
Não sou casada, não tenho filhos, assisti 100 Escovadas antes de dormir (Melissa P é o título original), porque tive uma curiosidade de tia. Uma tia que fala sobre tudo de sexo, mas que ficou chocada com a compulsão masturbatória quase exibicionista da sobrinha de 14 anos, filha do irmão mais velho que não mora na mesma cidade. E foi difícil entender, não por moralismo meu, mas por puro despreparo mesmo. Quando ouvi falar deste filme, fiquei curiosa em querer saber um pouco o que se passa na cabeça de uma adolescente no mundo de hoje. Diante de tantos perigos reais e virtuais, até para entender mais minha sobrinha e me deparei com uma busca pela identidade pessoal através do sexo que me assustou. E não porque eu tenha visto a minha sobrinha ali, mas porque me vi.
O filme se passa na Itália e compreende o ciclo de um ano, de verão a verão, dando uma certa ênfase a cada estação. Melissa é uma adolescente de quase desesseis anos, que mora com a mãe e a avó paterna, enquanto o pai trabalha fora do país em uma plataforma de petróleo. Apesar da mãe ser muito afetiva, esta a vê como uma criança ainda e não percebe os questionamentos da mesma. Sentimentos estes que são percebidos pela avó, uma mulher extremamente sensível e libertária, que tem uma relação especial com a neta. É ela quem ensina como uma forma de terapia as cem escovadas no cabelo antes de dormir. No entanto, mãe e avó não se dão muito bem, e a avó vai morar em um asilo, deixando ainda mais descontextualizada em seu lar.
A descoberta sexual acontece a princípio como fruto da paixão e curiosidade da adolescente, que acredita amar um colega de escola, que simplesmente não dá a mínima pra ela. Por ele ela passa por humilhações, entrega-se ao sexo e aos poucos vai descobrindo no ato sexual, uma maneira livre de auto afirmar-se diante de si e dos outros, sendo praticamente execrada e excluída pelo seu núcleo social. Tendo a sua vida devassada a partir da leitura do seu diário.
O filme é muito bem conduzido, e acho que este filme me tocou tanto, porque parei pra pensar que a mesma sociedade que incentiva a liberalidade, é a mesma que posteriormente vem a reprimí-la. Os colegas. Diferente de Melissa, eu não tive a vida devassada, não me entreguei a uma busca precoce e tampouco desmedida. Deixei de ser virgem aos dezesseis, mas a grande maioria das minhas experiencias aqui relatadas são fruto de uma vida ao longo de 20 anos. Eu sou uma curiosa, porque necessito entender e conhecer a diversidade da sexualidade. Mais de uma vez eu já disse aqui, que esta facilidade com a qual eu vivo a minha sexualidade e consequentemente acabo entendendo e respeitando a alheia, é apenas um disfarce para esconder a principal questão da minha vida, que nem eu sei exatamente qual é.
E antes que este post vire um divã, assistam. O filme é de 2005 e já se encontra disponível em DVD. Para os que tem filhos, netos, e os que não tem também, vale como reflexão para qualquer idade.
Interessante B, vou tentar ver.
bjs
E sobre seu comentário na página Anais, senti uma grande afinidade contigo, e é verdade a gente tem que se virar e aprende a enxergar os enganos bem mais fácil.
bj
Nha, guria achei interessante o filme, quero assistir, assim provavel que nesse feriadão eu assista
beijos pra ti guria
vou pegar pra ver, isso se eu achar por aqui… bjs grandes
Essa dicvotomia liberal-repressora cria expectativas, as vezes frustrantes, quanto ao que fazer perante a sexualidade. Cria-se um vácuo de informações que acabam por distorcer o que é reallmente o sexo e talvez esteja aí a razão de tantas adolescentes entrarem numa roubada. Belissimo texto B.
Muito bom esse filme e relata a realidade pura e crua de uma sociedade q naum compreende seus adolescentes os levando a cometer loucuras insanas ou até mesmo como Melissa buscar refugio no sexo e pervercidades libertinas…