar no meu blog. Quem quiser ler é “Magra sim, e daí?”

    Tenho 1,70m e 50kg, você acha que isso é porque? Será que estou seguindo a ditadura da magreza?

    Abordei uma situação completamente diferente da citada aqui, mas usei de contra-ponto ;)

  7. Charô disse:

    Olá querida B.,

    sabe que sou “mei” cética com esse babado. Sei não.

    Acredito que tanto as modelos magérrimas quanto as modelos GG são prisões. Nenhuma delas pode mudar o peso sob pena de perder o emprego. Acho engraçago.

  8. Tenho um colega que diz que no dia que as mulheres ficarem cegas, ser gorda vai deixar de ser o maior problema na vida de uma mulher. Deve ser verdade.
    As mulheres são as que mais são carrascas dos ‘pneuzinhos’ alheios (nas mulheres,claro, porque elas ficam com o cara que tem uma borracharia inteira rs)

    Eu já escrevi vários posts onde esse tema aparece, alguns discretamente, outros mais explicitamente como no post ‘Desejo simples pra semana: A liberdade de ser gorda’
    [comentário editado por não conformidade com regras do A Vida Secreta - link no corpo do comentário.]

    As pessoas cada dia ficam mais paranoicas com a gordura, as vezes até quando não tem ou tem um ‘nadinha de nada’. Semana passada uma jornalista linda ‘e magra’ morreu ao fazer uma lipoescultura num corpo que, pra mim que vi pela TV, estava óooootimo.
    Sei lá…mas sinceramente deve ter algo de muito pertubado numa sociedade onde se ‘fala’ tanto em saúde e em personalidade e se cobra tanto que as pessoas façam ‘de tudo’ pra se encaixarem num padrão ridículo de aparência e trate tão mal quem pensa diferente desses ‘insanos’

    Verdade que gordura trás doenças. Mas tem muito magro que é doente também.

    Se se cuidar é uma questão de saúde, e não puramente estética, as pessoas deviam se preocupar com os que estão doentes, não com os que desagradam o seu olhar, né não?

    bjo B.

  9. Thiago Kaspersky disse:

    Olha……
    Essa questão de “moda” é apenas um golpe que as lojas fazem pra ganhar dinheiro….(se as roupas durassem pra sempre,ninguem receberia dinheiro,né)
    Mas olha só,cada homem tem uma opinião,mas acho que todos concordamos que as magrinhas sempre foram mais “frágeis”,pelo fato de não se alimentarem bem e tal.
    Pelo outro lado muitas “gordinhas” sofrem com problemas(doenças) de gordura e derivados.
    Então acho que … se a pessoa se sente bem com seu corpo… (é isso que importa, e pronto).
    Acredite!Ninguem agrada a todos!
    Há gosto pra tudo!
    Cada homem gosta de um tipo diferente(eu sei),então não se preocupem em: “O que ele vai achar” ou “Será que estou bem assim”
    Isso é coisa de “mulheres metidas” e homem nenhum gosta desse tipo de mulher.

    Um abraço a todos!

  10. Andarilho disse:

    Eu acho que o mundo das passarelas não é mesmo que o mundo real. Lá, é claro que os estilistas querem magrelas, as roupas ficam melhores em esqueletos, de qquer jeito.

    O idiota é quem faz desse modelo de negócios, modelo pra vida real.

  11. O estereótipo da magra como símbolo de beleza só acontece nas passarelas e na mídia de uma forma geral. A maioria dos homens admira a beleza das páginas de revista, dos desfiles apoteóticos da SPFW, mas na verdade não trocam suas mulheres que estão com sobrepeso, por aquelas que parecem que vão quebrar a qualquer momento. Típico caso de que é bom de ver, mas não pra ter!
    A vida é assim…
    E assim se segue…
    NAMASTE!

  12. Sentimental disse:

    ah, vale ressaltar que esse padrão de magreza absoluta vale mais para as meninas do q para os meninos né? vê-se muito em passarela os modelos saradões, peitorais bonitos, barrigas tanquinho e lá lá lá…

  13. Sentimental disse:

    eu acho q saúde é mais importante do que estereótipo, conheço muita magrinha doente e montes de gordinhas saudáveis. tenho esse caso aqui mesmo na minha família, minha sobrinha é linda e ‘seca’ e cheia de problemas de saúde… enfim, beleza definitivamente não está em kilos a mais ou a menos, acho que a pessoa precisa estar bem com seu próprio umbigo e pronto, a partir daí ela fica bonita aos olhos dos outros. acho horrível essa ditadura da moda que diz q mulher bonita é mulher magra ou seca, não concordo com isso mas infelizmente não sou ninguém pra mudar alguma coisa, né? rs depois desse texto, lembrei desse post aqui: http://filhotedepombo.blogspot.com/2010/01/triste-e-falsa-beleza-da-anorexia-parte.html. [ok, são extremos, mas elas se acham lindas, e tem realmente quem goste.]
    beijos

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